Investidores apontam no que a IA ainda não substituiu os empreendedores

Fonte: Redação

Em meio às discussões sobre como a inteligência artificial pode otimizar funções e trazer mais eficiência, o tópico sobre a substituição dos humanos pela tecnologia é recorrente. Apesar de todos os avanços, investidores de venture capital declaram que a IA não poderá tomar o lugar dos empreendedores em funções essenciais, como contratação de time e vendas.

Durante o painel “Construindo o product market fit na era da IA”, realizado nesta quarta-feira (25/3) na quinta edição do South Summit Brazil, em Porto Alegre (RS), Larissa Bomfim, managing partner da Canastra Ventures, e Marcelo Ciampolini, sócio da Antler Brasil, debateram sobre como a IA mudou o jogo para as startups: em um cenário onde os diferenciais tecnológicos são cada vez menores, o olhar deles está se voltando para as habilidades humanas.

Os investidores apontam que a tecnologia acelerou o desenvolvimento de produtos e a validação das soluções, mas a decisão pela compra de tecnologia ainda passa pelo crivo de humanos e, por isso, a parte de vendas ainda é muito relacional.

Startups:

“A IA não vai vender por você. A parte relacional, de estar na ponta e entender o processo de venda, não é algo que eu vejo a IA fazendo a curto prazo. Mais do que nunca, o founder é a cara da empresa e garante o sucesso ou fracasso da venda”, afirmou Ciampolini.

Como as ferramentas de inteligência artificial absorvem muitas tarefas e permitem uma hiperprodutividade dos fundadores, destacam-se aqueles que estão em contato com os clientes para recalcular a rota do modelo de negócio, quando necessário, ou encontrar novas dores para solucionar. “Buscamos a ousadia de pegar os processos, refazer, ser mais provocativo. O brilho no olho, a atitude de paixão e o propósito que só os empreendedores têm”, declara Bomfim.

Os investidores alertam que, neste momento, muitas empresas estão correndo atrás de ferramentas de IA, o que pode gerar uma falsa sensação de product market fit. A sugestão é aguardar alguns meses, porque as soluções podem não ter aderência no dia a dia, refletindo em uma alta taxa de cancelamentos.

“Não existe mais espaço para founder meio rápido, que não está executando, mostrando, provando. Ganha mais importância quem tem profundidade no mercado que ataca, que vive aquele problema de alguma maneira”, opina Ciampolini.

Para lidar com a pressão por novidades e com a velocidade com que as mudanças estão acontecendo, Bomfim sugere aprender a silenciar o ruído. “Foque no seu core, no seu cliente e seja obstinado pela dor que pretende solucionar”, finaliza.

*A repórter viajou a convite do Instituto Caldeira.

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