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Interrupções de contêiners no Mar Vermelho vão pesar no bolso do brasileiro? Entenda – Money Times

Fonte: Giovanna Castro
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Entre as consequências dos entraves no Mar Vermelho, estão o aumento do frete marítimo e aumento do tempo das rotas (Imagem: Reuters/Fabian Bimmer)

Nesta segunda-feira (06), a Maersk anunciou que as interrupções no transporte de contêineres na região do Mar Vermelho estão aumentando, um problema que deve continuar até o final do ano e que influencia também o Brasil.

Segundo a empresa, os ataques do grupo Houthi no Mar Vermelho, afetando o Canal de Suez, elevou fretes, com tempos de viagem maiores, e gastos de combustível por viagem.

Além dos gargalos no Canal de Suez, as secas observadas no Canal do Panamá, influenciadas pelo El Niño, também afetaram o trânsito pelo local.

Conflitos no Mar Vermelho afetam fretes marítimos

Marcio Dias, diretor comercial (CCO) da Craft, multinacional brasileira especializada em transporte internacional, explica que o Canal de Suez é responsável por cerca de 2% do tráfego marítimo mundial, sendo uma rota crucial para navios que viajam entre a Europa e a Ásia, por encurtar as distâncias durante a viagem.

Ele também cita dados do Datamar, consultoria de inteligência de dados de comércio marítimo, que apontam o fato de cerca de 9% de toda a carga brasileira de contêineres utilizarem o Canal de Suez.

Já o Canal do Panamá realiza o tráfego entre a costa leste dos Estados Unidos (EUA) e a costa oeste da América do Sul.

Jackson Campos, diretor de relações institucionais da AGL Cargo, complementa que ambos os canais são utilizados por navios, não necessariamente brasileiros, que vem para o Brasil ou conectam carga com o país.

“Na maioria das vezes, os navios brasileiros estão fazendo cabotagem na nossa costa”, afirma.

Fernando Blasi, gerente de importação FCL da Craft, afirma que as obstruções podem ter impactos indiretos na economia brasileira.

“Os dois canais são importantes para o transporte marítimo global, e as interrupções podem afetar de maneira significativa o fluxo de mercadorias e o custo do transporte, resultando naturalmente em elevação nos preços dos produtos importados e exportados pelo Brasil”, afirma Blasi.

Ele afirma que a mudança de rota causada pelos ataques do grupo iemenita no Mar Vermelho, fazendo com que navios precisassem contornar o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, aumentou o tempo de viagens em 15 dias, afetando também os fretes marítimos, que tiveram um aumento de até 60% na rota.

“Embora o Brasil não seja diretamente afetado, uma interrupção prolongada poderia levar a aumentos nos custos de transporte e atrasos nas entregas de produtos importados e exportados, o que poderia ter impactos na economia brasileira”, complementa.

Ele finaliza afirmando que o Brasil possui diversas rotas alternativas para o comércio internacional, com os impactos das obstruções dependendo de inúmeros fatores, desde a duração da interrupção até questões econômicas.

Jackson também cita a geração de custos extras para os navios parados, que aguardam para atracar nos portos, incluindo despesas com combustível e pessoal.

Entre outras consequências para os navios, Marcio Dias cita o acionamento de seguros para cobrir custos associados a atrasos e interrupções causados por obstruções, “o que pode resultar em aumentos nos prêmios de seguro no futuro”.

Soja e milho estão entre os produtos que passam pelas localidades

Sobre os produtos brasileiros que transitam pelas localidades, o diretor de RI da AGL Cargo afirma que são itens essenciais.

“No Canal de Suez, por exemplo, todos os produtos importados e exportados da Índia passam por lá, assim como as transações para o Oriente Médio, tanto na importação quanto na exportação”, afirma.

Já sobre o Canal do Panamá, ele complementa que muitos produtos que passam pela América do Sul e pelo Caribe são afetados, como tecidos, carnes, peixes, entre outros.

Marcio arremata com outros produtos, como grãos e alimentos, citando, entre outros, soja, milho e café, minérios e produtos manufaturados.

Para mitigar os impactos negativos, Dias reitera a necessidade de planejar com antecedência as rotas de transporte e operações logísticas.

Além disso, diversificação de rotas de transporte, uso de tecnologias que permitam a melhor coordenação de operações em caso de interrupções e contratos de transporte mais flexíveis, que permitem ajustes em operações, também ajudam a lidar com entraves.

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