Sabesp (SBSP3): investidor confere balanço, mas com todos os olhos na privatização

Fonte: Aluisio Alves

A Sabesp (SBSP3) divulga na noite desta quinta-feira (21) o balanço do quarto trimestre de 2023.

A expectativa média do mercado é a de que a companhia paulista de saneamento básico apresente lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, salto de cerca de 76% ante mesma etapa do ano anterior.

Mas os números devem ser ofuscados pelas novidades ligadas ao calendário de privatização da companhia.

Assim, a expectativa do governo paulista é concluir a venda de parte dos 50,3% que detém na empresa até junho.

Ao final do processo, o governo manterá participação de 15% a 30% na empresa, mas mantendo poder de veto em algumas questões.

Em valores atuais, isso poderia resultar numa megaoferta de ações de até R$ 15 bilhões.

O controle deve ser pulverizado no mercado, mas o plano do governado Tarcísio de Freitas é ter um ou dois investidores de referência.

Com capital privado, só em investimentos em universalização do acesso a água potável e esgoto são esperados quase R$ 70 bilhões até 2029.

Grandes expectativas

Dentro e fora da companhia, as expectativas com o processo são superlativas.

Em entrevista pulicada pela Inteligência Financeira em janeiro, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende, disse que a companhia pode ser maior até do que a Eletrobras e se tornar a maior concessionária de saneamento do mundo.

Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP. Foto: Divulgação Governo do Estado

Para efeito de comparação, o valor de mercado atual da Sabesp na bolsa é de cerca de R$ 54 bilhões, pouco mais de metade da Eletrobras (R$ 100 bilhões).

De alguma forma, essa expectativa encontra eco nos analistas.

De um universo de 11 analistas que cobrem o papel, nove têm recomendação de compra, segundo levantamento do Valor.

Isso, mesmo com a ação acumulando alta de cerca de 63% nos últimos 12 meses.

Nesta semana, o Itaú BBA elevou o preço-alvo da ação da Sabesp para o fim de 2024 em cerca de 50%, para R$ 120.

“Vemos espaço para ganhos substanciais de eficiência no futuro”, afirmou o banco.

Calendário

Assim, um passo adiante no calendário de privatização veio nesta semana.

Dessa forma, a prefeitura de São Paulo enviou projeto que permite acordos com a companhia já sob controle privado.

A expectativa é por votação do tema na Câmara Municipal nas próximas semanas.

O movimento é relevante porque sozinha a capital paulista representa cerca de 45% do faturamento da empresa, que tem contrato com 375 municípios.

“No geral, os principais pontos do projeto de lei vieram alinhados com as nossas expectativas”, escreveu o Itaú BBA.

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