Guitarrista e jornalista transformaram aulas de música em negócio que projeta faturar R$ 2,5 milhões

Fonte: Redação

O interesse de Juliana Vieira, 32 anos, pela música começou na infância, quando ganhou uma guitarra de brinquedo e passou a observar os instrumentos expostos na casa de um tio. Aos 14 anos, em outubro de 2008, começou a tocar e passou a gravar e publicar vídeos no YouTube. “Era natural para mim tocar e compartilhar meu processo de aprendizado e evolução”, lembra ela, que soma atualmente 441 mil inscritos e mais de 69 milhões de visualizações na plataforma.

A visibilidade conquistada na internet abriu espaço para apresentações em bares e pequenos eventos em São Paulo (SP). Posteriormente, Vieira ingressou na carreira profissional como side woman — instrumentista contratada para acompanhar artistas em shows, gravações e turnês pelo país. Em sua formação, passou por escolas de bairro e instituições com modelos tradicionais, onde identificou uma lacuna entre o ensino focado em teorias complexas e a prática exigida nas apresentações ao vivo.

“Tive experiências tocando com diferentes artistas musicais e de estilos diferentes — no rock, no pop, no gospel. Entendi como funcionava para tocar bem na prática, o que aprendia no conservatório que não fazia sentido, aquela teoria engessada versus o que estava tocando nos shows”, diz.

Da paralisação na pandemia à criação da marca

Em 2020, com a suspensão de shows e turnês devido à pandemia de covid-19, a guitarrista passou a gravar aulas digitais e materiais educativos. A iniciativa começou com o curso “O Segredo da Guitarra e do Violão”, viabilizado por um investimento inicial estimado entre R$ 5 mil e R$ 10 mil em parceria com uma agência para gestão de tráfego pago.

No ano seguinte, ela virou sócia da jornalista Amanda Rinaldi, 31 anos, que atuava no mercado financeiro e no atendimento a empresas no ambiente digital. Com isso, Rinaldi assumiu a reestruturação da gestão do negócio, alinhando a operação. Durante três anos, as duas mantiveram a atuação conjunta de forma enxuta.

Em 2024, Vieira encerrou a rotina de turnês para se dedicar integralmente ao projeto educacional, enquanto Rinaldi deixou o setor bancário corporativo. Com a transição, a oferta de um produto único foi reformulada para a criação da escola JV Academy. “Eu olhei para a Juliana e falei: ‘A gente precisa transformar isso num modelo de negócio. Não pode ser um produto, a gente precisa ter uma marca. Vi a possibilidade de construir algo maior”, afirma.

Com a consolidação da estrutura, a empresa atingiu faturamento de aproximadamente R$ 300 mil em 2024. No ano seguinte, a receita chegou a R$ 1 milhão, e para 2026 a projeção é alcançar R$ 2,5 milhões em faturamento — um crescimento de 150% em relação ao período anterior.

Metodologia aplicada

A JV Academy opera com divisão funcional: Rinaldi lidera a gestão estratégica e a operação da empresa, enquanto Vieira responde pela criação de conteúdo, desenvolvimento pedagógico e acompanhamento direto dos alunos. Hoje, a equipe conta com seis pessoas.

Segundo a base de dados da empresa, o público atendido é predominantemente masculino — entre 70% e 88% do todo —, com homens na faixa etária de 35 a 50 anos que buscam aprender ou aprimorar a prática musical como hobby e momentos de lazer. A abordagem metodológica, denominada “metodologia do guitarrista livre”, busca aplicar conceitos teóricos de forma prática e direta, sem demandar rotinas exaustivas de estudo de várias horas diárias. “O que levei ali cinco anos para entender, os meus alunos hoje conseguem em seis meses, porque eu dou tudo isso mastigado. Usamos a teoria como um atalho para tocar melhor.”

Para atender às diferentes fases do aprendizado, a escola estruturou quatro cursos principais:

  • Toque em 14 Dias: curso introdutório para iniciantes ao valor de R$ 67;
  • Primeiras 50 Músicas: focado na leitura de cifras e prática de repertório;
  • JV Academy: programa principal do zero ao avançado, focado em tocar com autonomia sem dependência de cifras, com anuidade de R$ 1,5 mil (ou 12 parcelas de R$ 150);
  • Curso de Timbres: voltado para regulagem de som e timbres de guitarra.
Juliana Vieira ministra aulas ao vivo dentro da plataforma — Foto: Divulgação
Juliana Vieira ministra aulas ao vivo dentro da plataforma — Foto: Divulgação

O acompanhamento individualizado e diário promovido por Vieira aos alunos é apontado pelas fundadoras como o principal diferencial da escola. Além disso, embora seja uma escola de música 100% digital, o modelo de negócios incorporou a impressão de três apostilas didáticas impressas enviadas aos alunos no Brasil e no exterior.

“Percebemos que, para o público adulto, música é hobby, lazer e tempo de qualidade. Então, estruturamos a escola com uma experiência muito mais próxima e acompanhada, com aulas ao vivo, plantões de dúvidas, comunidade e até materiais físicos, em vez de simplesmente disponibilizar uma biblioteca de conteúdo”, explica Rinaldi.

Com olhar para o futuro do negócio, as empreendedoras planejam incluir encontros presenciais e workshops imersivos com convidados, desenvolver um aplicativo próprio para a plataforma e expandir do corpo docente para a grade de aulas ao vivo.

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