Sólides entra no crédito consignado privado em parceria com o BV – NeoFeed

Fonte: Rodrigo Loureiro

Quando captou R$ 530 milhões junto a Warburg Pincus, a Sólides colocou em prática um plano para diversificar a operação da startup que fornece um software para a gestão de RH de pequenas e médias empresas. Essa estratégia envolveria desenvolver novos produtos internamente, fazer aquisições e firmar parcerias.

Nos últimos dois anos, a companhia fundada por Alessandro Garcia e Mônica Hauck fez jus à meta. A startup desenvolveu ações como o Portal de Vagas, sua primeira iniciativa B2C, e fez a aquisição da Tangerino, companhia voltada para o controle de ponto digital. Faltava, no entanto, um olhar maior para as parcerias.

Nesta terça-feira, 27 de fevereiro, a Sólides colocou em prática a terceira fase do seu plano de expansão. A companhia anunciou um acordo junto ao Banco BV para lançar um produto de crédito privado na forma de consignado para as mais de 25 mil empresas que são clientes da startup de RH, um mercado de R$ 41,3 bilhões em 2023, segundo estimativas do Banco Central.

“Apesar de tudo o que fizemos ao longo dos últimos anos e meses, estamos apenas começando a arranhar a superfície deste mercado endereçável muito maior”, afirma Mônica Hauck, cofundadora e CEO da Sólides. No ano passado, a empresária já havia dito ao Vida de Startup que planejava costurar mais parcerias em 2024.

A solução começou a ser desenhada no ano passado e faz parte de uma estratégia da Sólides para explorar cada vez mais soluções financeiras. No ano passado, a startup já havia entrado neste ramo ao lançar um cartão de benefícios flexíveis que a tornou uma competidora para empresas como Flash, Alelo e iFood.

No consignado privado, a Sólides irá ganhar uma taxa do BV a partir da originação de crédito. As empresas que vão oferecer os produtos para os empregados não terão custos. Já os colaboradores que usufruírem da solução terão os pagamentos descontados diretamente em folha.

As empresas não revelam quais serão as taxas de juros cobradas, mas informam que o percentual varia de acordo com cada empresa e funcionário. O que se sabe é que os pagamentos não podem comprometer mais do que 30% do valor da remuneração em folha.

A intenção da Sólides é oferecer o produto para todas as empresas de sua base, mas isso vai depender de uma análise do BV, que avalia o risco de acordo com a indústria. “Empresas de setores com alta rotatividade podem ter um risco maior, o que faz com que as taxas sejam mais altas”, afirma Alberto Lopes, diretor de vendas da Sólides.

O sucesso desta iniciativa financeira vai ser um termômetro para a Sólides testar o interesse de seus clientes em mais benefícios. No longo prazo, a companhia estuda formas de conseguir oferecer também planos de saúde, odontológicos, produtos de previdência privada, entre outros.

A ideia é explorar mais parcerias. “É mais vantajoso para entender como vai ser endereçável”, afirma Lopes. “Quando você fala de produto financeiro, você tem o risco de capital. Se eu tivesse que abrir um FIDC, isso obrigaria a assumir um risco financeiro em um negócio que eu não sou especializado.”

As expectativas nesta divisão são altas. A estimativa é de que a carteira de crédito com os clientes da Sólides poderá superar R$ 22 bilhões. Alberto Lopes, diretor de vendas da Solides, diz que espera que, em um período de dois a três anos, os produtos financeiros possam ser tão relevantes financeiramente para a startup como a solução de RH.

O número soa exagerado porque leva em consideração que cerca de 70% dos funcionários das empresas atendidas pela Sólides, algo em torno de 3,5 milhões de pessoas, fariam a contratação do produto no longo prazo e sob um tíquete médio de R$ 15,6 mil. Além de ser mais da metade de tudo o que o crédito consignado privado movimentou em 2023.

O crédito consignado vem chamando a atenção dos bancos. No ano passado, o Neon começou a formular uma estratégia para avançar neste tipo de produto. Mais recentemente, o Banco do Brasil, reportou que uma fatia de R$ 126 bilhões da carteira de crédito de R$ 1,1 trilhão em 2023 foi concedida no consignado.

Algumas fintechs também estão de olho nesta fatia do mercado. Em 2021, a MeuTudo, especializada em crédito consignado, levantou R$ 2 bilhões com o Goldman Sachs. O PicPay também ingressou neste ramo no ano passado, ao comprar a BX Blue.

Fique Por Dentro

Sólides espera oferecer a solução para as mais de 25 mil empresas clientes

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