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No call de resultados da Vale, o prato principal foi a fusão entre as concorrentes – NeoFeed

Fonte: Ivan Ryngelblum

A Vale divulgou os resultados relativos ao primeiro trimestre deste ano em meio a um período de preços depreciados do minério de ferro. Ainda que alguns críticos tenham ponderado que os custos tiveram uma piora, os números apresentados pela mineradora foram considerados neutros

Mas, na teleconferência que ocorreu na quinta-feira, 25 de abril, a administração da Vale tratou de duas questões que estão no centro das atenções dos investidores, uma mais recente e outra que vem há anos pesando sobre a tese de investimento.

A primeira foi a notícia da oferta de £ 31 bilhões (cerca de US$ 39 bilhões) da BHP, um dos maiores concorrentes da Vale, pela Anglo American, uma operação que promete sacudir o mercado global de mineração, caso siga adiante.

Na call, Eduardo Bartolomeo, CEO da Vale, disse que a companhia está “digerindo o assunto”, considerando o fato de que se trata de uma notícia recente e que, por enquanto, a companhia vai monitorar o possível deal entre BHP e Anglo American. “Vamos acompanhar esse acordo, mas ele não muda nossa estratégia”, afirmou.

Questionado se a Vale teria interesse de adquirir alguma operação da Anglo American, depois de ter anunciado em fevereiro a compra de 15% do complexo Minas-Rio, Bartolomeo disse que a companhia analisa oportunidades, vendo alguns ativos interessantes, mas que está mais interessada em desenvolver seu próprio portfólio na parte de minério.

“Temos opções internas melhores e mais baratas em que estamos focados”, afirmou o CEO. “Não vamos entrar em bids que não fazem sentido para nós.”

Bartolomeo também descartou a possibilidade de o negócio envolvendo a Minas-Rio ser desfeito diante de um acordo entre BHP e Anglo American. “Não vemos impactos, o acordo vai ser respeitado, mesmo se vier algo depois, com uma nova administração”, afirmou.

A questão de Mariana

O segundo ponto tratado pela Vale foi em relação aos alores das reparações relativas ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. A estrutura era de propriedade da Samarco, uma companhia controlada pela Vale e pela BHP.

O caso é considerado um overhang sobre as ações da Vale, pesando sobre seu desempenho em comparação com seus pares globais, ainda mais depois do rompimento de outra barragem, dessa vez da Vale, em Brumadinho, em 2019.

Segundo Gustavo Pimenta, CFO da Vale, existe a expectativa de, até a metade do ano, a companhia chegar a um “acordo negociado”. Segundo informações da agência de notícias Reuters, uma nova proposta por um acordo foi apresentada ao governo federal e aos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

“Estamos engajados com as partes, o processo de mediação está ocorrendo, e nós nos engajamos de forma mais forte nos últimos meses”, disse Pimenta. “Até meados do ano podemos chegar a um acordo negociado.”

O executivo não tratou de valores, mas o balanço da Vale aponta que as provisões envolvendo a Samarco e a Fundação Renova, criada para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, aumento em 24% no primeiro trimestre, em base anual, para US$ 3,97 bilhões (R$ 20,5 bilhões).

O balanço aponta ainda que na reparação de Mariana, cerca de R$ 37 bilhões foram desembolsados com remediação e indenização, e aproximadamente 85% dos casos de reassentamento já foram concluídos.

A Vale encerrou o primeiro trimestre com um lucro líquido de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões), queda de 9% em base anual. A receita líquida ficou estável, em US$ 8,4 bilhões (R$ 43,6 bilhões) e o Ebitda ajustado caiu 7%, para US$ 2,7 bilhões (R$ 14 bilhões).

A dívida líquida avançou 14%, a US$ 10,1 bilhões (R$ 52,1 bilhões), com a alavancagem financeira subindo de 0,5 vez para 0,6 vez. O fluxo de caixa livre totalizou US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões), queda de 12% em base anual.

Por volta das 14h, as ações da Vale caíam 1,90%, a R$ 62,35. No ano, elas acumulam queda de 14%, levando seu valor de mercado a R$ 267,8 bilhões.

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