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Parceria entre Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) beneficia o consumidor? Veja o que pensa especialistas – Money Times

Fonte: Juliana Caveiro
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(Imagem: Facebook/Azul Linhas Aéreas Brasileiras)

Após muito negar a compra de sua concorrente, a Azul (AZUL4) finalmente anunciou seus planos com a Gol (GOLL4). Nesta quinta-feira (23), as companhias áreas soltaram comunicado informando o acordo de codeshare entre as duas empresas.

A parceria entre elas, segundo o documento enviado ao mercado, se resume em disponibilizar rotas domésticas exclusivas, ou seja, que são operadas por uma das duas empresas e não a outra, para os clientes de ambas, podendo ter oportunidades de conexões “mais convenientes”.

Na prática, o documento explica que será possível partir do Rio de Janeiro com destino a Marabá, incluindo uma parada em Belém, coisa que antes não era possível por conta da exclusividade.

Desta forma, voos que dependeriam de diversas escalas passam a ficar mais rápidos. No entanto, a agilidade pode ser transformada em aumento de preço ao consumidor. Augusto Muraoka, especialista em crédito do Banco Central e criador do perfil @queroviajarnafaixa, avalia que, com uma menor concorrência, o valor das passagens podem acabar subindo.

“A conclusão que eu tenho é de que [os preços] vão aumentar. Como as duas vão atuar em conjunto, agora terão rotas mais curtas e irão atender muito mais destinos. Hoje a Azul atende mais de 150 cidades do Brasil inteiro, enquanto a Gol atende 60. Então eles irão otimizar esforços para gastar menos e também vai cobrar mais por isso”, explica Muraoka.

O analista de investimentos do BB Investimentos, Luan Calimerio também ressalta que o resultado de operações como esta normalmente caem sobre o consumidor, uma vez que o aumento de comodidade ao cliente é proporcional a uma cobrança maior de tarifas.

No entanto, ele lembra que parcerias de coldeshare anteriores como a da Tam e da Varig, que na época aconteceram justamente para proteção contra à política de preços mais baixa da Gol, mantiveram os preços. “As tarifas normalmente aumentam e, quando não aumentam, se mantêm quase iguais”, explica o analista.

Adicionado a isso, outro ponto mencionado pelo profissional é a questão da experiência do consumidor, que pode ser afetada com uma queda na qualidade do serviço.

Programas de fidelidade unificados

Além disso, a parceria conta também com a unificação dos programas de fidelidade da Gol, o Smiles, e da Azul, o Azul Fidelidade. Neste caso, será possível juntar pontos no programa da escolha do cliente, mesmo que a passagem seja comprada por meio de única companhia.

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Na visão do especialista em educação financeira em milhas, Rodrigo Góes, a parceria beneficia principalmente aqueles que tem preferencia por utilizar um único programa de fidelidade, mas que eventualmente acaba utilizando outra companhia, justamente em casos de trechos exclusivos.

“Passa a ser um benefício no sentido de ser mais um programa de fidelidade que eu tenho a opção de pontuar”, explica Góes.

O aumento no preço em milhas também pode acontecer, justamente por consequência do possível aumento de preço nas passagens. No entanto, o efeito seria um pouco mais tardio, na avaliação de Muraoka.

Ligando as turbinas: Azul e Gol podem estar testando sinergia e fusão está no radar

Esse, segundo os especialistas do mercado, seria um possível teste de sinergia para um novo passo em direção a uma fusão entre as empresas.

Os analistas Victor Mizusaki, do Bradesco BBI, e Wellington Lourenço, da Ágora Investimentos, argumentam que esse acordo parece mais robusto se comparado com aquele assinado entre a Azul e o Grupo LATAM Airlines em agosto de 2020, uma vez que não envolveu os programas de milhagem e foi restrito a 64 rotas domésticas.

Para Ygor Araújo, analista da Genial Investimentos, esse é um momento importante para a Azul justamente para validar a tese de uma possível fusão.

“Para a Azul esse acordo é melhor do que uma fusão, acho que essa é uma mensagem importante. Esse primeiro teste é uma validação da tese de, se ela quiser, dar prosseguimento com essa fusão ou aquisição”, explica Araújo.

Já na visão do analista do BB Investimentos, a fusão seria uma boa solução principalmente para a Gol, que está em processo de recuperação judicial, e criaria uma empresa muito mais forte no setor, já que a gama de possibilidades dos clientes aumentaria e muito.

No entanto, a preocupação ficaria novamente do lado dos clientes, já que o saldo não seria positivo.”O poder de barganha fica mais forte para o lado da companhia. Claro que existem questões regulatórias e que os consumidores têm os seus direitos, mas via de regra, numa lei de mercado normal, menor competição gera mais preço”, explica.

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