Os “cálculos de sucesso” (e o que martela a cabeça) de Romero Rodrigues – NeoFeed

Fonte: Carlos Sambrana

Romero Rodrigues faz o cálculo com a frieza de um investidor e o olhar estratégico de quem foi empreendedor. Não é qualquer empresa, diz ele, que, em oito anos, vai conseguir escalar de zero de receita para R$ 1 bilhão em faturamento. Para isso, precisa ter uma base tecnológica e um time muito bom. E, mesmo assim, lá vem outro cálculo.

Rodrigues, à frente do fundo da gestora Headline, que tem a XP Asset como parceria, e R$ 916 milhões sob gestão no Brasil, faz outra conta fria e dura: 90% das startups morrem tentando encontrar um fit de produto e de mercado. Os cheques da Headline, entre R$ 5 milhões e R$ 25 milhões, vão para as empresas que superam essa barreira. E a matemática, novamente, é implacável.

Até agora, a Headline fez investimentos em sete startups e ainda conta com R$ 800 milhões para investir. A meta é alcançar cerca de 25 empresas. “Nesse portfólio que a gente está montando, um terço deve morrer, um terço deve andar de lado e o último, um terço vai dar retorno para o fundo todo”, diz Rodrigues em entrevista ao programa É Negócio, parceria do NeoFeed e da CNN Brasil, que vai ao ar, no domingo 17, na TV e em todas as plataformas da CNN Brasil.

Na entrevista, Rodrigues, que foi um dos primeiros investidores da Movile, dona do iFood; da Hotmart, da Gympass, entre outras, conta também os fatores que ele leva em conta antes de assinar um cheque para uma startup. “A gente olha três grandes critérios. Primeiro, o tamanho do mercado. Em segundo lugar, o problema que esse time está resolvendo. Quanto maior a dor, será mais fácil gerar valor e monetizar, rentabilizar”, afirma.

Por último, ele elenca os fundadores que estão tocando esses negócios. “Um negócio nota sete com um time nota dez, eu posso investir. O inverso não dá. Porque um produto nota dez não consegue demitir um time nota sete e contratar outro time. Mas o time nota dez muda o produto.”

O hoje investidor também faz uma revelação inédita. Rodrigues cofundou o Buscapé com amigos de faculdade e vendeu a empresa, em 2009, por US$ 370 milhões ao fundo sul-africano Naspers, hoje chamado de Prosus. “Uma das perguntas que vem na minha mente até hoje é se eu deveria ou não ter vendido Buscapé”, diz ele.

“Éramos uma empresa que faturava R$ 700 milhões por ano. A gente já tinha por dois trimestres, ultrapassado o Mercado Livre em tamanho, tinha 30% do comércio eletrônico passando pelo Buscapé. Se eu pudesse voltar no tempo, eu repensaria muito aquela decisão”, afirma Rodrigues.

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