Gustavo Albanesi, cofundador e CEO do Buddha Spa.
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- A Smart Fit pode comprar até 20% do Buddha Spa, mas, segundo a empresa, atua apenas como investidora e apoio à expansão internacional.
- Pacotes concentram 36% da receita com 6% dos clientes, e um programa de membership deve chegar em 2027 para ampliar a recorrência.
- Clientes de 20 a 30 anos ganham espaço, e a rede aposta em novos serviços e produtos para casa para manter a marca presente entre as visitas.
Quem entra em uma unidade do Buddha Spa procura uma experiência de bem-estar. Pode ser uma massagem, um serviço de estética corporal ou facial, ou então um momento de relaxamento. São serviços tradicionalmente voltados a ocasiões especiais, presenteáveis ou que surgem na forma de uma autorrecompensa do consumidor.
Em 2026, o Buddha Spa completa 25 anos. A rede já conta com mais de 150 unidades no Brasil, segundo a empresa. Mas, com a tendência de wellness permanecendo cada vez mais na rotina do consumidor, o Buddha Spa agora quer transformar o momento do spa em hábito.
No início de outubro, a Smart Fit comunicou ao mercado a compra de até 20% do Buddha Spa. O acordo também prevê a opção de a rede de academias comprar mais 10% do capital.
No entanto, segundo a rede de spas, a ideia não é unir as operações. “No dia a dia, não muda nada”, descreve Gustavo Albanesi, cofundador e CEO do Buddha Spa. “As operações continuam 100% apartadas.”
Expansão internacional
Para Albanesi, a decisão de trazer um sócio tem a ver com o próximo ciclo de crescimento. “A rede vem crescendo bastante. E, para acelerar ainda mais com os novos planos, especialmente a expansão internacional, fazia sentido trazer um sócio que ajudasse não só com capital, mas com expertise. E a expansão internacional é justamente onde a Smart Fit tem mais know-how.”
O executivo explica que, a princípio, a nova sócia não irá participar da gestão do Buddha Spa. No entanto, as regras de governança só serão conhecidas com a assinatura do acordo de acionistas.
O primeiro teste da expansão internacional será o Chile. A rede de spas anunciou que a unidade inaugural fora do País ficará em Vitacura, bairro de Santiago, a partir de uma operação própria. A ideia é validar o modelo antes de buscar parceiros locais e avançar para outros mercados da região.

Jovens buscam bem-estar
No Brasil, por sua vez, o objetivo é fazer com que aquele que já conhece a rede de spas se torne um cliente frequente. Hoje, o público é composto majoritariamente por mulheres (70%), segundo Albanesi. Ainda, a faixa etária entre 30 e 40 anos responde por cerca de 35% da base.
No entanto, o executivo aponta que, pela primeira vez, clientes de 20 a 30 anos e os de 40 a 50 anos têm o mesmo peso na base, com 23% cada. Há dois anos, a faixa de 40 a 50 anos somava 26%, e a de 20 a 30 anos, 20%. O avanço do público mais jovem se concentra nas classes A e B.
Albanesi associa esse movimento a uma busca que ganhou força na pandemia e não perdeu fôlego desde então. “As pessoas buscam cada vez mais um equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual no dia a dia, como forma de combater o estresse e a ansiedade”, afirma. “A tendência é que isso não pare de crescer, para que as pessoas consigam equilibrar a agitação do mundo de hoje.”
O pano de fundo desse cenário é um mercado de grande porte que vem evoluindo. Segundo o Global Wellness Institute (GWI), o Brasil é a maior economia de bem-estar da América Latina e Caribe. O movimento é estimado em US$ 96 bilhões, o que coloca o País em 12º lugar no ranking mundial.
A expansão do Buddha Spa para fora dos grandes centros não alterou muito esse retrato, de acordo com o executivo. “O perfil é bem parecido. São Paulo tem uma demanda maior e uma cultura de bem-estar talvez mais aflorada, até pelo nível de estresse”, afirma. “É uma cidade mais agitada, mais rápida em informação, com trânsito, tudo mais tenso e denso.”
O valor do hábito
Na visão de Albanesi, o caminho até o hábito começa de forma simples. “Basta fazer uma massagem. A partir do momento em que a pessoa sente o diferencial no corpo e na mente, ela quer se sentir daquele jeito de forma permanente”, diz. “Ela passa a ter mais rotina com esse tipo de serviço.”
O hábito é valioso para o negócio. Os pacotes são a principal ferramenta de recorrência da rede. Cerca de 6% dos clientes compram um, e esse grupo responde por 36% da receita, segundo Albanesi. Na média, cada cliente de pacote pesa no faturamento seis vezes mais do que pesa na base.
Para trazer de volta o cliente que não retornou, a rede combina CRM, réguas de relacionamento e ações periódicas de resgate e parcerias. O próximo passo é um programa de membership, previsto para o ano que vem. O objetivo é ampliar a recorrência e aproximar o cliente da marca.
O desafio, no entanto, está na proporção. Se 6% da base já sustenta mais de um terço da receita, o crescimento da rede está em converter uma fatia maior dos demais clientes em clientes de rotina.

Consistência para expansão
A recorrência depende também da consistência da experiência. Desafio que se torna maior em uma rede majoritariamente franqueada. A resposta da empresa está no Buddha College, braço que certifica a formação de todas as pessoas que atuam nas unidades, de terapeutas e especialistas a franqueados e gestores.
A formação começa pela cultura antes da técnica, segundo Albanesi. “A pessoa primeiro entende os ‘porquês’ de cada ação, de cada atuação que a gente tem”, explica. “Depois, a gente vem com os ‘comos’ e começa a desenvolver essas pessoas.”
Depois da formação inicial, as unidades entram em uma rotina de acompanhamento que inclui supervisão de campo, cliente oculto, treinamentos a distância e reciclagens periódicas.
“A gente está sempre olhando para a rede em constante desenvolvimento, apoiando e supervisionando”, afirma. Com dezenas de inaugurações por ano, esse processo vai além do suporte e passa a ser uma condição para a expansão.
Experiência além da unidade
Outra frente de engajamento é estender a experiência além da unidade do Buddha Spa. Além de serviços como massagens, sessões de estética facial e corporal, a empresa também oferece produtos de bem-estar para o lar, como óleos essenciais, aromatizadores de ambiente e bombas para banho.
No mês do aniversário de 25 anos, a rede lança a Yoga Massagem e a linha Flor de Lótus. A linha combina óleos essenciais e florais de Bach, e é organizada em três eixos – coração, corpo e mente –, incluindo rituais para banho de imersão.
Ainda, o portfólio reúne três home sprays, três óleos essenciais e três bombas aromáticas. “A experiência do cliente dentro da unidade é complementada por produtos de alto padrão, que permitem levar para casa e dar continuidade àquele momento”, explica Albanesi.
Os produtos são desenvolvidos pelo Buddha Lab. “A gente não vende produto pelo produto”, afirma o executivo. “A gente vende um produto que tem um viés de impacto mental, emocional e terapêutico, alinhado à proposta de bem-estar.” A linha atua no que ele chama de “campo vibracional e energético”, em sintonia com a proposta dos serviços.
Na prática, o produto cumpre um papel de relacionamento. Ele mantém a marca presente entre uma sessão e outra, no intervalo em que o cliente poderia esquecer de retornar à unidade.
Bem-estar como aliado da saúde
Ao projetar a próxima década, Albanesi descreve o spa como parte da rotina e não mais como uma exceção. A aposta dele é que o avanço do conhecimento científico sobre os efeitos emocionais e fisiológicos da massagem abra espaço para incentivos que hoje praticamente não existem.
“Imagino que isso estimule planos de saúde, governos ou outras iniciativas a custear e subsidiar as massagens. Isso reduz a sinistralidade e aumenta o bem-estar”, diz. Para ele, as empresas já perceberam esse efeito e pagam pelo serviço para os colaboradores por meio de agregadores de benefícios corporativos.
“Isso tende a se fortalecer e a virar, muitas vezes, política de governo ou de saúde como um todo.”






