Foi com apenas R$ 100, uma cozinha doméstica e a necessidade de passar mais tempo com o filho que Catharine Meffe, 34 anos, construiu a Senhorita Confeitaria, na região entre o Brás e o Belenzinho, em São Paulo. O que começou comorenda alternativa se transformou em uma operação que hoje fatura, em média, R$ 250 mil por mês, conta com dez funcionários e planeja expandir sua presença pela capital paulista.
Antes de empreender, Meffe trabalhou durante sete anos em um banco. A decisão de deixar o emprego foi motivada pela dificuldade de conciliar a rotina corporativa com a maternidade. Sem uma rede de apoio, precisava faltar ao trabalho sempre que o filho adoecia e passou a questionar se queria continuar naquela carreira.
Após retornar da licença-maternidade, a empreendedora decidiu buscar uma alternativa profissional que lhe desse mais flexibilidade. Foi então que fez um curso de gastronomia voltado inicialmente para a produção de salgados, mas acabou se interessando pela confeitaria. Com R$ 100 investidos em ingredientes, começou a produzir doces e bolos em casa e vendê-los para colegas de trabalho no banco e também para moradores da região onde vivia, por meio de grupos de WhatsApp dos condomínios do bairro.
Nos primeiros cinco meses, conciliou a produção com o emprego formal, enquanto quitava dívidas, organizava as finanças e construía uma reserva financeira. Em novembro de 2023, pediu demissão para se dedicar integralmente à confeitaria.
Na época, a produção acontecia na cozinha de casa e gerava um faturamento mensal de cerca de R$ 5 mil. Sem rede de apoio, Meffe dividia o dia entre os cuidados com o filho e a produção dos pedidos. Muitas vezes, trabalhava durante a madrugada para conseguir atender às encomendas.
O crescimento da demanda fez com que a cozinha doméstica deixasse de comportar a operação. Em junho de 2024, Meffe alugou um espaço de 7 m² próximo de onde morava para concentrar a produção e organizar os pedidos. Para abrir a primeira loja, a empreendedora investiu cerca de R$ 15 mil, valor obtido por meio da participação nos lucros e resultados do banco onde trabalhava. O espaço foi adaptado com os recursos disponíveis e ganhou itens básicos, como bancada, pia, geladeira e balcão de atendimento.
A inauguração também marcou uma mudança na dinâmica familiar. Com o aumento da demanda, o marido da fundadora deixou o emprego para ajudar na operação e a filha mais velha também passou a colaborar com o negócio. Na época, a confeitaria faturava cerca de R$ 20 mil por mês.
O crescimento, porém, rapidamente tornou o espaço insuficiente. Em dezembro de 2024, apenas seis meses após a mudança, a Senhorita Confeitaria transferiu a operação para um imóvel de 65 m², onde funciona atualmente. Alguns meses depois, vieram os primeiros freelancers e o início da estruturação da equipe, que hoje conta com dez colaboradores.
A principal virada de chave aconteceu em agosto de 2025. Até então, a confeitaria era fortemente dependente dos bolos personalizados, que exigiam horas de trabalho manual e dependiam diretamente de Meffe. Em busca de mais escala, ela decidiu testar um modelo baseado em produtos padronizados, como os naked cakes, que variam apenas em tamanho e sabor. A mudança permitiu criar processos mais eficientes, ampliar a produção e liberar a fundadora das atividades operacionais.
Com mais tempo para se dedicar à gestão, a empresária passou a estudar as plataformas de entrega e implementar estratégias para impulsionar o delivery. O canal, que no início registrava apenas sete pedidos em um bom dia, se tornou o principal motor de crescimento da empresa. Atualmente, o delivery responde por 93% da receita da confeitaria e a operação registra cerca de 7 mil pedidos por mês, com tíquete médio de R$ 37. Em um único dia, a empresa já chegou a receber 280 pedidos.

O carro-chefe da marca é a fatia de torta-cookie, responsável por cerca de 60% do faturamento. Entre vendas avulsas e combos, a confeitaria comercializa entre 300 e 320 fatias por dia. Segundo a empreendedora, a aposta em produtos padronizados e a expansão do alcance nas plataformas de entrega foram determinantes para o crescimento da operação.
Os resultados financeiros refletem essa trajetória. A empresa faturou R$ 150 mil em 2024 e R$ 520 mil em 2025, crescimento de aproximadamente 247%. Para 2026, a projeção é alcançar R$ 2,5 milhões, enquanto a meta para 2027 é dobrar esse valor.
Atualmente, o principal desafio da empreendedora é a gestão de pessoas. “Eu fazia absolutamente tudo e precisei aprender a liderar pessoas, organizar processos e controlar custos”, afirma.
Neste ano, a empresa também passou a investir de forma mais estruturada em marketing para sustentar o crescimento da marca e ampliar sua presença nas plataformas digitais.
Com a operação consolidada, a próxima etapa é expandir a presença da Senhorita Confeitaria pela capital paulista. Recentemente, a empresa alugou mais um andar no imóvel onde opera atualmente e pretende destinar cada pavimento a uma etapa da operação. O plano inclui a implantação de uma fábrica própria, responsável por abastecer futuras unidades da marca.
A estratégia é utilizar a fábrica para atender inicialmente quatro lojas distribuídas por diferentes regiões da cidade. A primeira unidade está prevista para a zona norte de São Paulo, região frequentemente solicitada pelos clientes e que hoje não é atendida pelo delivery da confeitaria. A empresa também avalia a entrada no modelo de dark kitchens para ampliar sua cobertura sem a necessidade de grandes pontos de venda.
Para outras mães que desejam empreender, a empresária destaca a importância de definir objetivos claros e manter a persistência diante das dificuldades. “O que é sucesso para mim pode não ser para outra pessoa. Cada uma precisa saber onde quer chegar. Mas, independentemente do objetivo, é preciso ter resiliência, persistência para continuar mesmo nos momentos mais difíceis e foco no processo, com a certeza de que o resultado vai chegar”, finaliza.







