Joan Monfort construiu um negócio de fotografia freelancer especializada em futebol, coleciona prêmios e hoje atende clientes diversos. Em entrevistas, ele contou bastidores da foto icônica

Quando Joan Monfort fotografou Lionel Messi dando banho em um bebê durante um ensaio beneficente do Barcelona, em 2007, a cena era apenas mais um trabalho na agenda. Como fotógrafo especializado na cobertura do clube catalão e colaborador frequente da Associated Press e do jornal Sport, ele já estava acostumado a registrar jogadores, treinos e ações institucionais. Nada indicava que aquele clique se transformaria, quase duas décadas depois, em uma das imagens mais reproduzidas do futebol mundial. Na final deste domingo (19), os protagonistas daquela foto estarão frente a frente: Messi, pela Argentina, e Lamine Yamal, pela Espanha.
Na época, o ensaio fazia parte de um calendário beneficente organizado pelo jornal esportivo Sport, pela Fundação Barça e pela UNICEF. Famílias de bairros populares de Barcelona participaram de um sorteio, e a de Yamal foi uma das escolhidas. Messi, então com 19 anos, posou ao lado do bebê, que tinha poucos meses de vida. A foto foi publicada apenas no calendário e acabou esquecida no acervo de Monfort. Só voltou a circular em julho de 2024, quando o pai de Yamal compartilhou a imagem nas redes sociais e ela viralizou.
Um dos bastidores mais curiosos é que o maior desafio daquele dia não era fotografar o bebê, mas o próprio Messi. Em entrevista à Associated Press, Monfort contou que o argentino era extremamente tímido e nunca havia segurado uma criança. “Ele nem sabia como pegar o bebê”, relembrou o fotógrafo, que precisou orientá-lo durante toda a sessão.
A improvisação também fez parte da produção. Para deixar Yamal confortável, Monfort levou objetos da própria filha: uma banheirinha, uma toalha e um patinho de borracha. Sem imaginar, esses itens acabaram compondo uma fotografia que hoje faz parte da memória recente do futebol.
Embora tenha ganhado projeção mundial por causa da imagem de Messi e Yamal, Monfort construiu sua carreira muito antes dela. Como fotógrafo freelancer, atua há décadas cobrindo esportes e grandes eventos, licenciando imagens para veículos internacionais e desenvolvendo trabalhos para clubes e organizações.
Monfort construiu um negócio como fotógrafo freelancer com atuação em diferentes áreas da fotografia. Formado pela escola Gris Art, em Barcelona, especializou-se em fotojornalismo e, desde 1990, passou por veículos como Mundo Deportivo, Sport e Eco, cobrindo grandes eventos. Ao longo da trajetória, também trabalhou com fotografia artística, publicitária e de arquitetura.
Em 2006, recebeu o Prêmio de Jornalismo Esportivo da Catalunha por um trabalho sobre solidariedade e integração com jogadores do Barcelona. Atualmente, divide a rotina entre colaborações para a Associated Press, a montadora Seat e o Banco Santander, além de desenvolver projetos de ensaios fotográficos profissionais e fotografia de moda.
Ele admite que nunca imaginou que aquele clique de 2007 teria importância. Em entrevistas após a viralização da imagem – que hoje é a mais valiosa de seu acervo – , disse que praticamente havia esquecido a fotografia e que jamais pensou que o bebê voltaria aos holofotes como um dos principais jogadores do mundo.
A história também mudou sua forma de enxergar o acaso. “Nunca fui uma pessoa religiosa, mas começo a achar que existe algo além da nossa compreensão. Não saberia dizer o que é nem de onde vem, mas alguma coisa precisa existir, porque tudo isso se encaixou de uma forma mágica e perfeita. E agora ver os dois em uma final de Copa do Mundo, um aos 39 anos e o outro aos 19, é como colocar um laço nessa história e fechar o ciclo”, afirmou à Fifa.







