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O que deu confiança à Latitud e ao fundador do QuintoAndar para investir na BeConfident – NeoFeed

Fonte: Rodrigo Loureiro

Aos 24 anos, o empresário Robson Amorim poderia facilmente passar por apenas mais um estudante de Stanford que circulava pelo salão de um dos prédios do Google durante os intervalos das palestras do Brazil at Silicon Valley (BSV), evento ocorrido na Califórnia no começo de abril deste ano.

Durante as conversas com outros empresários e investidores, o jovem contava sobre a BeConfident, empresa que criou ao lado de três sócios no ano passado e que usa inteligência artificial para ensinar outro idioma. “Como você aprendeu a falar inglês?”, perguntava ele.

Ensaiado ou não, o discurso de Amorim rendeu frutos nos últimos meses. Entre janeiro e abril deste ano, a BeConfident levantou pouco mais de R$ 2,5 milhões em uma rodada pré-seed. Mais do que o aporte financeiro em si em uma operação recém-nascida, chama a atenção quem está por trás do dinheiro.

A primeira investidora do negócio foi a Latitud. “Não estávamos pretendendo captar naquele momento, mas nossa mentora queria entrar no negócio”, afirma Amorim, em entrevista ao NeoFeed. A mentora, no caso, era Gina Gotthilf, uma das fundadoras da empresa que se define como um ecossistema de inovação.

Antes de criar a Latitud  ao lado de Brian Requarth (ex-Viva Real), Gotthilf foi vice-presidente de marketing e growth no Duolingo e escalou a plataforma de idiomas de 3 milhões para 300 milhões de usuários. “Não havia ninguém melhor do que ela para nos ajudar”, afirma Amorim.

A entrada da Latitud na operação pavimentou o caminho para que a BeConfident ganhasse confiança para ir atrás de novos investidores. Em um intervalo de menos de três meses, a edtech trouxe um time de mais de 20 investidores-anjo de peso para o negócio.

Entre eles estão fundadores de startups endinheiradas como André Penha (QuintoAndar), Benjamin Gleason (Kamino), Mario Sá (NG.Cash), Parker Treacy (Cobli) e Matheus Goyas (Trybe).

Empresários que já venderam seus negócios, como David Gobaud (Passfolio), Rodrigo Terron (RocketSeat) e Rodrigo Salvador (Passei Direto), também compraram ações na startup que tem sede em São Paulo.

Para levantar o capital, Amorim afirma que diluiu a participação da companhia entre 7% e 8%. Segundo ele, o negócio foi avaliado em US$ 8 milhões, já faturou cerca de R$ 2,5 milhões e cresce 10% por semana. “Somos profitable desde o primeiro dia”, afirma. “Vamos crescer com o próprio caixa.”

O modelo de negócio se baseia na venda do acesso ao tutor de inteligência artificial, que pode ser acessado por chamadas de voz e vídeo via WhatsApp e, em breve, pelo aplicativo próprio da companhia (que está em desenvolvimento). O plano anual custa R$ 800.

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Robson Amorim, cofundador e CEO da BeConfident

Em vez de passar lições ou fazer a repetição de frases, o tutor de IA da BeConfident tenta manter uma conversa sobre temas cotidianos do aluno. A ideia é que ele armazene informações para conversas futuras. “Ele não vai ser apenas o professor do estudante, mas o melhor amigo”, diz Amorim.

A iniciativa de criar um tutor dessa forma veio a partir das experiências dos fundadores para tentar aprender inglês. Amorim criou a companhia ao lado dos amigos Luan Oliveira Cavallaro, Felipe Oliveira Silva e Felipe Tiozo, que se conhecem desde os 10 anos de idade de competições de robótica no Brasil e no exterior.

“Começamos a perder muitas oportunidades por conta do idioma e fomos estudar”, afirma Amorim. “O que a gente percebeu é que você aprendia mesmo conversando, seja no bar ou no parque. É preciso ter acesso aos nativos para você se tornar fluente.”

O problema é que fazer essa imersão exige um intercâmbio, o que pode ser muito caro para a maioria das pessoas. A possibilidade mais em conta são as plataformas de ensino a distância. A concorrente Cambly, porém, cobra R$ 99 por mês para 30 minutos de aula particular por semana com nativos.

Amorim afirma que a empresa quer quadruplicar sua base de usuários neste ano e pretende, a partir de 2025, incluir o ensino de novos idiomas na plataforma. “Primeiro vamos ensinar inglês para quem fala outra língua além do português. Depois vamos abrir para os outros idiomas”, diz o cofundador.

Para avançar nesta estratégia, a companhia pretende levantar uma rodada seed no fim de 2023. As negociações devem começar somente a partir do segundo semestre.

Além do capital já conquistado com os investidores, a BeConfident engordou ainda mais seu caixa ao ganhar uma premiação de R$ 100 mil na HackBrazil. A competição de startups foi promovida pela Universidade de Harvard e pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) durante o Brazil Conference, evento que também aconteceu no começo de abril, em Boston, nos Estados Unidos.

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