No Somos Multi 2026, especialistas, franqueadores e multifranqueados destacaram a necessidade de preparar as operações, analisar os números e envolver toda a equipe nas mudanças previstas pela legislação

As transformações decorrentes das mudanças tributárias e fiscais exigem adequação estrutural das empresas, com impactos percebidos já a partir de janeiro de 2027. No segmento de serviços, esses reflexos ganham ainda mais relevância, tornando a escolha do regime tributário um fator central para a proteção da margem e o crescimento seguro das operações. No modelo de franquias, as alterações legais demandam alinhamento direto entre franqueadoras e franqueados, especialmente em relação à estruturação do repasse de tributos.
A preparação prévia desponta como elemento decisivo para a adequação das organizações. A necessidade de se antecipar às mudanças esteve entre os temas discutidos no Somos Multi 2026, terceira edição do congresso voltado a franqueados e multifranqueados, organizado pelo ecossistema CommUnit, que reuniu 1.105 empreendedores e profissionais do franchising na última terça-feira (15/9), no Nubank Parque, em São Paulo.
José Carlos Araujo, sócio-diretor da BWA Global, ressalta que a busca por adequação deve ocorrer “não por terrorismo, mas para aumentar a eficiência operacional”.
Para além do departamento fiscal tradicional, a condução das mudanças exige o engajamento de toda a estrutura corporativa. Antonio Henrique Brum, multifranqueado das marcas Adidas, Originals e Reserva, à frente de 26 operações, destaca a importância de debater as transformações tributárias “não só com o contador, mas todo o time”.
A participação direta dos gestores na avaliação de teses tributárias e na interpretação das novas regras é apontada como indispensável para a segurança da empresa. André Rieger, multifranqueado de O Boticário, reforça que “não dá para delegar só para o contador”, alertando para a necessidade de os empresários compreenderem as mudanças previstas na legislação.
O alinhamento do fluxo de caixa e a manutenção da saúde financeira para o início do ano representam um desafio prático de gestão. Rieger define o momento de ajustar a operação enquanto a empresa continua em atividade ao compará-lo ao ato de estar “trocando a roda com o carro em movimento”.
A busca por rigor técnico na análise dos dados financeiros se configura como condição para a sustentabilidade do negócio. Bruno Arena, multifranqueado da Casa do Construtor com quatro unidades, defende a capacitação analítica: “Não tem como não fazer conta e não buscar essa profissionalização neste momento”.
Araujo ainda pontua que a definição de estratégias fiscais exige clareza sobre conceitos essenciais de enquadramento e estruturação. “Enquadramento é diferente de planejamento tributário”, lembrando que a opção por um regime formal não substitui um planejamento fiscal contínuo.







