Além de ser uma celebração tradicional, o mercado carnavalesco representa uma oportunidade significativa para os pequenos negócios, impulsionando a economia criativa e sustentável em diversas comunidades. A economia criativa, que engloba 56 setores no empreendedorismo, como moda, audiovisual, música, artesanato, artes cênicas e visuais, desempenha um papel crucial na promoção da inovação e da diversidade cultural durante o Carnaval. Esse setor representa 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso, totalizando cerca de R$ 200 milhões anuais.
No entanto, apesar do potencial, há uma parcela de empreendedores que não reconhece a capacidade de seus negócios. Segundo Felipo Abreu, gestor do Núcleo de Economia Criativa da Gerência de Competitividade do Sebrae/MT, muitos empreendedores enfrentam dificuldades para estruturarem seus negócios de maneira consistente e sustentável ao longo do ano, o que, por muitas vezes, os levam a perder a oportunidade de lucrar com o Carnaval.
“Temos um perfil majoritariamente informal nessas cadeias produtivas e eles muitas vezes não veem a formalização do trabalho como oportunidade de negócio. Embora talentosos e criativos, muitos empreendedores enfrentam desafios para estruturar seus negócios de maneira consistente e responsável e acabam se afastando do Carnaval”, aponta Abreu.
Oportunidades e estratégias
De acordo com uma pesquisa do Sebrae/MT, mesmo em meio às mudanças e adaptações causadas pela pandemia, cerca de 5% dos entrevistados planejam celebrar o Carnaval de 2024. Deles, 61% devem participar dos blocos de rua, enquanto 28% optarão por festas privadas, destacando a resiliência cultural e o potencial econômico do Carnaval para os empreendedores locais.
Abreu ressalta que a formalização desses empreendedores é essencial para abrir portas para obter acesso a recursos e empréstimos especializados que podem impulsionar o crescimento do negócio.
“O fortalecimento dos pequenos empreendimentos, seja na área de alimentação, figurinos, música ou turismo, é crucial para o desenvolvimento sustentável do mercado do Carnaval, especialmente considerando a interconexão entre essas áreas. Então, é muito importante que os empreendedores percebam sua importância como agentes influentes nesse mercado e busquem a formalização de seus negócios. A formalização não apenas garante acesso a recursos e financiamentos para impulsionar o crescimento, mas também permite a criação de uma rede de desenvolvimento que viabiliza a atuação ao longo do ano, e não apenas durante o período do Carnaval”, afirma o gestor de Economia Criativa.
O gasto médio previsto é de R$320 por folião, com a alimentação representando 72% dos gastos, seguida por fantasias e adereços, com 15%. Esses dados ressaltam a importância dos pequenos negócios no fornecimento de produtos e serviços que sustentam a atmosfera festiva do Carnaval. Edinete Bezerra, uma costureira que atua há 29 anos, é um exemplo desse empenho e já organizou seu estoque e a agenda para atender às demandas dos clientes.
“Trabalho com projetos e com calendário de datas e eventos para conseguir atender às demandas. Já tenho clientes fechados que pediram a personalização de abadás. Neste período, faço estoque de tecidos brilhoso, com lantejoulas, fitas coloridas e vários outros adereços e, para mim, é muito importante estar formalizada pelas vantagens em taxação fora do estado e segurança previdenciária”, explica Edinete que se tornou MEI em 2011.







