Um vídeo que mostra a produção de coxinhas com massa cor-de-rosa viralizou nas redes sociais. De acordo com o post, uma confusão entre colorau e corante deu origem a uma campanha improvisada de Outubro Rosa. O conteúdo foi postado pela Sô + Doces, confeitaria de Itupeva, no interior de São Paulo, na sexta-feira (9/10) e já alcançou quase 3 milhões de visualizações.
Em entrevista a PEGN, um dos donos da loja, Matheus Lucas da Silva de Andrade, de 27 anos, conta que a confusão aconteceu na última terça-feira (6/10). Durante a produção de uma remessa de 80 a 90 coxinhas, um colaborador confundiu corante em pó vermelho com colorau devido à etiqueta virada para trás.
“Havia apenas um pouco de produto nesse potinho de corante. Então, ele pegou um pacote fechado de colorau de verdade para completar a quantidade necessária. Para uma massa de cerca de 12 kg, ele usou as 10 gramas de corante que estavam no pote, acreditando que se tratava de colorau, e depois completou a receita com mais 20 gramas do tempero fechado”, explica.
Ao perceber a coloração da massa, o funcionário chamou Andrade. “Quando entrei na cozinha, vi a panela de longe e a receita estava completamente rosa. Perguntei: ‘Nossa, o que aconteceu?’” O empreendedor, então, foi verificar a etiqueta do pote e encontrou a sinalização “corante em pó vermelho”.
Para evitar o desperdício dos insumos, Andrade decidiu finalizar a produção e vender as coxinhas, mesmo com uma margem menor de lucro. Ele e a esposa, Mariana Dantas da Silva de Andrade, responsável pelo marketing, criaram uma campanha ligada ao Outubro Rosa, movimento de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, e decidiram que gravariam os bastidores do ocorrido para levar às redes sociais.
As coxinhas foram anunciadas no delivery com a campanha de Outubro Rosa. O preço regular do salgado recheado de frango com catupiry é de R$ 17,90, mas o item foi vendido a R$ 12,90. Segundo o empreendedor, a estratégia permitiu cobrir os custos do produto e ainda manter uma margem de lucro, possibilitando a liquidação rápida de todas as unidades em dois dias.
Negócio nasceu dentro de casa
Andrade era funcionário de uma grande empresa de bebidas quando decidiu que seria empreendedor. O gosto da esposa por doces foi o que direcionou o casal para esse caminho.
Em janeiro de 2021, eles começaram a vender diversos quitutes por delivery: de batata recheada a copo da felicidade, tudo a partir da cozinha de casa. Após deixar o emprego, Andrade investiu tudo no negócio. “Só que a gente não tinha conhecimento de administração, zero. Vendíamos muito, mas não pagávamos nem os boletos”, conta.
A empresa começou a se estruturar após a entrada de um sócio-investidor Juan Ramon Oliveira Viana, que trouxe capital e conhecimento de gestão. A princípio, eles trabalharam apenas com delivery dentro de um restaurante e depois passaram para um salão próprio, com um investimento de cerca de R$ 300 mil, vindos de capital de terceiros e empréstimos bancários.
Atualmente, o faturamento mensal gira entre R$ 140 mil e R$ 160 mil, mas o plano é chegar a R$ 200 mil. “Desde o início, nós sempre trabalhamos pensando em qualidade e entregar o que prometemos. Hoje, nós trabalhamos com insumos de primeira linha, como chocolates nobres, Nutella, Ninho, Ovomaltine e paçoca da Santa Helena”, diz.
Aumentar as vendas no salão é uma das estratégias apontadas para turbinar o faturamento — o delivery ainda corresponde a 80% da receita. “Estamos tentando aproveitar essa visibilidade nas redes para atrair clientes à loja, aumentar o consumo no local e fortalecer o salão”, afirma Andrade.





