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Na Petlove, um erro de cálculo “animal” no centro de distribuição – NeoFeed

Fonte: Rodrigo Loureiro

A Petlove demorou alguns anos para se transformar em uma startup. Muito antes de se tornar uma empresa com faturamento de mais de R$ 1,3 bilhão e que já captou mais de R$ 1 bilhão junto a investidores, o fundador Marcio Waldman tinha como principal ocupação a administração de uma clínica veterinária no centro de São Paulo.

Médico-veterinário por formação, Waldman fundou o negócio ainda no começo da década de 1990. Na época, começou a escutar reclamações de seus clientes em relação às dificuldades de trânsito e de vagas de estacionamento na clínica. Ele decidiu, então, que era hora de levar o negócio para a internet.

“Eu precisava atender meus clientes a distância”, diz Waldman, que atualmente é membro do conselho de administração da Petlove, ao Vida de Startup, do NeoFeed. “O cliente só iria para a clínica quando realmente precisasse de atendimento.”

Ao mesmo tempo em que superou o problema da logística, Waldman passou a ter de lidar com desafios, como os pagamentos das compras. “Naquela época ninguém confiava na internet para colocar o cartão de crédito e o boleto demorava cinco dias para compensar”, afirma o empreendedor.

Com o desenvolvimento da rede, as compras online se tornaram mais comuns aos consumidores. A Petlove, na época chamada de Petsupermarket, surfou no boom do crescimento do e-commerce. O próximo desafio seria como escalar a operação para atender um número ainda maior de clientes.

Waldman concluiu que seria necessário recorrer a investidores. “Entre 2005 e 2011, comecei a estudar esse mundo de investimentos. Ainda era algo muito incipiente”, diz o fundador da Petlove. Em 2011, a companhia captou seu primeiro aporte junto às gestoras Tiger Global, Kaszek e Monashees.

Com o investimento recebido, a companhia conseguiu alavancar o negócio e chegou a crescer mais de 200% ao ano em alguns períodos. Foi nesse momento, em 2017, que surgiu um problema na companhia: um gargalo na capacidade de armazenagem de produtos.

Waldman diz que a empresa operava com um centro de distribuição em Osasco, na Grande São Paulo, que “já estava entupido”. O plano era mudar para uma estrutura em Extrema, em Minas Gerais. “Calculamos errado e subestimamos os custos”, diz ele. “Chegou no meio da mudança e o dinheiro acabou”.

Sem dinheiro para concluir o processo de transição entre os centros de distribuição, a companhia precisou apertar os cintos. Waldman, por exemplo, ficou sem receber pró-labore durante 12 meses. “Sem sombra de dúvidas correu [o risco de fechar as portas]”, diz o empresário.

A recuperação foi mais rápida do que o esperado. Em pouco mais de seis meses, o negócio já estava equilibrado financeiramente e a companhia começou a avançar na criação de um ecossistema que resultou posteriormente na aquisição de empresas como Vet Smart, Nofaro e DogHero.

“Eu sabia que a briga por centavos no saco da ração aconteceria”, diz Waldman. O empreendedor afirma que sua primeira ideia era criar um one-stop-shop para o mercado de pet. O plano, posteriormente, evoluiu para a criação de um ecossistema para o dono de pet.

No episódio mais recente do Vida de Startup, Waldman conta os desafios que ainda faltam para a empresa consolidar a construção de seu ecossistema e também comenta sobre o mercado de pet que, após a entrevista, passou por uma grande união de forças com a fusão entre Cobasi e Petz, duas concorrentes da Petlove.

Na época, questionado sobre a possibilidade dessa fusão acontecer, Waldman afirmou que o movimento era visto “com muita tranquilidade”. “Há espaço para todo mundo.”

Fique Por Dentro

Empresa nasceu das dificuldades de uma clínica veterinária em São Paulo

Negócio faturou R$ 1,3 bilhão em 2023 e já captou mais de R$ 1 bilhão

Primeiros investidores foram Monashees, Kaszek e Tiger Global

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