Após protestos, dona de loja de vestidos de noiva diz ter sofrido ameaças:

Fonte: Redação

Na manhã desta quarta-feira (2/9), Camila Rossi, uma das proprietárias da My Vintage Dress, usou as redes sociais da loja para compartilhar um novo pronunciamento sobre as polêmicas recentes. No texto, ela afirma que a loja sofreu “invasões” e que teria suspendido as redes sociais após “ameaças” recebidas. O texto entrou no ar após um comunicado que havia sido postado na noite da última terça-feira (2/9), em que a loja dizia também ter sido “vítima” da situação.

O comunicado postado na terça-feira, assinado por Rossi, já dava mais detalhes sobre o que aconteceu internamente e quais seriam os próximos passos. No texto, a empreendedora ressaltava que a “prioridade são as noivas que se casam nos próximos dias”.

“Estamos trabalhando incansavelmente para finalizar e entregar os vestidos das noivas que se casam neste final de semana e nos próximos dias. Cada hora é fundamental”, diz o texto, garantindo que a loja estaria mobilizando a equipe, o acervo e buscando parceiros para encontrar alternativas e minimizar os prejuízos.

Em seguida, Rossi, então, comenta sobre os protestos na segunda-feira à noite, o que, segundo ela, impactaram “diretamente nosso trabalho”. “Além de interromper a produção em um momento crítico, a situação assustou nossa equipe e alguns funcionários estão com medo de retornar ao trabalho”, diz.

No texto, a empresária e estilista pedia aos seguidores tempo e espaço para que ela e seus funcionários conseguissem trabalhar e finalizar as entregas. Ela, então, revela que “também fomos vítimas do que aconteceu”.

Camila Rossi, uma das proprietárias da My Vintage Dress, afirma que
Camila Rossi, uma das proprietárias da My Vintage Dress, afirma que “existe uma grave situação interna sendo apurada, que nos atingiu profundamente e sobre a qual ainda não podemos compartilhar detalhes” — Foto: @myvintagedress/Instagram/Reprodução

“Existe uma grave situação interna sendo apurada, que nos atingiu profundamente e sobre a qual ainda não podemos compartilhar detalhes. Isso, porém, não diminui nossa responsabilidade de buscar soluções para as noivas”, sem revelar mais detalhes sobre o que aconteceu internamente com a loja.

Na última segunda-feira (31/8), a loja especializada em vestidos de noiva exclusivos, localizada no bairro Pinheiros, em São Paulo, virou alvo de protestos e de ataques após fechar suas portas temporariamente. Nas redes sociais, diversas noivas que estão com casamento marcado para os próximos dias e fins de semana relataram não estarem conseguindo contatar a loja.

Loja sofreu ameaças

Horas depois, contudo, o pronunciamento foi apagado das redes da My Vintage Dress e substituído por outros três stories. Neste novo comunicado, a loja explica que tomou a decisão de fechar temporariamente as portas para novas vendas – sem deixar claro quando isso aconteceu – para que eles consigam concentrar seus esforços nas clientes que já estão com pedido em andamento, já que eles estão passando por um período de “volume excepcional de pedidos e desafios na produção”.

Na nota, a loja afirma que passou a “receber ameaças pelo Instagram” e que, por isso, decidiram tirar o perfil da rede temporariamente do ar. Segundo comentários de noivas nas redes sociais, isso teria acontecido entre domingo (30/8) e segunda-feira (31/8

“Na segunda-feira (31) nossa loja foi alvo da entrada coletiva e não autorizada de mais de 50 pessoas, caracterizando uma invasão do estabelecimento. No dia do ocorrido, alguns vestidos foram levados por pessoas que estavam na loja sem autorização. Por isso, nossa equipe decidiu retirar alguns vestidos do local por segurança”, explica.

A loja ainda esclarece que as imagens das araras vazias não representam o encerramento definitivo das atividades, uma vez que a agenda de prova “seguia sendo mantida, com prioridade para noivas com casamento mais próximo”.

A questão da segurança de seus colaboradores, que havia sido comentada no pronunciamento excluído, é mencionada novamente. “Nos últimos dias, as questões de segurança também dificultaram o acesso aos nossos espaços de trabalho e produção. Nossa equipe está receosa de retornar diante dos acontecimentos recentes”.

Por fim, o comunicado garante que a loja está está trabalhando ativamente para encontrar as “melhores soluções possíveis para cada cliente. Sabemos da angústia e da urgência de quem está aguardando seu vestido. Não ignoramos isso”.

My Vintage Dress, loja de vestidos de noiva, se pronunciou sobre as polêmicas na manhã desta quarta-feira (2/9) — Foto: @myvintagedress/Instagram/Reprodução
My Vintage Dress, loja de vestidos de noiva, se pronunciou sobre as polêmicas na manhã desta quarta-feira (2/9) — Foto: @myvintagedress/Instagram/Reprodução

PEGN entrou em contato com a My Vintage Dress mas não teve retorno. O espaço segue aberto.

O que aconteceu

De acordo com relatos e vídeos nas redes sociais, noivas e noivos se dirigiram até a loja na noite do dia 31 de agosto para cobrar pelo vestido alugado. Até esta terça-feira (1/9), ainda havia relatos de pessoas protestando na porta da loja, cobrando pelos vestidos. O primeiro pronunciamento da loja foi feito na manhã do mesmo dia, onde o estabelecimento afirmava estar “enfrentando um problema importante em sua operação de produção, que impactou parte dos atendimentos e cronogramas em andamento”.

Durante a confusão na segunda-feira, a usuária do TikTok Giulia (@giuliavazri) chegou a compartilhar um vídeo em prantos contando que ela se casa em 9 de outubro e que seu noivo foi até a loja para tentar pegar o vestido.

“Ele falou que tá lotado de noiva raivosa e carro de polícia. Confirmei com uma funcionária que eu tinha pego o celular na última prova e ela disse ter sido demitida hoje de manhã”, relata.

Nos comentários, algumas noivas que também irão se casar nas próximas semanas relataram terem conseguido pegar o vestido em meio ao tumulto, embora o modelo não estivesse pronto. “Optamos por pegar nossos vestidos como estavam. Fomos passando os nossos modelos e eles nos entregavam. Se ainda tiver essa opção, faça isso”, afirmou.

Mas os problemas de entrega e de comunicação com a cliente não parecem ter começado agora. Diante da repercussão do caso, a loja fechou os comentários em suas publicações no Instagram, exceto nas postagens em colaboração com outras pessoas.

Em um post, feito há nove semanas, em parceria com a ex-BBB, ginecologista e criadora de conteúdo Marcela McGowan, que se casou com a cantora Luiza Martins em maio deste ano – ambas usando vestidos da My Vintage Dress – um comentário feito há uma semana já indicava problemas.

A usuária Thais Maia (@thaismaiasjc) relatou ter assinado contrato com a loja em maio e descoberto, no final de agosto, que “eles não conseguiriam me entregar. Meu vestido não está pronto, nem das minhas daminhas”, conta. Ela diz ainda que irá se casar em duas semanas.

“Já emagreci 5kg em um mês por crise de ansiedade que a @myvintagedress está me causando. Minha quarta prova e nada pronto, nada feito”, desabafa Maia.

No Instagram, noivas já vinham comentando há uma semana em posts antigos sobre problemas com as entregas dos vestidos. — Foto: @myvintagedress/Instagram/Reprodução
No Instagram, noivas já vinham comentando há uma semana em posts antigos sobre problemas com as entregas dos vestidos. — Foto: @myvintagedress/Instagram/Reprodução

Quem são as donas da My Vintage Dress?

A loja foi criada em 2012 pelas estilistas Camila Rossi e Vanessa Corraini, inicialmente como um ponto de curadoria e revenda e de aluguel de vestidos de noiva usados de marcas internacionais e nacionais. Com o tempo, a dupla passou a desenvolver modelos exclusivos feitos sob medida que fizeram tanto sucesso a ponto de deixarem de lado as peças terceirizadas.

Em entrevista a Vogue Brasil em 2024, Rossi e Corraini contaram como, desde o aluguel e venda de vestidos de outras marcas, peças com trabalhos manuais cuidadosos, como bordados e rendas, sempre foram o estilo defendido da marca. É essa característica que ainda atraía o público 14 anos depois da criação da loja, com vestidos que misturam estilo boho e folk com diferentes tipos de bordados, franjas e rendas.

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Telegram
+ Relacionadas