Hortaliça na cidade: casal cria fazenda vertical de microverdes em Florianópolis e fatura R$ 50 mil ao mês

Fonte: Redação

Em Florianópolis (SC), a advogada Laíla Ribeiro e o engenheiro de produção Leonardo Corrêa, uniram automação e agricultura urbana para estruturar a Fazendas Bioma. Em um espaço fechado e controlado, a empresa cultiva microverdes — vegetais colhidos ainda na fase inicial de desenvolvimento —, registra faturamento mensal de R$ 50 mil e mantém uma equipe de nove funcionários.

A decisão de empreender surgiu há sete anos, quando o casal optou por deixar o ritmo acelerado de São Paulo para formar família na capital catarinense. O interesse pelo setor de alimentação impulsionou a transição de carreira. “Eu sempre tive paixão pela área de alimentação. E aí, quando conheci o conceito de fazenda vertical, vi que era possível produzir alimento de qualidade próximo das pessoas. Isso me encantou”, afirma Ribeiro.

Antes do primeiro plantio, os sócios dedicaram tempo à capacitação técnica. “A gente fez cursos específicos na área de agronomia e também se aprofundou muito na área de startups”, relata Ribeiro. A operação ganhou tração financeira com o aporte de investidores privados e fundos de amparo à pesquisa, somando R$ 400 mil em captação de investimento anjo em 2022.

Automação e desperdício zero

Dentro da unidade produtiva, o cultivo ocorre longe das intempéries climáticas e sob iluminação artificial. As prateleiras abrigam variedades como brócolis, rabanete, beterraba, repolho e rúcula. O controle do ambiente é realizado por um aplicativo desenvolvido pelos próprios fundadores, responsável por gerenciar a luminosidade, a rega e os cronogramas de entrega.

“Esse software nasceu de uma necessidade interna. Nós temos 25 espécies diferentes, com 25 ciclos de produção diferentes, e temos 100 clientes fazendo pedido recorrente semanal”, explica Corrêa. “Então, fizemos um sistema de operação que funciona como se fosse uma produção sob demanda. A gente coloca os pedidos e ele vai gerando os passos da produção.”

A metodologia reflete diretamente na rentabilidade do negócio. Segundo Corrêa, o planejamento operacional praticamente elimina perdas de insumos: “A nossa eficiência produtiva é muito alta, então o nosso desperdício é basicamente zero, o que impacta diretamente na margem, nos custos e na viabilidade do negócio.”

Tecnologia patenteada e modelo vivo

O ciclo das plantas começa com a germinação, etapa que leva de três a cinco dias. Assim que o software sinaliza o término desse período, a cobertura da bandeja é retirada para que as folhas continuem o desenvolvimento sob luz artificial até o ponto ideal de colheita de cada variedade.

Para padronizar e dar escala ao processo, os empreendedores criaram uma solução própria: um biofilme hidrossolúvel de sementes, posicionado sobre uma manta de fibra de coco. O conjunto é inserido em bandejas desenvolvidas para acelerar o processo germinativo, regulando temperatura e irrigação com precisão.

Corrêa informa que o sistema já teve depósito submetido aos órgãos de propriedade intelectual: “Fizemos um pedido de patente recentemente e isso está em análise. É bem importante tanto o registro de patente quanto o registro de marca, porque é o que garante exclusividade no uso e no desenvolvimento daquela tecnologia.”

A capacidade produtiva da unidade atinge 1,5 mil unidades semanais. Ao contrário das hortaliças convencionais comercializadas já cortadas. “O microverde vem plantado na manta de fibra de coco. O cliente, com uma tesoura, corta na base do talo e consome do talo para cima. O fato de vir plantado garante que o microverde vai estar sempre fresco no momento do consumo”, detalha Ribeiro.

Mercado e plano de franquias

A distribuição abrange 95 pontos de venda na capital catarinense, entre restaurantes e redes de supermercados. Ribeiro observa que o consumo doméstico tem crescido impulsionado pelo valor nutricional e pela estética dos pratos: “Hoje, o microverde é um produto em ascensão, uma novidade dentro do carrinho do cliente. Ele busca conhecer a origem dos produtos, como é feito, e também procura aquela apresentação de prato sofisticado.”

Com o modelo fabril consolidado em ambiente fechado e independente de grandes extensões de terra, o próximo passo da Fazendas Bioma é a expansão nacional por meio do modelo de franquias. Para selecionar os novos parceiros, Corrêa pontua que a habilidade comercial será tão decisiva quanto o rigor técnico.

“Buscamos alguém que tenha esse olhar para a produção de alimentos, mas que também encare o desafio de vender esses microverdes e educar o público da sua região”, diz Corrêa. “Tem que ter esse perfil de ir para a rua, conversar com os restaurantes e acompanhar o mercado. O perfil comercial é fundamental.”

Ribeiro reforça que a meta é democratizar o acesso a essa categoria de hortaliça enquanto viabiliza novas frentes de renda: “O nosso sonho é levar o microverde de alta qualidade para todo o país e fazer com que várias pessoas possam se beneficiar com o produto, não só na alimentação, mas vivendo disso financeiramente. Sempre tivemos vontade de empreender com sustentabilidade e alimentação saudável. Vimos nas fazendas verticais a oportunidade de fazer a diferença.”

Veja a seguir a reportagem completa, que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo:

Microverdes cultivados na cidade viram negócio de alto valor

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