A crise de bebidas adulteradas em São Paulo, que teriam causado intoxicações e até mortes por consumo de metanol tem abalado bares e restaurantes da capital. Além da própria Associação Brasileira de Restaurantes (Abrasel), os estabelecimentos têm divulgado notas reforçando protocolos de segurança para assegurar a confiança dos consumidores.
Caire Aoas, sócio do Fábrica de Bares, grupo dono de casas como o Bar Brahma, Bar dos Arcos, Orfeu, Riviera, Blue Note, Love Cabaret, entre outros, diz que vê o cenário atual com preocupação e com potencial para abalar o setor, que é “historicamente sensível” em relação a custos. “Em cenários de crise como o atual, o impacto é ainda mais devastador com milhares de empregos em risco, assim como a sobrevivência de fornecedores e pequenos produtores de alimentos e insumos que dependem diretamente dessa cadeia”, diz.
Aoas avalia que o maior risco da crise atual é o da insegurança. “O temor do consumidor pode afastar a clientela dos estabelecimentos até que a sensação de normalidade seja restabelecida”, afirma.
Fabio Salomão, sócio do Grupo Azim, dono de bares como Salve Jorge, Patriarca, Omadá e Posto 6, concorda que a perda de confiança do consumidor é o maior risco no momento. “Como empresa, entendemos que a confiança dos clientes é o alicerce do nosso negócio, e qualquer situação que a abale tem consequências profundas para o segmento de bares e restaurantes como um todo”, diz.
Ele diz que espera por uma possível retração no consumo em um primeiro momento, por conta dessa situação, mas que as empresas têm reforçado a comunicação sobre os protocolos para assegurar a transparência. “Entendemos que a confiança não é apenas retomada com palavras, mas com ações. Por isso, permanecemos atentos ao cenário e comprometidos em colaborar com o mercado, distribuidores e órgãos competentes para assegurar práticas responsáveis”.
Os dois empresários afirmam que as casas seguem padrões rígidos de compra de bebidas de distribuidores e fornecedores homologados e que acompanham toda a cadeia. Aoas acrescenta que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é uma das “mais respeitadas do mundo”, e espera que “além da punição exemplar aos responsáveis, exista também um plano de apoio governamental para amparar os mais atingidos por esta crise.”
Indicações de prevenção também foram divulgadas pela Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel). “Estamos diante de uma questão de saúde pública e de preservação da imagem do setor de alimentação fora do lar. Bebidas adulteradas podem provocar intoxicações graves e até mortes. Além de destruir a confiança do consumidor, afetam bares e restaurantes que trabalham dentro da lei”, afirma Gabriel Pinheiro, diretor da Abrasel SP.
Pinheiro reforça que a maioria dos bares e restaurantes associados à Abrasel SP já realiza suas compras exclusivamente por meio de grandes fornecedores, o que reduz significativamente o risco de receber produtos falsificados.
Diversos outros bares e restaurantes levaram às redes sociais comunicados explicando os cuidados tomados na aquisição de bebidas alcoólicas a fim de tranquilizar o público.
O Tatu Bola, com unidades em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Ceará e Bahia, reforça a adoção de “protocolos rigorosos de segurança e controle de qualidade em todas as etapas das nossas operações”. Segundo a nota, os insumos são adquiridos de fabricantes ou distribuidores oficiais, entregues lacrados e acompanhados de nota fiscal e selo de autenticidade.
A casa noturna ABC Bailão e o Caledonia Bar, ambos em São Paulo, também se pronunciaram, reforçando que a segurança do cliente vem em primeiro lugar, com bebidas certificadas e lacradas. “A Caledonia lamenta profundamente que existam estabelecimentos que, em prol do lucro, adquiram bebidas adulteradas e coloquem em risco a vida de seus clientes”, diz a nota publicada pelos stories.

O Mané Burger, na Mooca, em São Paulo, também destaca que as bebidas são adquiridas apenas de distribuidores oficiais, sempre com nota fiscal, lacres e selo de autenticidade.
A nota da Abrasel também recomenda que os estabelecimentos comprem apenas de distribuidores confiáveis e legalizados, sempre com nota fiscal, e que inutilizem as garrafas vazias antes do descarte para evitar o reaproveitamento por falsificadores.
A associação reforça ainda que a fiscalização governamental é essencial, já que os falsificadores utilizam garrafas e selos originais, dificultando a identificação visual da fraude. “A atuação das autoridades precisa se concentrar em barrar a produção e distribuição antes que esses produtos cheguem ao mercado”, afirma o diretor da entidade.





