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No UBS, a recomendação do wealth é deixar o “modo de risco ligado” – NeoFeed

Fonte: Ivan Ryngelblum

Com a perspectiva de queda dos juros nos Estados Unidos e a continuidade do afrouxamento monetário no Brasil, o UBS Wealth Management (WM) está com o “modo de risco ligado”, ainda que em patamares moderados do que foi em anos anteriores.

O braço de gestão de patrimônio do banco suíço entende que o momento é propício para investidores tomarem um pouco mais de risco. Por isso, a recomendação para os clientes em 2024 é aumentar as fatias de suas alocações em NTN-B e Bolsa em suas carteiras.

“Não tem mais aquela ‘espada’ em cima da cabeça do mercado, com o yield da Treasury só subindo e constantes incertezas com os Estados Unidos”, diz Luciano Telo, executivo-chefe de investimentos (CIO) para o Brasil do UBS WM, ao NeoFeed. “É consenso no mercado que os juros americanos começam a cair e se isso acontecer de maneira benigna, com inflação convergindo e a economia gradualmente desacelerando, mas nada muito brusco, isso é bom para ativos de risco.”

Diante deste cenário, uma das recomendações do UBS WM é o aumento da alocação em títulos indexados à inflação, segundo relatório que trata da alocação de ativos no Brasil em 2024 obtido pelo NeoFeed. Na carteira de risco médio desenvolvida pela gestora de patrimônio, a recomendação é de uma alocação de 20% em NTN-B, acima dos 15% registrados no ano passado.

A decisão vem da percepção de que ainda há prêmios atrativos a serem capturados nas taxas reais implícitas nos títulos de prazo mais longo. Segundo Telo, a taxa de juros real neutra calculada pelo Banco Central (BC) está em torno de 4,5%, enquanto as taxas reais no mercado estão acima de 5,5%, gerando oportunidades de ganhos aos investidores.

Em simulação, o UBS WM constatou que quando se compra um título ligado à inflação no meio da curva – no caso, a casa utilizou como referência a NTN-2035 – com o patamar de juros reais entre 5,5% e 6%, e carrega por quatro anos, período de um ciclo econômico, ele bate em 86% das vezes o CDI, o benchmark clássico para qualquer investimento no Brasil.

Desde 2010, o percentual de tempo em que uma NTN-B 2035 permaneceu nesta faixa de juro real foi de 31%, maior patamar da simulação. Atualmente, o papel está apresentando uma rentabilidade anual de IPCA mais 5,6% ao ano.

Considerando a perspectiva de queda de juros por aqui e lá fora, a expectativa é de ganhos com esse tipo de alocação – Telo diz que o UBS trabalha com Selic na casa de um dígito até o final do ano, podendo terminar em 9% ou ir além, enquanto projeta que os juros básicos americanos terminam 2024 entre 4,25% e 4,50%, depois de começar o ano entre 5,25% e 5,50%.

“Se você carregar o título por tempo suficiente, ele tem um prêmio em relação ao juro real neutro brasileiro que justifica ter essa alocação”, diz o CIO do UBS WM.

O UBS WM também começou o ano com uma posição ativa em títulos pré-fixados, uma alocação de 12,5% da carteira de risco médio, com Telo afirmando que se encaixa numa posição tática de curto prazo, também vendo prêmios para serem capturados.

Um pé maior na renda variável

A tomada de risco também se vê na recomendação para alocação em ações locais, que passou de 10% da carteira de risco médio para uma posição de 12,50%. Assim como outros bancos e casas de análise, o UBS WM destaca que o valuation das companhias na B3 está em patamares muito baratos.

Luciano Telo
Luciano Telo, CIO do UBS WM

Ainda assim, Telo destaca que o valuation das companhias brasileiras está baixo “há algum tempo” e que o custo de oportunidade do País ainda é elevado, o que acabou fazendo com que o UBS WM fosse um pouco mais conservador na hora de recomendar exposição à renda variável. “Se não tiver um momento em que, de fato, o gatilho para a valorização aconteça, é um risco ficar posicionado em ações”, afirma.

Esse gatilho é principalmente o corte de juros dos Estados Unidos, cujo timing ainda é motivo de debate entre os economistas. O UBS estima que o primeiro movimento de afrouxamento deve vir em junho, considerando as projeções da inflação americana, que apontam para o núcleo do índice de preços ficando perto da meta de 2% na metade do ano.

O cenário do banco para os Estados Unidos é de um soft landing, com desaceleração da economia, mas recessão, com lenta redução da inflação. “Se não tiver uma desaceleração muito abrupta da economia, a combinação entre renda fixa e ações é boa”, diz Telo. “É uma carteira mais equilibrada para o momento.”

Olhando internamente, o UBS WM alerta que o País precisa fazer o dever de casa pelo lado fiscal. “Para o vento favorável de fora chegar aqui, precisamos do fiscal dentro de certos parâmetros, não precisa ser nota dez, mas dentro de certo parâmetros”, diz Telo.

O principal parâmetro é o resultado primário não sair do controle. Embora o governo afirme buscar déficit zero, o UBS WM trabalha com déficit entre 0,5% e 0,8% do PIB em 2024. “Vamos ter que ter uma discussão sobre metas, contingenciamento, vai ter que acontecer”, diz.

“Se essa discussão vier num momento em que as condições lá fora estão mais favoráveis, será menos importante. Mas se o Fed começar a demorar para cortar juros, aí o mercado vai olhar com lupa para a situação fiscal brasileira”, complementa.

Além de recomendações para a renda fixa e ações locais, o UBS WM trouxe como novidade a inclusão de uma parcela pequena, na casa de 7,5% na carteira de risco médio, em com alocação em bolsa e títulos americanos. Além de ambos os ativos se beneficiarem do cenário de soft landing, eles ajudam a reduzir a correlação da carteira com o mercado brasileiro.

Outra inovação que o UBS WM incorporou para este ano foi especificar o investimento em fundos imobiliários como uma classe independente, uma demanda antiga dos investidores. A classe de ativos estreia na carteira de risco médio com uma recomendação de alocação de 5%, diante do bom desempenho em ciclos de flexibilização monetária.

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