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Títulos prefixados e NTN-Bs disparam após queda de 0,25 ponto percentual da Selic; confira a renda fixa preferida pelos especialistas

Fonte: Renato Jakitas

A última decisão do Copom, marcada pela divisão do colegiado e pela redução no passo de queda da taxa Selic, agora em 10,50% ao ano, mexeu com o tabuleiro da renda fixa.

E principalmente com a cabeça do investidor, que viu as taxas dos títulos prefixados e papeis indexados à inflação (NTN-Bs) dispararem nesta quinta-feira (9).

Os títulos prefixados (LTN) de médio prazo – aqueles que já saem do forno com a taxa inteiramente definida para quem vai carregá-los até o vencimento – abriram 0,30 ponto porcentual de um dia para o outro. Com vencimento em 2031, subiram de 11,58% para 11,89% em poucas horas.

Já os papeis atrelados à inflação (as NTN-Bs ou, simplesmente, ‘Bs’) dispararam quase 20 pontos base.

Dessa forma, se no pré-Copom pagavam ao investidor o retorno do IPCA, acrescido de um prêmio de 6,13% ao ano (IPCA + 6,13%), nesta quinta-feira entregam IPCA + 6,33%.

Banco Central rachou?

Os títulos estão envenenados. E esse novo gás vem, segundo o mercado, muito em função das incertezas geradas pelo risco de um Banco Central rachado.

O Copom mostrou uma autoridade monetária mais hawkish neste momento, ou seja, mais rigorosa com a inflação.

Mas o colegiado deu pinta de que poderá se tornar dovish a partir do ano que vem. O termo é usado pelo mercado para sinalizar atitudes mais amenas do BC. Roberto Campo Neto, o atual banqueiro central, deixa o posto no fim deste ano.

Cinco dos nove diretores da autarquia votaram por uma redução de 0,25 p.p. Foi a ala “conservadora”, encaminhada pelo governo anterior.

Já os quatro indicados pelo presidente Lula votaram em bloco por uma queda mais forte, de 0,50 p.p., redução que havia sido, diga-se, adiantada por Campos Neto em março.

Tílulos prefixados, pós-fixados ou NTN-Bs?

A reportagem vem conversando desde quarta-feira com especialistas em investimentos para entender, nesse novo cenário, qual tipo de investimentos é mais interessante.

Antes de avançar no assunto, um parêntese.

É consenso entre especialista que um investimento seguro deve contemplar uma cesta de ativos, com alocações diversificadas e adequadas ao perfil de cada investidor.

Nesse contexto, Camila Fioravante, especialista em portfólio e recomendações de investimentos do banco Itaú, já vem dizendo desde o começo do mês que a aplicação mais segura e com melhor custo benefício no momento são os títulos atrelados à inflação, as NTN-Bs.

“Estão pagando prêmios ótimos. Eu acho os prefixados com muito risco implícito, principalmente para prazos mais longos”, afirma. “Essa queda de 0,25% da Selic e esse cenário de um BC dividido já fazia parte de nosso cenário-base há algum tempo”, afirma.

As NTN-Bs parecem consenso.

Kaique Fonseca, especialista em renda fixa e sócio da A7 Capital, diz gostar da opção. “Se eu tivesse um único dinheiro, eu colocaria no título atrelado à inflação”, conta.

Segundo ele, o prêmio de 6,33% ao ano para um título com vencimento em 2035, como é possível encontrar no mercado, pode deixar o investidor perto do tão sonhado retorno de 1% ao mês.

“Se a gente for levar em consideração que a inflação, em média nos últimos anos, tem rondado os 6%, estamos falando de 12% de retorno ao ano”, afirma.

Ele gosta dos prefixados de curto prazo, que pagam valores próximos a 11% ao ano, bem acima da taxa de juros esperada para o período.

Mas desaconselha os de longo prazo. Assim como Camila Fioravante, a opção acrescenta muito risco à carteira.

Cenário é incerto

“Prefixado, eu iria até o prazo de dois anos”, diz Jayme Carvalho, economista da SuperRico. “No cenário atual, depois desse Copom, eu prefiro os títulos de inflação a partir de dois anos. Pode ser o com vencimento em 2029, que paga IPCA + 6,28%. É muita taxa e uma volatilidade baixa”, diz.

Jayme não gosta dos títulos de NTN-Bs acima de 2035 simplesmente porque está inseguro com os rumos fiscais do Brasil.

Ele vê o risco de uma política fiscal complicada e um BC mais leniente com juros a partir de 2025 desembocar em alta de inflação. “Títulos longos geram desconforto na marcação a mercado”, afirma.

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