- As tentativas de fraude no período de Black Friday e Natal mais que dobraram entre 2025 e 2026.
- O levantamento do Asaas analisou mais de 175 milhões de transações.
- Entre outubro e dezembro, o volume financeiro das fraudes fica 57% acima da média mensal.
- Pix concentra 73% das tentativas e 62% do valor envolvido.
Quanto mais o varejo vende, mais os criminosos tentam passar pelo caixa. Nos últimos 12 meses, as tentativas de fraude mais que dobraram em relação ao ano anterior. E o risco aumenta justamente na temporada mais importante para boa parte do comércio.
Entre outubro e dezembro, o volume financeiro associado às fraudes ficou 57% acima da média mensal do ano. A quantidade de ocorrências cresceu 32% no período marcado pela Black Friday, pelo Natal e pela pressão para vender, confirmar pagamentos e entregar rapidamente.
Os dados fazem parte de um levantamento do Asaas, que analisou mais de 175 milhões de transações realizadas por cerca de 300 mil empresas clientes da plataforma.
Pix concentra as tentativas
A rapidez que tornou o Pix tão popular também diminuiu o tempo disponível para identificar um pagamento suspeito. O meio concentrou 73% das tentativas de fraude e 62% do valor financeiro ligado aos casos analisados. No ano anterior, respondia por 62% das ocorrências.
“O Pix trouxe eficiência para cobrar e receber, mas a mesma instantaneidade encurta o tempo de decisão quando há um sinal de risco”, afirma Anderson Perilo, head de Combate a Crimes Financeiros do Asaas. Segundo ele, as empresas precisam estabelecer critérios para segurar pagamentos fora do padrão e cruzar as informações da transação com o histórico do cliente antes da liberação.
Os boletos apareceram em 18% das tentativas, mas representaram 31% do dinheiro envolvido. Já os cartões responderam por 9% dos casos e 6,5% do volume financeiro.
Ou seja, cada meio de pagamento apresenta um tipo de risco. Enquanto o Pix exige decisões praticamente imediatas, uma quantidade menor de fraudes por boleto pode provocar prejuízos maiores por transação.
Pressa abre espaço para o golpe
A temporada de fim de ano reúne praticamente tudo o que os criminosos procuram: mais compras, equipes sobrecarregadas, consumidores apressados e empresas tentando evitar atrasos. Nesse cenário, uma análise manual ou uma informação alterada depois do pagamento pode passar despercebida.
“Fraude é um problema financeiro, mas também operacional. Quando a empresa está sob pressão de volume, qualquer etapa manual vira gargalo, e é nesse espaço que o criminoso tenta passar”, explica Anderson.
Para as empresas, a recomendação é reforçar as validações em primeiras compras, transações de maior valor e pagamentos fora do padrão. Mudanças de endereço ou de outros dados importantes depois da confirmação merecem atenção.
“Para o consumidor, a regra de ouro é desconfiar de promoções boas demais para serem verdade, avaliar com cuidado links e páginas antes de pagar e sempre conferir os dados do recebedor”, orienta o especialista.







