Canetas emagrecedoras aumentam a busca do consumidor por academias

Fonte: Bianca Alvarenga

A popularização dos medicamentos à base de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, poderá levar entre 3,3 milhões e 4,5 milhões de novos alunos às academias brasileiras até 2030, segundo estudo da Panobianco Academia. Os dados vão de encontro a um receio que o setor tinha: o de as chamadas “canetas emagrecedoras” reduzirem a procura por exercícios.

Segundo o levantamento, o avanço no uso desses medicamentos está criando um novo perfil de consumidor e promovendo a busca por treinos de força, avaliações físicas e acompanhamento profissional. A estimativa é que essa procura aumente em até 30% a base atual do mercado fitness brasileiro.

Desenvolvido com base dados de instituições como Morgan Stanley, UBS, Vigitel, IBGE e Health & Fitness Association (HFA), o estudo leva em consideração também as projeções sobre a expansão do uso da semaglutida e da tirzepatida no Brasil. Mas, como explica Felipe Barth de Castro, CEO da Panobianco, a principal diferença foi considerar o comportamento dos usuários de GLP-1 ao longo do tratamento.

“Existe um fator comportamental importante. Muitas pessoas conviviam com uma barreira psicológica para entrar em uma academia, seja por insegurança ou pela dificuldade de emagrecer. Quando o medicamento acelera esse processo, essa barreira diminui e o exercício passa a fazer parte da rotina”, afirma Castro.

O executivo destaca outros dados que evidenciam essa tendência: 70% dos usuários de GLP-1 passam a praticar exercícios regularmente após o início do tratamento, contra 35% antes da medicação.

Segundo Castro, isso acontece porque, à medida que o tratamento avança, cresce também a necessidade de preservar a massa muscular e evitar a sarcopenia por meio da prática de exercícios, especialmente o treino de força.

“O aluno já não procura a academia apenas para emagrecer. Muitas vezes ele já perdeu peso com o apoio do medicamento e agora busca preservar massa muscular, melhorar a composição corporal e manter os resultados conquistados”, explica.

Na avaliação do executivo, esse consumidor chega mais consciente sobre saúde e procura programas estruturados, avaliações físicas periódicas e acompanhamento profissional. O foco deixa de estar exclusivamente a balança e passa a incluir longevidade, funcionalidade e qualidade de vida.

Felipe Barth de Castro, CEO da Panobianco. Foto: Imprensa

Academias devem rever modelo de negócio

Para a Panobianco, essa transformação deve provocar mudanças que vão além do aumento do número de matrículas. A expectativa é que as academias passem a atuar de forma mais integrada à saúde, ampliando investimentos em musculação, personalização do atendimento e acompanhamento da evolução física dos alunos.

“Acreditamos que o impacto vai muito além do aumento do número de alunos. Estamos falando de uma mudança na proposta de valor das academias“, diz Castro.

Essa tendência já começa a ser observada nos Estados Unidos, onde algumas redes estão reduzindo áreas destinadas a equipamentos de cardio para ampliar espaços voltados ao treino de força e ao ganho de massa muscular.

Outro movimento esperado é uma integração maior entre academias e profissionais da saúde, como médicos, nutricionistas e fisioterapeutas, oferecendo um acompanhamento mais completo da jornada do paciente.

Segundo o estudo, o pico desse crescimento deverá ocorrer entre 2028 e 2030, período em que as academias brasileiras poderão receber entre 700 mil e 900 mil novos alunos por ano, diretamente influenciados pelo avanço dos medicamentos GLP-1.

Acessibilidade pode acelerar transformação

A expectativa da rede é que a quebra da patente da semaglutida e a chegada de versões mais acessíveis das canetas emagrecedores ampliem significativamente o acesso aos medicamentos nos próximos anos.

Com isso, a tendência é que mais pessoas iniciem tratamentos para obesidade e, consequentemente, procurem a atividade física como parte da manutenção dos resultados obtidos.

Para atender essa demanda, a Panobianco deve reforçar estratégias que já fazem parte do posicionamento da marca. “Investir em treinamento das equipes, fortalecer a musculação como eixo central da experiência do aluno e ampliar o acompanhamento da evolução física por meio de avaliações e orientação profissional”, enumera Castro.

IA entra na jornada do aluno

Além da transformação impulsionada pelos medicamentos, a Panobianco aposta que a Inteligência Artificial terá papel importante na evolução do setor.

Segundo a empresa, a integração entre IA, dados da operação e informações geradas por wearables permitirá acompanhar com maior precisão a evolução individual de cada aluno, oferecendo recomendações mais personalizadas ao longo da jornada.

“A tecnologia, por si só, não será o diferencial competitivo. O que fará diferença será a capacidade de combinar IA com o conhecimento que a academia tem sobre seus alunos e com a proximidade construída no dia a dia. É essa combinação que permitirá oferecer uma experiência mais completa, aumentando o engajamento, a permanência e os resultados de cada cliente”, afirma.

Na avaliação de Castro, a popularização dos medicamentos à base de GLP-1 não representa o início de um novo ciclo de crescimento nos próximos cinco anos.

“Acreditamos que o setor fitness deixará de ser apenas um espaço para a prática de exercícios e passará a atuar cada vez mais como um ecossistema de saúde, prevenção e bem-estar”, diz. “As academias que conseguirem integrar atendimento humano, tecnologia e personalização estarão mais preparadas para atender esse novo consumidor e capturar o crescimento impulsionado pelo GLP-1”, complementa.

Em paralelo às mudanças no mercado fitness, a Panobianco também avança em sua estratégia de expansão. A rede inaugurou recentemente sua primeira unidade no México, marcando o início da internacionalização da marca. O plano prevê a abertura de 10 academias próprias no país nos próximos 12 meses e a adoção gradual do modelo de franquias, com a meta de alcançar 500 unidades em cinco anos.

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