Wilson Bachega Junior explica por que negócios 60+ crescem no país

Fonte: Redação

Estudos sobre produtividade na terceira idade ajudam a explicar por que negócios liderados por empreendedores mais velhos ganham espaço no Brasil.


Wilson Bachega Junior
Wilson Bachega Junior — Foto: Divulgação

Apenas 7% dos donos de negócio no Brasil têm 65 anos ou mais, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor aplicada pelo Sebrae. O especialista no setor, Wilson Bachega Junior chama atenção para esse número: apesar de ainda tímido, ele representa espaço real de crescimento para quem decide empreender depois de décadas de carreira formal, especialmente diante de evidências sobre o desempenho desse grupo à frente de seus próprios negócios.

O estudo internacional Towards a Longevity Dividend aponta relação direta entre longevidade e produtividade no trabalho entre pessoas mais velhas. Segundo a pesquisa, profissionais que já passaram por fases como formação e criação dos filhos tendem a se dedicar de forma mais intensa ao negócio, além de tomar decisões com mais agilidade e segurança.

Por que a experiência pesa a favor do negócio?

Empreendedores que começam depois dos 60 anos costumam carregar décadas de repertório profissional, incluindo contatos, conhecimento técnico e vivência prática em situações que exigem resolução rápida de problemas. Esse acúmulo tende a se refletir diretamente na forma como conduzem o próprio negócio.

Conforme o especialista, essa bagagem reduz parte do tempo de aprendizado que normalmente um empreendedor mais jovem levaria para desenvolver, especialmente em áreas como relacionamento com fornecedores, gestão de equipe e tomada de decisão sob pressão. A curva de amadurecimento do negócio, para ele, costuma ser mais curta nesse perfil de empreendedor.

Foco e disciplina como diferenciais competitivos

A ausência de responsabilidades típicas de fases anteriores da vida, como criação de filhos pequenos ou construção inicial de carreira, libera tempo e energia que podem ser direcionados integralmente ao negócio. Esse fator, apontado pela pesquisa Towards a Longevity Dividend, ajuda a explicar níveis mais altos de comprometimento entre empreendedores dessa faixa etária.

Na avaliação de Wilson Bachega Junior, esse comprometimento se traduz, na prática, em rotinas mais consistentes e menor dispersão entre diferentes prioridades. Negócios conduzidos por empreendedores mais velhos tendem a apresentar processos de decisão mais estáveis, mesmo diante de imprevistos comuns ao início de qualquer operação.

Esse padrão de estabilidade, segundo o especialista, também se reflete na relação com fornecedores e parceiros comerciais. Anos de experiência em negociações profissionais anteriores tendem a facilitar a construção de parcerias mais equilibradas desde os primeiros meses de operação do novo negócio.

O poder de compra da terceira idade como oportunidade extra

Relatórios do setor de consumo apontam que o poder de compra de pessoas acima de 60 anos deve ultrapassar os R$ 30 trilhões globalmente neste ano. Para quem empreende voltado a esse próprio público, esse dado representa também uma oportunidade de mercado, já que o empreendedor conhece de perto as necessidades e preferências de consumidores da mesma geração.

O especialista destaca que negócios criados por empreendedores mais velhos e voltados a esse público costumam ter vantagem na compreensão de detalhes que passariam despercebidos para empreendedores mais jovens, desde linguagem de comunicação até formato de atendimento.

Limitações que ainda pesam contra esse perfil de empreendedor

Apesar dos indicadores favoráveis de produtividade e comprometimento, empreendedores mais velhos ainda enfrentam barreiras de acesso a crédito, muitas vezes sustentadas por suposições equivocadas sobre retorno de investimento em prazos mais curtos. Essa dificuldade segue como um dos principais obstáculos para quem decide abrir um negócio depois dos 60 anos.

No entanto, reduzir essa barreira depende tanto de mudanças na política de crédito das instituições financeiras quanto de maior divulgação de dados que comprovem o desempenho consistente desse grupo de empreendedores.

Segundo Wilson Bachega Junior, iniciativas de microcrédito voltadas especificamente a esse público, ainda pouco difundidas no país, poderiam preencher parte dessa lacuna enquanto o sistema financeiro tradicional não revisa seus critérios de análise para empreendedores mais velhos.

O espaço que ainda pode crescer

A proporção ainda pequena de empreendedores acima de 65 anos no Brasil, combinada a evidências consistentes de produtividade e comprometimento nessa faixa etária, sugere que o país ainda está longe de esgotar o potencial desse grupo dentro do universo empreendedor. Programas de capacitação e crédito mais acessível tendem a acelerar esse movimento nos próximos anos. Assim, para quem avalia empreender depois dos 60, os números indicam que a idade, isoladamente, tem menos peso do que costuma parecer diante da decisão de abrir um negócio próprio.

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