Dono da marca precisou lidar com falta de estoque, excesso de trabalho e dificuldades na gestão após o sucesso repentino do negócio

Antes mesmo de abrir as portas, a loja de cookies de Pedro Palma, a Cuki, já chamava atenção nas redes sociais. Ao transformar a reforma do ponto comercial em conteúdo de vídeos, o empreendedor criou expectativa entre os seguidores e viralizou. O resultado foi imediato: em apenas dois dias de funcionamento, o estoque preparado para durar duas semanas acabou.
O sucesso, porém, trouxe um desafio comum a muitos pequenos negócios: como deixar de ser apenas um bom produtor para se tornar, de fato, um empresário.
Palma decidiu apostar em um espaço em uma galeria fechada no centro de São Paulo por enxergar uma oportunidade. “Eu vi um lugar barato e algo que não tinha aqui. Confiei no produto e achei que uma loja de cookies faria sentido”, conta.
A estratégia de marketing começou antes da inauguração, em abril deste ano. O empreendedor publicou diariamente o andamento da obra nas redes sociais, criando uma espécie de “novela” acompanhada por milhares de pessoas. Quando a loja abriu, a demanda superou as expectativas. Ainda hoje Palma compartilha sua rotina nas contas da Cuki em mini-vlogs chamados “Diário da Cuki”.
O sucesso foi tamanho que resultou em filas quilométricas para garantir um cookie da marca, porém a estrutura do negócio ainda não estava preparada para atender o volume de clientes e as centenas de mensagens acumuladas nos aplicativos.
Para dar conta da operação, Palma assumiu praticamente todas as funções da empresa. Trabalha cerca de 16 horas por dia, prepara as massas, assa os cookies, lava louça, faz limpeza e ainda tenta atender clientes. A rotina operacional, no entanto, impede que ele dedique tempo ao planejamento do negócio. “Eu não consigo parar para pensar como empresário se sei que no dia seguinte não vou ter cookie para vender”, afirma.
Além da sobrecarga, o espaço físico pequeno também dificulta a produção. A cozinha funciona em dois andares, obrigando funcionários a subir e descer constantemente com ingredientes, bandejas e embalagens, o que reduz a produtividade.
Outro ponto identificado é a falta de padronização dos processos. Equipamentos, como a batedeira, precisam ser lavados diversas vezes ao dia porque a produção não segue uma sequência organizada, gerando desperdício de tempo.
Os desafios também aparecem na gestão financeira. Como a empresa ainda é recente, Palma utiliza até o cartão de crédito do pai para comprar insumos, misturando recursos pessoais com os da empresa.
Apesar de ter faturado cerca de R$ 110 mil no primeiro mês, o empreendedor admite que ainda não sabe exatamente qual foi o lucro do negócio, por precisar lidar com diversos âmbitos da empresa e ela ainda ser muito recente.
Próximo passo é transformar conhecimento em processo
Para sustentar o crescimento, Palma começou a investir na profissionalização da operação. Comprou uma batedeira mais potente e iniciou o treinamento de novos funcionários. Agora, o objetivo é estruturar processos para que a empresa não dependa exclusivamente do seu trabalho.
Com uma marca já conhecida pelo público e demanda crescente, o empreendedor acredita que o próximo desafio será transformar o sucesso inicial em um crescimento sustentável.
Confira a reportagem completa que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Globo:
Quando vender demais vira problema: os desafios de uma loja de cookies que viralizou







