Indignado com as condições socioeconômicas que levavam pessoas a procurar comida no lixo, o empreendedor Chris Kolstad, 39 anos, proprietário da pizzaria Pizza Man, em Columbia Heights, Minnesota (EUA), decidiu agir. Em uma publicação em seu perfil no Facebook, ele escreveu: “Basta pedir uma pizza. Ninguém deveria comer lixo.”
A frase simples deu início a uma onda de solidariedade que rapidamente repercutiu nas redes sociais. Clientes e até desconhecidos passaram a colaborar com a iniciativa, ajudando na distribuição de dezenas de pizzas. Além disso, o restaurante começou a arrecadar doações para custear alimentos, despesas básicas e até abrigos para pessoas em situação de rua.
Segundo apuração do jornal The Washington Post, a ação já arrecadou mais de US$ 3 mil (R$ 16.200 mil) por meio de doações na plataforma Venmo. Kolstad reforçou sua disponibilidade para ajudar as pessoas em situação de rua de forma discreta e humana. “Deixe-me um bilhete. Vamos encontrar uma forma de deixar extras ou pizzas com erro de pedido para que você tenha algo para comer, sem precisar revirar o lixo”, escreveu na publicação.
Em entrevista ao jornal, o empresário desabafou: “Ninguém come de uma lixeira porque quer. Quem chega a esse ponto está tentando sobreviver. E eu não consigo ficar sentado em um prédio cheio de comida sabendo disso.”
Aumento da fome chama atenção na região
Kolstad assumiu a pizzaria em 2020 e relata que, desde então, percebe a presença de pessoas em busca de restos na lixeira do restaurante. Porém, no fim de julho, ele notou um aumento significativo na frequência dessas visitas.
Ele encontrou caixas de pizza parcialmente consumidas, garrafas de água vazias e guardanapos usados, indícios de que alguém estava se alimentando ali. Em alguns casos, os restos sequer haviam sido tocados por animais, sugerindo que foram cuidadosamente deixados por alguém para outro pegar depois.
Essa situação reflete o aumento da insegurança alimentar na região de Minneapolis, segundo Dave Rudolph, diretor da organização Southern Anoka Community Assistance, um banco de alimentos local. “Estamos vendo cada vez mais pessoas novas. Nunca tivemos tanta procura como agora”, afirmou Rudolph, apontando o aumento dos preços como um dos principais fatores para a crise.
A tendência também foi observada pela organização sem fins lucrativos The Food Group, que atua no combate à fome em Minnesota. Em 2024, os moradores do estado visitaram bancos de alimentos quase 9 milhões de vezes, um aumento de 1,4 milhão de atendimentos em relação ao ano anterior.
Solidariedade em tempos difíceis
Kolstad já havia demonstrado espírito comunitário antes: distribuiu pizzas durante o fechamento das escolas na pandemia de COVID-19 e ajudou a arrecadar fundos para o banco de alimentos local em 2023. No entanto, nenhuma ação teve tanta repercussão quanto sua postagem de 29 de julho oferecendo refeições grátis a quem estivesse com fome.
“Se você tiver vergonha de pedir, ligue para nós. Podemos deixar uma pizza pequena de queijo nos fundos do restaurante, discretamente”, sugeriu em seu post.
Na mesma noite, ele compartilhou uma imagem de uma caixa de pizza deixada ao lado da lixeira, um gesto simples que se tornou símbolo de empatia e solidariedade. “É simplesmente louco como algo tão básico e humano se tornou algo tão grande”, concluiu.





