Para Evan Goldberg, desafio é garantir que tecnologia tenha o contexto adequado para fornecer soluções úteis para o negócio

Mais empreendedores estão usando inteligência artificial em seus negócios, mas a adoção ainda tem gargalos. Para Evan Goldberg, fundador e vice-presidente executivo da Oracle Netsuite, sistema de gestão empresarial (ERP) em nuvem, a confiança na tecnologia pode ser um impeditivo.
“Um dos desafios da IA é que, se ela não tiver o contexto adequado para responder à pergunta, ainda assim pode tentar responder e soar muito convincente, mas sem necessariamente ter a resposta correta. Acho que esse é um dos receios das pessoas em relação à IA: ela vai me dar a resposta certa? Como posso saber se posso confiar nas respostas que ela fornece?”, disse em entrevista a PEGN durante o AIWorld/SuiteWorld, convenção da Oracle que acontece em Las Vegas (EUA) até esta quarta-feira (28/10).
Segundo ele, o receio de mudar também pode retardar o emprego de IA nos negócios. “Muitas empresas continuam usando a mesma ferramenta que adotaram quando eram muito pequenas. Elas cresceram e passaram a faturar dezenas de milhões de dólares por ano, mas ainda operam com os mesmos sistemas porque a mudança é difícil”, afirma. “A grande oportunidade é ajudar as empresas a saltarem dos processos manuais para sistemas modernos de gestão muito mais rapidamente do que era possível no passado.”
No que diz respeito ao mercado brasileiro, o uso de sistemas antigos é mais latente, na opinião de Gustavo Moussali, VP sênior da NetSuite para a América Latina. “Uma característica muito particular do Brasil é que as empresas permanecem por muito tempo da mesma forma. Elas usam planilhas durante muitos anos. Quando esses sistemas deixam de ser suficientes, em vez de substituí-los, contratam mais pessoas. Elas não estão resolvendo o problema. Estão apenas acrescentando pessoas ao redor do problema”, diz. “O desafio é ajudar as empresas a entenderem que a tecnologia pode resolver esses problemas de forma mais eficaz do que simplesmente continuar adicionando recursos e pessoas.”
A substituição de pessoas pela tecnologia, para Goldberg, não deveria ser uma preocupação no que diz respeito a como empreendedores fazem a gestão dos seus negócios. “O que ouvimos dos clientes não é que eles estão substituindo pessoas. O que dizem é: minhas equipes estão trabalhando em atividades que realmente importam. Já não se trata apenas das tarefas necessárias para manter a operação funcionando. As pessoas estão dedicando mais tempo a iniciativas capazes de gerar impacto real para o negócio”, diz.
Durante o evento, a NetSuite anunciou um pacote de atualizações majoritariamente baseadas em IA nos seus produtos. O maior destaque está nas interfaces cada vez mais conversacionais do NetSuite Next, com o objetivo de eliminar fricções. “A tecnologia não deveria aumentar a complexidade. Ela deveria reduzi-la e ajudar o empreendedor a alcançar seus objetivos mais rapidamente, em vez de criar obstáculos. Em vez de aprender como o sistema funciona, o usuário deveria apenas dizer o que deseja e deixar que a tecnologia faça o trabalho”, defende Goldberg.
No momento, as novidades estão disponíveis apenas para mercados como EUA e Canadá. Algumas empresas já estão usando as soluções em esquema piloto no Brasil, mas não há previsão para que as ferramentas sejam disponibilizadas integralmente aos clientes brasileiros. A NetSuite tem 44 mil clientes globalmente, a maior parte pequenas e médias empresas — a empresa não revela o recorte do mercado brasileiro.
*A jornalista viajou a convite da Oracle.






