Adenilson Santos criou 30 sabores de pipoca, apostou no licenciamento da marca e viu o negócio virar patrimônio cultural da cidade

Adenilson Santos, dono da Pipocas Maná, transformou um carrinho de pipoca na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, em uma rede de lojas e carrinhos licenciados que fatura cerca de R$ 150 mil por mês. A trajetória começou com um investimento de R$ 2 mil e um primeiro dia de vendas modesto: apenas R$ 25.
O ponto onde tudo começou já tinha sido abandonado por outro vendedor, que considerava o local pouco promissor. Santos discordou e decidiu insistir, mesmo sem sinais imediatos de retorno. Foi só com o tempo, e com uma mudança de estratégia, que o negócio ganhou tração.
A virada veio da variedade. Em vez de se limitar aos sabores tradicionais, Santos passou a testar combinações incomuns até chegar às mais de 30 opções que hoje compõem o cardápio da marca, entre elas pipoca de camarão, bacon, paçoca e creme de avelã.
“Quando você vai a um restaurante, quer experimentar algo diferente. Eu pensava a mesma coisa para a pipoca. O empreendedor não pode ficar na mesmice”, afirma.
Com a clientela em expansão, os próprios consumidores passaram a sugerir novos bairros para receber os carrinhos. Foi esse movimento que levou Santos a estruturar um modelo de licenciamento: hoje são 12 pontos licenciados, além das lojas físicas que a marca mantém no Rio.
Cada parceiro recebe um documento que autoriza o uso da marca e repassa um percentual mensal do faturamento a Santos. Em troca, ganha treinamento operacional e material de apoio para manter o padrão de qualidade — inclusive dos funcionários contratados pelos licenciados.
A gestão do negócio hoje é dividida com a esposa de Santos, responsável por conversar com os licenciados e buscar fornecedores para a empresa. Já as lojas próprias levaram entre dez e quinze anos para se consolidar, um processo que Santos descreve sem pressa: “Tudo é um processo na nossa vida.”
Ao longo desse tempo, ele se tornou um conhecedor da matéria-prima do negócio. “Eu como muito pipoca. Foi assim que virei especialista”, diz. Segundo Santos, o milho usado na pipoca salgada costuma ser menor, porque varia conforme a safra, enquanto o da pipoca doce precisa ser mais graúdo — a maciez, no entanto, não muda entre os dois. É esse tipo de conhecimento que ele passa adiante para os funcionários e licenciados, no controle de qualidade que considera essencial para manter o padrão da marca.
O frescor do produto, segundo ele, depende do movimento constante das lojas e carrinhos: a pipoca é preparada aos poucos, ao longo do dia, e só para quando o ponto fecha. Santos, que trabalhou embarcado e viajou por diferentes países, afirma já ter provado pipoca em vários lugares do mundo — e considera a versão carioca imbatível.
O reconhecimento também veio de fora do comércio. Em 2023, a atividade dos pipoqueiros foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro pela Lei nº 8.230. O título repercutiu nas redes sociais da marca, o que ajudou a atrair novos seguidores e clientes.
Para Santos, o crescimento do negócio segue a lógica de um plantio: “Você não pode desistir logo no começo. Se planta uma semente, precisa ter paciência para ela crescer e, só depois, colher os frutos. Foi exatamente o que aconteceu com a pipoca.” Ele resume a trajetória em uma palavra: multiplicação.
Como a pipoca virou um negócio de R$ 150 mil por mês no Rio





