EMS aposta em live commerce para relacionamento com clientes B2B

Fonte: Bianca Alvarenga

Quando o assunto é live commerce, a primeira imagem que vem à cabeça é a de influenciadores apresentando produtos em plataformas como TikTok Shop para consumidores finais. Mas esse formato também começa a ganhar espaço nas relações entre empresas.

Em vez de vender diretamente ao consumidor, companhias já utilizam transmissões ao vivo para apresentar lançamentos, compartilhar conteúdo técnico e negociar com distribuidores e varejistas.

A EMS, fabricante de medicamentos, é uma das empresas que adaptaram a lógica do live commerce ao mercado B2B. Em uma plataforma própria, a companhia reúne treinamentos, atualizações regulatórias, apresentações de produtos e transmissões comerciais voltadas a distribuidores e farmácias.

Pedro Dias, diretor da EMS, explica que o objetivo não é substituir os canais tradicionais de vendas, mas ampliar a comunicação com a rede de parceiros. “Enquanto a equipe externa mantém a proximidade e a construção de relacionamento, o digital amplia escala, agilidade e recorrência na comunicação com o mercado”, afirma.

Ao todo, a empresa mantém cerca de 3 mil profissionais em campo e utiliza as transmissões para alcançar milhares de parceiros simultaneamente. Além da apresentação de produtos, as lives incluem conteúdo técnico e campanhas comerciais em datas previamente definidas.

Segundo a empresa, não há venda direta ao consumidor final. As transmissões são direcionadas aos integrantes da cadeia farmacêutica, com foco em distribuidores e farmácias.

Conteúdo que gera valor

O uso de vídeo deixou de atender apenas ações pontuais de treinamento e passou a integrar processos de relacionamento entre empresas. Por isso, a estratégia também inclui a Academia EMS, ambiente digital que reúne cerca de 150 mil usuários e oferece cursos, trilhas de capacitação e atualizações sobre produtos e regulamentações.

Para Dias, treinamento e desempenho comercial passaram a fazer parte da mesma estratégia. “Quando o profissional entende melhor o produto e o contexto de venda, isso se reflete diretamente no giro e na tomada de decisão na ponta”, diz.  

Live commerce além do varejo

Outras empresas, para além do setor farmacêutico, também já começaram a adaptar o formato de live commerce para operações B2B.

Daniel Arcoverde, co-CEO e cofundador da Netshow.me, parceira da EMS, explica que “o que antes era restrito a treinamentos pontuais passou a integrar processos comerciais, com métricas de engajamento e conversão”.

Para a EMS, o mercado brasileiro ainda está em estágio inicial na adoção desse modelo quando comparado a países asiáticos. “O Brasil está quase uma década atrasado quando o assunto é live commerce”, diz. Mas, a evolução já começou.

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