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A nova era do entretenimento: hábitos e desafios do streaming no Brasil 

Fonte: Jessica Chalegra

Nos últimos anos, aconteceu uma transformação radical na maneira em que o entretenimento é consumido. As plataformas de streaming de vídeo, no Brasil e no mundo, emergiram como os titãs modernos da indústria e redefiniram a forma como as pessoas assistem a filmes, programas de TV, documentários e vídeos de todos os tipos. Desde o surgimento pioneiro da Netflix até o crescimento explosivo de concorrentes como Amazon Prime Video, Disney+ e uma miríade de outros serviços, a paisagem do entretenimento digital nunca foi tão dinâmica e diversificada.  No entanto, por trás dessa profusão de opções, há padrões de comportamento que revelam como as pessoas assinam e, mais importante ainda, utilizam essas plataformas de streaming.

No Brasil, uma pesquisa da Opinion Box mostrou que a Netflix segue como líder tanto como plataforma mais conhecida (96%), como a mais assinada e usada (78%). Nos mesmos segmentos, a Amazon Prime Video aparece em segundo lugar com, respectivamente, 87% e 52%. Enquanto isso, a terceira plataforma mais conhecida é a Globoplay (84%), mas ficando em quarto lugar (30%) entre as mais assinadas. Já a Disney+ ocupa o terceiro lugar com mais assinantes (32%).

Hábitos de compra e consumo no streaming

Em maioria, o streaming é usado pelos brasileiros para assistir filmes (89%). Ao mesmo tempo, uma parcela igualmente grande opta pelas séries (85%). As plataformas também são escolhidas para o consumo de documentários (49%), reality shows (22%), programas infantis (21%), especiais de comédia (20%), show musicais (19%) e entrevistas (15%).

Mas, quando questionados sobre o motivo que leva o brasileiro a assinar o streaming, o preço aparece como primeira opção (67%). Outro fator avaliado é se a plataforma dispõe de séries e filmes do gosto do público (46%), além de um catálogo que seja atualizado com novidades (28%) ou amplo em conteúdo (27%).

Em 2022, a Netflix lançou uma assinatura com preço mais baixo, mas com anúncios inclusos – um modelo que lembra bastante a boa e velha televisão tradicional. O resultado do novo modelo de serviço no balanço, em maio de 2023, já somava quase cinco milhões de assinantes, sugerindo que está havendo uma boa aceitação dessa nova possibilidade pelo consumidor. Ao mesmo tempo, a pesquisa da Opinion Box mostra que 19% dos assinantes preferem assistir conteúdo sem anúncios.

O estudo mostrou ainda que, nos últimos 12 meses, 28% dos assinantes passaram a utilizar serviços de streaming com mais frequência. Ao mesmo tempo, 44% mantiveram o consumo normal, enquanto outros 28% diminuíram a frequência com que acessam essas plataformas. A tendência para os próximos 12 meses é que haja uma diminuição do uso para 16% das pessoas, enquanto 23% pretendem consumir mais e outros 61% não mudarão o hábito atual.

Além disso, 70% dos consumidores já cancelaram uma assinatura pelo aumento de preço, e o mesmo percentual concorda que eles têm ficado cada vez mais caros. Outro hábito comum mostrado pelo levantamento diz respeito às assinaturas apenas durante o período de teste, feito por 55% dos ouvidos, enquanto outros têm mais streamings assinados do que realmente em uso (29%). 54% dos usuários já cancelaram esse serviço porque o nível da programação caiu, enquanto 37% assinaram apenas para conhecer o catálogo.

Compartilhamento de senha no streaming no Brasil

Atualmente, 51% dos assinantes compartilham suas senhas, sejam com familiares que moram na mesma casa (71%), namorado ou cônjuge (30%), amigos (23%) ou vizinhos (5%). Ou seja, 61% dos entrevistados compartilham suas contas com indivíduos que não residem na mesma casa. Porém, 63% deles não pagaria um plano mais caro só para ter mais senhas compartilhadas.

O assunto virou motivo de debate após a batalha da Netflix contra o compartilhamento de senhas com pessoas que não moram na mesma residência. O streaming passou a testar o compartilhamento pago para assinantes após notar uma redução no número consumidores de suas contas nos primeiros seis meses de 2022. Ao ser anunciada a mudança, a ameaça de “cancelar a Netflix” surgiu por parte do público. Porém, essa revolta inicial não prosseguiu, e os números mostraram que muitos clientes estavam dispostos a pagar pelo serviço. No Brasil, a taxa adicional para o compartilhamento de contas é de R$ 12,90 em cima do valor da assinatura.

O que antes era uma prática comum de dividir contas de streaming se tornou um desafio, uma vez que a empresa líder de mercado anunciou que somente pessoas que vivem na mesma residência podem compartilhar uma única assinatura. Tanto dados de mercado quanto entrevistas conduzidas pelo Opinion Box corroboram essa tendência. 

Foto: Shutterstock.com

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