Nem só de mercadinhos autônomos vivem os negócios de condomínio. De olho no potencial de unir duas tendências, a de cuidados com pets e a de consumo por conveniência, o Clube04, franquia pet especializada em banho e tosa para cachorros, acaba de lançar um modelo de negócio para operar dentro de condomínios residenciais. A expectativa da empresa é ter 24 unidades do modelo em operação em 12 meses.
A proposta é aproximar serviços como banho e tosa da rotina dos moradores ao reduzir o deslocamento com os animais. Segundo Fábio Aydar, sócio fundador da rede, o projeto nasceu da escuta dos clientes das lojas. “Eles querem sempre o melhor para o seu cachorrinho, mas tinham muita dificuldade de encaixar na rotina, com trânsito, com deslocamento, com agenda e tudo mais”, afirma.
De acordo com o empreendedor, o novo negócio replica um conceito já adotado pela rede: cabines de atendimento individual, em que cada cão é atendido separadamente. Segundo Aydar, a ideia é transformar esse espaço em uma operação separada e exclusiva, para o pet e para o tutor, que aguarda o serviço sozinho no ambiente. “É um pet shop bem pequeno, bem exclusivo, levando toda a nossa história de banho individualizado para dentro de cada condomínio”, diz.
O fundador afirma que a operação foi desenhada para ser enxuta, podendo começar com um único profissional capacitado para oferecer o menu completo de serviços, que inclui banho, tosa higiênica, tosa do corpo, remoção de pelos e hidratações. Agendamentos, pagamentos e acompanhamento serão feitos por aplicativo, ferramenta que entrou em operação no início de 2025 e já responde por 20% a 30% dos agendamentos da rede.
“Além do aplicativo que já funciona nas lojas, nós estamos desenvolvendo um modelo com um parceiro para fazer um atendimento por inteligência artificial, que vai servir tanto para o agendamento integrado ao nosso sistema, quanto para cobrança e pós-venda. A ideia é deixar o franqueado focado em prestar um bom serviço e cuidar da qualidade do atendimento”, aponta Aydar.
Além da tecnologia, o empreendedor ressalta a importância da parceira com os próprios condomínios para a nova operação. Segundo Aydar, os condomínios serão parceiros financeiros do negócio, recebendo 8% do faturamento da unidade. Ele afirma que a negociação de implantação envolve síndicos, administradoras e empresas de gestão condominial.
Batizado de Clube04 Unique, o formato exige investimento de R$ 122 mil e funciona em espaços de 16 m² a 25 m². Segundo Aydar, o modelo tem payback projetado a partir de 18 meses, com faturamento estimado em cerca de R$ 500 mil por ano por unidade. Atualmente, a rede opera com um tíquete médio de R$ 280. Para viabilizar a operação, a empresa busca condomínios que tenham a partir de 70 unidades habitacionais.
A primeira unidade do modelo já foi comercializada em São Paulo (SP), e está em fase de implantação. Nos primeiros 12 meses, a expansão terá como foco a região Sudeste. No modelo convencional, que trabalha com múltiplas cabines em espaços que vão de 30 m² a 200 m², rede já está presente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo, Pernambuco, Rondônia e Bahia. A²o todo, são 25 unidades em operação, além de 17 em implantação.
De Lui e Ted para os condomínios
O Clube04 nasceu da insatisfação de Aydar e Ana Paula Shinzaki com o atendimento dos pet shops tradicionais. Em 2017, após o rompimento de um negócio familiar, o casal adotou os spitz alemão Lui e Ted e logo percebeu que os cães se sentiam desconfortáveis durante os banhos. Sem experiência no ramo, passaram cerca de dois anos estudando o mercado antes de inaugurar, em fevereiro de 2020, a primeira loja, em São José do Rio Preto (SP), com investimento de aproximadamente R$ 400 mil.

O conceito aposta no manejo “low stress”, com banhos relaxantes, massagem, cromoterapia, secagem no colo e ambiente sem gaiolas. A expansão via franquias começou em 2022 e ganhou robustez a partir da parceria com Sidney Kalaes, presidente do Grupo Kalaes.
Desde a entrada no franchising, a rede vem crescendo ano a ano. O faturamento da rede passou de R$ 4 milhões em 2023 para R$ 8 milhões em 2024 e alcançou R$ 11,2 milhões em 2025. Para 2026, a projeção é atingir R$ 14,7 milhões.





