Após receber R$ 640 mil de adiantamento por livro, autora migrou para a negócio de ghostwriter

Fonte: Redação

Melissa Petro revela por que não consegue trabalhar apenas como escritora em tempo integral

Melissa Petro lançou 'Shame on You: How to Be a Woman in the Age of Mortification' após 20 anos trabalhando no livro
Melissa Petro lançou ‘Shame on You: How to Be a Woman in the Age of Mortification’ após 20 anos trabalhando no livro — Foto: @melissa.petro/Instagram/Reprodução

A jornalista, professora e escritora Melissa Petro acreditava que o adiantamento de US$ 125 mil, cerca de R$ 640 mil, pagos pela sua editora para a publicação de seu livro representava que sua vida financeira tinha mudado.

Logo que a obra pela qual ela vinha trabalhando havia 20 anos, Shame on You: How to Be a Woman in the Age of Mortification, (ou Que vergonha: Como ser mulher na era da humilhação, em tradução livre), foi lançada, contudo, ela descobriu que o mercado editorial funciona de um jeito diferente do que ela imaginava.

Em um longo relato publicado no site Business Insider, Petro expoe como a meta de vendas tradicionalmente estipulada pelas editoras nos Estados Unidos para que os autores recebam o bônus, por exemplo, é irreal para a maioria dos escritores.

“Para acionar esse bônus [US$ 30 mil, ou R$ 155 mil], descobri muito mais tarde, eu precisaria vender mais de 44 mil cópias em um ano”, diz. Nesse mesmo período, ela teria vendido pouco mais de 2 mil cópias, enquanto uma estreia de sucesso inicial já é definida pela venda que varia de 1 mil a 5 mil edições.

A expectativa da escritora com a procura da obra era justificada pela repercussão que ela vinha vivendo a cada ensaio publicado e o escrútinio popular em torno de sua persona. Em 2010, segundo o The Guardian, Petro foi demitida de uma escola pública de Nova York, onde dava aulas de arte, após ter seu antigo trabalho como profissional do sexo exposto em uma matéria do New York Post.

Ela se define, por exemplo, como uma “sobrevivente de humilhação pública na mídia de massa e a mãe que se dedica ao lar”, e acreditava que, com base nesse histórico, a publicação do livro chamaria atenção, mas viu o título em uma competição desfavorável com outros lançamentos no mesmo período.

“Você sabe quantos livros um autor precisa vender para ganhar dinheiro? Eu não. Você sabe o que um típico livro de não ficção de estreia vende no primeiro ano? Eu também não. Tudo o que importava era: eu iria vender”, desabafa.

Segundo Petro, a realidade por trás do glamour estético do que é ser escritor é: a maioria dos livros publicados vende somente o necessário para estornar a editora do que ela pagou adiantado ao autor. Outra descoberta feita por ela desde o lançamento de Shame on You, em 2024, é ser escrever os próprios livros, em tempo integral, como ela sonhava, é uma tarefa que poucas pessoas conseguem fazer.

“Mesmo autores conhecidos muitas vezes dependem de ensino, consultoria ou trabalho freelance para se manterem à tona”. No seu caso, publicar um livro possibilitou que ela, hoje, atue como escritora-fantasma, profissional contratada para escrever em nome de outra pessoa.

Petro detalha que, embora o salário represente um quarto do adiantamento do outro livro, também significa a falta de pressão publicitária e de crítica negativa, já que o público não sabe que o texto é dela. Além disso, ela também vende coaching privado, ministra cursos e conduz workshops de desenvolvimento pessoal, o que, segundo ela, não seria possível sem o livro.

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