Influenciadoras são expulsas da Bienal do Livro de SP por fazerem distribuição de livros e caso viraliza: ‘Humilhante’

Fonte: Redação

As influenciadoras literárias Luana (@marilureads) e Mari (@meucapitulo42) compartilharam um vídeo nas redes sociais onde relatam terem sido expulsas da Bienal do Livro de São Paulo 2026 enquanto gravavam uma dinâmica que presenteava o público com livros e marca-páginas. O caso aconteceu no último sábado (12/9), penúltimo dia de evento.

“Fomos expulsas da Bienal do Livro, vocês acreditam?”, começa Luana na filmagem publicada no domingo (13/9). O post acumula 608 mil visualizações e 1.280 comentários.

Luana explica que estava gravando a dinâmica quando duas seguranças do evento se aproximaram de Mari e de uma amiga dela pedindo para que elas se retirassem do local. “As seguranças perguntaram se a gente estava distribuindo livros e marca-páginas e eu falei que sim, que era uma dinâmica”, diz Mari.

A criadora de conteúdo relata que as funcionárias da feira pediram que elas recolhessem todos os seus pertences, incluindo os livros, e as acompanhassem até o CAEX, o Centro de Atendimento ao Expositor.

“A gente parecia delinquente, recolhendo como se tivesse roubado. Foi muito humilhante, todo mundo parou para ver”, desabafou Mari. Ela contou que, chegando no CAEX, a funcionária explicou que não era permitido fazer distribuição de livros gratuitos ou de marca-páginas fora dos estandes da Bienal ou sem autorização.

No vídeo, Luana aparece argumentando com uma colaboradora do CAEX: “Vim aqui todo dia, eu já fiz várias dinâmicas e nunca falaram nada pra mim”. Ela ainda escreveu na legenda do post que os livros foram fornecidos por uma editora (não revelada) e que ela não teve nenhuma orientação sobre a regra do evento.

A funcionária teria explicado que as editoras sabem que teriam que pagar a mais para divulgações fora do estande e usam as influenciadoras, mesmo cientes de que é errado. A influenciadora ainda aparece questionando se a fiscalização é diária e o tom da abordagem.

Ao fim do vídeo, um texto diz que as influenciadoras confirmaram a existência da regra no site da Bienal. “Obviamente se soubéssemos jamais faríamos algo, e acredito que outros influenciadores também”, esclarece Luana. “A questão é que essa regra deveria ter sido aplicada desde o primeiro dia, e não só para uma pessoa ou outra, e sim para todos. Não era difícil andar 5 minutos lá e ver outras pessoas na mesma situação. Em todos os outros dias/anos fingiram que não viram?”, questionou.

Ela ainda explicou que o corredor onde estava gravando o vídeo estava quase vazio, e por isso, não acredita que algum expositor possa ter reclamado.

Ainda no domingo (13/9), Luana voltou a falar sobre a situação por meio de postagens nos stories de seu Instagram, ressaltando, novamente, que ela e Mari não estavam “questionando as regras do evento”. A indagação seria a respeito da fiscalização, considerada seletiva.

Segundo as influenciadoras, no dia do incidente, outras três pessoas também teriam passado pela mesma situação.

Nos stories do Instagram, Luana ressaltou que não questiona as regras da feira, apenas a falta de fiscalização diária — Foto: @marilureads/Instagram/Reprodução
Nos stories do Instagram, Luana ressaltou que não questiona as regras da feira, apenas a falta de fiscalização diária — Foto: @marilureads/Instagram/Reprodução

O que diz o site da Bienal do Livro?

No site oficial do evento, na aba A Bienal do Livro SP e em Informações e políticas de seguranca, proteção e bem-estar, estão listadas 16 “Atividades Proibidas”. Entre elas, uma que diz respeito à distribuição de livros e marca-páginas, e outra às dinâmicas com fins comerciais sem autorização. Segundo o texto, estão proibidos:

  • distribuir materiais impressos ou gravados de qualquer tipo, a menos que a aprovação prévia por escrito tenha sido obtida da administração;
  • vender produtos ou serviços, exibir produtos ou serviços, fazer solicitações de qualquer tipo ou realizar qualquer atividade comercial sem a aprovação prévia por escrito da administração.

O site também inclui um extenso código de conduta e procedimentos solicitados aos participantes para garantir a segurança de todos, como o uso constante do crachá de identificação. As informações presentes na página constam como atualizadas em 11 de julho de 2023.

Procurada por PEGN, a Bienal do Livro de São Paulo diz que “para garantir uma experiência positiva, organizada e segura para todos, o evento conta com regras gerais de participação e circulação, aplicáveis às diferentes atividades realizadas em seus espaços”.

O evento destaca que valoriza iniciativas que “aproximem os leitores dos livros e estimulem a leitura” e salienta que, “sempre que necessário, a organização orienta participantes e visitantes para que as ações realizadas estejam alinhadas às regras e à dinâmica do evento”.

A organização não respondeu às questões da reportagem quanto a abordagem da fiscalização durante o evento ou o caso das influenciadoras especificamente.

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