A Copa do Mundo de 2026 se tornou a maior da história, reunindo 48 seleções em 104 jogos espalhados por três países da América do Norte ao longo de 39 dias. Para aproveitar o fluxo bilionário de torcedores e marcas, os organizadores decidiram se inspirar no modelo de entretenimento norte-americano, confirmando um show do intervalo na final, com atrações como Madonna, Shakira, BTS e Justin Bieber.
Essa movimentação dos bastidores traz lições valiosas para empreendedores que buscam destacar seus negócios no mercado atual, mostrando que o sucesso de uma campanha depende muito mais de estratégia e criatividade do que do tamanho do orçamento.
Em uma análise feita no site da revista Inc., Pam Didner, consultora de marketing B2B e estrategista de inteligência artificial aponta que o maior evento de futebol do planeta virou uma grande vitrine de estratégias de negócios aplicáveis a qualquer tamanho de empresa.
A primeira grande lição envolve os investimentos em patrocínios. A Adidas é a parceira oficial da Fifa desde 1970, mas divide os holofotes constantemente com a Nike, que nunca patrocinou o torneio oficialmente. A concorrente consegue o mesmo impacto criando narrativas fortes e parcerias diretas com atletas.
De acordo com Didner, o investimento financeiro é apenas o ponto de partida, e não a linha de chegada de uma marca. Para os pequenos negócios que compram um estande em uma feira regional, por exemplo, a provocação é pensar no que fazer além de apenas expor o logotipo para atrair a atenção do público.
Atenção hoje não garante vendas amanhã
O marketing de oportunidade ou de emboscada costuma gerar picos rápidos de visibilidade, mas que nem sempre se sustentam. Um caso emblemático lembrado pela consultora ocorreu na África do Sul, em 2010, quando a cervejaria Bavaria vestiu 36 mulheres de laranja para assistir a uma partida. A ação gerou cerca de US$ 30 milhões (R$ 154,2 milhões) em publicidade gratuita e aumentou as vendas imediatas em 41%, mas não se traduziu em um crescimento sustentável de longo prazo.
Em contrapartida, marcas que apostam em experiências práticas colhem melhores resultados. Na atual edição da Copa, a loja de casa e construção Home Depot preferiu criar zonas de entretenimento para os torcedores colocarem a mão na massa em cidades-sede como Atlanta e Toronto. Essa abordagem é escalável e pode ser replicada nas lojas da rede mesmo após o encerramento do torneio esportivo.
Os riscos do crescimento acelerado
A expansão do torneio para 48 seleções garante mais países acompanhando as transmissões e consumindo produtos, mas Didner alerta para o risco da fadiga do consumidor e do aumento da complexidade operacional. No mundo corporativo, expandir canais e regiões exige recursos proporcionais. Conforme informou a especialista à publicação, o crescimento que uma empresa não consegue sustentar operacionalmente acaba virando apenas um ruído muito caro.
Outro acerto apontado na organização do torneio foi a escolha de três mascotes diferentes: um alce para o Canadá, uma onça-pintada para o México e uma águia para os Estados Unidos. A estratégia reflete a importância de manter uma marca global com forte conexão local, adaptando a mensagem e o posicionamento para a cultura de cada região.
A grande lição da competição é que o placar dos negócios é transparente e as marcas mais lembradas nem sempre são as que gastaram mais, mas as que souberam contar boas histórias. Diante disso, Didner deixa um conselho final aos profissionais de marketing e empreendedores:
“Pegue emprestada a lição que melhor se encaixa na sua próxima campanha e adapte-a ao orçamento disponível. Depois, conduza-a como se só tivesse um torneio — porque, na maioria dos trimestres, é basicamente isso que acontece.”







