Pesquisa internacional mostra que reservar tempo para metas pessoais após o expediente melhora o bem-estar. Psicóloga detalha impactos do excesso de trabalho e dá estratégias práticas para se desligar

Quase três em cada quatro profissionais admitem que não conseguem parar de pensar em temas relacionados ao trabalho depois do expediente. Um estudo da Universidade de Buffalo (UB), nos Estados Unidos, publicado no Journal of Applied Psychology e destacado pela Newsweek, analisou mais de 1,2 mil participantes para investigar se reservar alguns minutos à noite para refletir sobre objetivos pessoais — como cuidar da saúde, dedicar tempo a hobbies ou estar com a família — poderia reduzir o estresse e melhorar o bem-estar.
“Muitos admitem que ter pensamentos automáticos e intrusivos durante o tempo de lazer é o maior problema”, disse à Newsweek Min-Hsuan Tu, professor associado de organização e recursos humanos. “Quando os funcionários não conseguem se desligar, o estresse do dia de trabalho invade suas noites, drena sua energia, prejudica relacionamentos e até afeta sua saúde.” O estudo mostrou que, para a maioria, a prática foi eficaz, melhorando energia, humor e indicadores físicos e sociais.
Para a psicóloga Monica Santos de Godoy, especialista em recursos humanos, o impacto de não se desligar do trabalho é significativo. “O excesso de trabalho e a dificuldade de se desligar mentalmente das atividades profissionais podem gerar impactos na saúde física, mental e social, como ansiedade, insônia e queda de desempenho”, afirma. Ela explica que práticas noturnas focadas em metas pessoais ajudam a reduzir a ruminação mental e fortalecem o senso de propósito, favorecendo descanso e equilíbrio emocional.
O estudo da UB mostrou que workaholics têm dificuldades extras para se desconectar. Godoy complementa: “Isso acontece porque a identidade dessas pessoas está ligada à produtividade, e o reconhecimento externo reforça esse comportamento, criando um ciclo de dependência emocional do trabalho.”
Além da reflexão sobre metas pessoais, Godoy recomenda estratégias como atenção plena, escrita terapêutica, atividades relaxantes e imposição de limites para tecnologia. “Essas pequenas ações ajudam a reduzir a ativação cognitiva excessiva e criam um espaço interno mais propício ao descanso. A psicoterapia também pode contribuir muito”, conclui.





