99 prepara novos investimentos em startups brasileiras em 2027

Fonte: Redação

A 99 pretende ampliar sua atuação no ecossistema brasileiro de startups a partir de 2027, com novos investimentos em empresas de base tecnológica. As ações acontecerão por meio de aportes diretos, com capital da DiDi, empresa chinesa controladora da plataforma brasileira; e pela YvY Capital, com um fundo no qual aportou cerca de R$ 45 milhões em maio deste ano.

“Estamos na fase de diagnóstico, nossa visão é investir a partir do ano que vem de forma mais estruturada para alavancar o ecossistema da 99, conectando empresas menores à nossa operação e as ajudando a acelerar o crescimento”, contou Thiago Hipolito, diretor de inovação da 99, em entrevista a PEGN durante o 99 Tech Summit, evento realizado nesta semana no Rio de Janeiro (RJ).

Segundo o executivo, a companhia está mapeando oportunidades e avaliando empresas que possam gerar sinergias com suas operações. A 99 não vai criar um fundo no Brasil com dinheiro comprometido e prazo de investimento e desinvestimento: os aportes serão feitos pela DiDi conforme a equipe brasileira encontrar boas startups.

Em 2018, a companhia chinesa assumiu o controle da 99 após aportes anteriores na startup. Com o movimento, a plataforma foi avaliada em US$ 1 bilhão e se tornou o primeiro unicórnio brasileiro. Agora, de acordo com Hipolito, a DiDi quer ampliar a atuação no país por meio de investimentos em diferentes negócios, em vez de concentrar os recursos em uma única empresa.

“A companhia está colocando mais ênfase no Brasil para fazer isso de forma pulverizada. Antes era um grande investimento. Agora, com esse mandato de venture capital no Brasil, queremos fazer aportes menores em startups que podemos impulsionar, com potencial de múltiplos interessantes”, acrescentou.

O fundo da YvY Capital é focado em eletromobilidade de duas rodas e pretende desenvolver a cadeia de motos e bicicletas elétricas no Brasil, incluindo negócios relacionados à fabricação de veículos, baterias, infraestrutura de recarga e soluções de compartilhamento e gestão de frotas. O olhar está voltado para negócios que já tenham passado do early stage, com sinais de tração e potencial de crescimento comprovado.

“O investimento na YvY Capital nasceu da nossa visão de um futuro eletrificado. Buscamos um fundo que pudesse ajudar a fazer vários pequenos investimentos. Vemos um bom potencial para construir uma visão de ecossistema que vai além do nosso produto”, afirmou.

Além dos aportes financeiros, a 99 atua com startups por meio de parcerias operacionais, conectando empresas com soluções complementares às necessidades dos usuários e profissionais que trabalham com a plataforma. Um exemplo é a parceria da 99 com a GoMoov e a Serttel para a locação de bicicletas elétricas com desconto a entregadores no Rio de Janeiro (RJ) e em Goiânia (GO), anunciada em maio.

Desenvolvimento interno

A ampliação dos investimentos ocorre em paralelo a uma estratégia de inovação baseada em testes e validação. Hipolito conta que a equipe liderada por ele trabalha há quase cinco anos com uma metodologia que prioriza experimentos em pequena escala antes de expandir um produto ou serviço.

O executivo afirma que parte dos projetos desenvolvidos nos primeiros anos não avançou, como a instalação de kits de gás em carros de motoristas e a criação de um marketplace para locadoras de veículos.

A partir dessas experiências, a empresa estruturou um processo que começa pela formulação de uma tese e de uma proposta de valor, passa por testes controlados e só avança quando os indicadores demonstram potencial de crescimento e retorno financeiro. “Hoje a gente não faz porque acha que vai dar certo. Precisa ter uma elaboração de uma tese e hipótese muito bem fundamentada”, disse.

Um exemplo bem-sucedido é o 99Abastece, benefício que oferece descontos para motoristas parceiros da plataforma em um marketplace de postos de combustível. O piloto foi testado em Goiânia (GO), com um time de 20 pessoas dedicadas. “Encaramos de forma direta e brutal para tomar a decisão. Se temos indicadores de que é rentável, com retenção, crescimento orgânico, bom retorno dos usuários, escalamos”, afirmou. Três anos depois, o 99Abastece se tornou uma unidade de negócio independente rentável, com um time de 140 colaboradores.

Atualmente, a equipe liderada por Hipolito testa cerca de dez iniciativas, segundo o executivo. Ele não detalhou quais são os projetos, mas afirmou que os colaboradores estão debruçados em desenvolvimentos para curto, médio e longo prazo, que envolvem desde pequenas melhorias no app a novos produtos.

*A jornalista viajou a convite da 99.

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