iFood aciona o Cade contra a Keeta por ‘práticas predatórias’

Fonte: Redação

Plataforma de delivery brasileira afirma que a concorrente chinesa opera com lucro negativo por pedido como tática para crescer no país

iFood protocolou um pedido de abertura de processo administrativo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Keeta por práticas predatórias no mercado
iFood protocolou um pedido de abertura de processo administrativo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Keeta por práticas predatórias no mercado — Foto: GettyImages/Divulgação

O iFood protocolou um pedido de abertura de processo administrativo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Keeta por práticas predatórias no mercado – de acordo com a plataforma brasileira, a gigante chinesa opera com lucro negativo por pedido, subsidiando o funcionamento no país com capital da matriz. O iFood também solicitou uma medida preventiva de cessação imediata das práticas de precificação abaixo do custo.

Para entrar com o processo, o iFood se baseou no artigo 36 da Lei 12.529/2011, que enquadra como infração a tentativa de dominar mercado e a prestação de serviços abaixo do custo para eliminar concorrentes. Apesar de a Keeta não ter posição dominante no segmento de delivery no Brasil – estimativas apontam que o iFood detém 80% do market-share –, a plataforma brasileira defende que a empresa chinesa tem capacidade financeira superior à dos concorrentes.

Uma análise econômica feita pela Compass Lexecon aponta que a Keeta opera com perda relevante por pedido. “No Brasil, cupons de até R$ 250 e descontos de até 80% aumentam a frequência de pedidos sem elevar o gasto efetivo do consumidor, enquanto restaurantes investem em capacidade para atender uma demanda em parte artificial”, diz o comunicado do iFood.

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Em nota à imprensa, o iFood declarou que a urgência da medida preventiva é necessária pelo “padrão documentado nos mercados onde o mesmo modelo foi aplicado”, gerando a saída de concorrentes. Como exemplo, o unicórnio citou exemplos de Hong Kong, onde a Keeta teria consolidado mais de 50% do mercado e, após a saída da Deliveroo, teria aumentado a comissão de restaurantes de 15% para 30% a 35% em menos de um ano.

“O Brasil tem a oportunidade de agir antes que o dano se consolide. Em todos os mercados onde esse ciclo se completou, a janela de intervenção foi estreita. O Cade tem a base legal, o diagnóstico do seu próprio Departamento de Estudos Econômicos e os precedentes internacionais que justificam a intervenção imediata. O que o iFood pede é que o regulador garanta que a concorrência no delivery brasileiro seja disputada em condições iguais para todos”, afirmou Lucas Pittioni, vice-presidente jurídico do iFood, em comunicado.

Procurada por PEGN, a Keeta afirmou que não foi notificada sobre a ação e está disposta a fornecer todas as informações necessárias. A empresa chinesa declarou que o iFood tem medo da livre concorrência e que a nova ação é uma “clara estratégia monopolista para tentar desviar a atenção das autoridades da investigação à qual foram alvo, descumprindo o acordo que assinaram com o Cade em relação às exclusividades que prejudicam gravemente o mercado”.

A empresa chinesa se defendeu das acusações, dizendo que entrou recentemente no Brasil, que define como “marcado por cláusulas de exclusividade e banimento”, e utiliza cupons para “incentivar a experimentação inicial” do seu serviço. A Keeta apontou que a prática é comum no mercado e adotada por “todos os players”, citando que o iFood vende cupons para assinantes do Clube iFood.

Na chamada Guerra do Delivery, a briga entre as plataformas teve outros capítulos. Em maio, o iFood entrou com uma ação na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de São Paulo contra a Keeta. A empresa brasileira acusou a chinesa de atos de concorrência desleal, como espionagem, e requisitou o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais, além de solicitar que os contatos em busca de informações sigilosas cessem, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

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