Como um brechó de óculos transformou estoque parado de ótica em negócio de R$ 80 mil por mês

Fonte: Redação

O mercado da moda circular costuma ser associado a roupas e móveis, mas o empreendedor Mayton Campelo, encontrou uma oportunidade de negócio focada exclusivamente nos acessórios para os olhos. Ele criou em Brasília (DF) o Brechó do Óculos, um brechó especializado em armações antigas e fora de linha.

O negócio começou de forma despretensiosa em feiras locais, utilizando o estoque parado da empresa de seus pais. Hoje, a marca fatura R$ 80 mil por mês, conta com uma loja física que também funciona como ótica tradicional, operação de e-commerce e presença em 20 pontos de venda parceiros, incluindo unidades em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e uma operação internacional em Portugal.

Campelo cresceu no ambiente de balcão, exames de grau e vitrines. Seus pais eram proprietários de uma ótica tradicional na capital federal, um ambiente que lhe deu a base técnica sobre o setor, mas que também revelou um problema comum do varejo: o encalhe de mercadorias. “Minha mãe sempre foi meio compulsiva em compras. Por um lado, nasceu o meu negócio, mas por outro lado, são mercadorias que estão ali paradas, que não estão rodando e que não estão gerando dinheiro”, afirma Campelo.

Em vez de liquidar as peças de forma convencional, o empreendedor enxergou valor estético nos modelos acumulados de décadas passadas. A estratégia inicial foi testar a aceitação do público levando esses óculos para feirinhas de brechó. A resposta positiva dos consumidores impulsionou a expansão do canal de vendas para o ambiente digital, com a criação de um e-commerce próprio. Em seguida, Campelo adotou o modelo de lojas colaborativas para ganhar escala nacional e internacional. “A empresa cresceu bastante, mas foi isso, foi crescimento de degrau em degrau”, relembra.

À medida que o acervo herdado da família começou a diminuir, Campelo precisou profissionalizar o processo de captação de insumos. Ele passou a viajar com frequência para realizar garimpos de lotes antigos e peças vintage que carregavam valor histórico. Para sinalizar a exclusividade aos clientes, a empresa adota o cuidado de colocar pequenas bandeiras nas armações indicando o país ou a região de origem de onde foram trazidas.

O processo de curadoria vai muito além da compra. Como se trata de um mercado de peças usadas ou de estoques antigos de fábrica (conhecidos no jargão comercial como deadstock), os produtos passam por uma linha de restauração antes de irem para a área de vendas.

“Tem algumas peças que chegam excelentes, a gente só dá uma lavada. Mas tem algumas peças que precisam mais de cuidado. Se o óculos quebrou, a gente faz uma soldazinha para tentar recuperar ele também”, explica Campelo. O catálogo atual reúne cerca de 4 mil peças que atravessam estilos das décadas de 1960 a 2000.

Essa especificidade atraiu um público consumidor que ultrapassa o cliente comum do varejo de bairro. O brechó atende desde colecionadores de peças retrô, compradores de modelos esportivos e infantis até profissionais do mercado audiovisual, que utilizam o acervo para a composição de figurinos de época em produções de cinema, televisão e publicidade. Celebridades e influenciadores de moda, como Pabllo Vittar, Rainer Cadete, Gloria Groove e Camila Coutinho, também passaram a consumir os modelos da marca.

Apesar da forte presença em canais multimarcas e no digital, o principal motor financeiro do negócio continua sendo a sede física, localizada em Brasília. O espaço foi estruturado para funcionar não apenas como um acervo de moda, mas também como uma ótica convencional, oferecendo o serviço de laboratório para a confecção e a colocação de lentes de grau nas armações garimpadas. É essa venda casada que eleva o tíquete médio da empresa. “O faturamento maior chega da loja física, com certeza, porque aqui também a gente faz o serviço de lentes. A gente faz lentes mais caras, tem óculos mais caros também. Acaba que aqui a gente tem as preciosidades”, diz Campelo.

O empreendedor destaca que o maior desafio do modelo está na percepção de valor por parte do consumidor, que muitas vezes confunde o conceito de brechó com o de produtos de baixa qualidade ou obsoletos. “Muita gente não entende. Vê um óculos aqui que um novo custaria R$ 3 mil, mas a gente vendendo por R$ 500 acha caro. E é uma peça de qualidade, com as lentes de qualidade. Então tem toda a questão do garimpo”, pontua.

Para quem pretende ingressar no mercado de revenda e economia circular, Campelo aponta que a margem de lucro atrativa depende diretamente da capacidade técnica de curadoria e do entendimento das tendências de comportamento do consumidor. “Vale a pena trabalhar com brechó? Com certeza. São peças que você tem um custo baixo, mas se você tiver um olhar de moda, de fashion, de tendência, você consegue montar uma coleção ali e fazer um bom dinheiro vendendo peças que você pagou baratinho”, conclui.

Veja a seguir a reportagem completa, que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo:

Conheça o empreendedor que transformou óculos esquecidos em um negócio de R$ 80 mil por mês

Conheça o empreendedor que transformou óculos esquecidos em um negócio de R$ 80 mil por mês

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