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Menos empregos nos EUA: vem aí um rally da bolsa? 

Fonte: Alexandre Versignassi

Lembra o rally da bolsa no final do ano passado? O Ibovespa fechou 2023 com uma alta buffettiana de 22%. Mas tem um detalhe. Até o dia 30 de outubro, com o ano prestes a fechar as portas, o índice estava quase no zero a zero. Tinha subido parcos 2%. 

O que aconteceu? O Payroll aconteceu. Na primeira semana de novembro, o relatório de emprego mais importante dos EUA, referente a outubro, veio com números animadores: a criação de novas vagas ficou em apenas 150 mil – 30 mil abaixo das previsões e menos da metade do número de setembro (336 mil).

A lógica, sempre vale lembrar, é a inversa no cenário atual de juros escorchantes: quanto menos vagas, melhor para o mercado financeiro – sinais de fraqueza na economia americana forçam o Fed a começar de uma vez a redução nos juros; e tudo o que importa agora é que a taxa lá fora saia dos 5,5%, a maior em 23 anos.  

Bom, nesta sexta (3), veio o melhor Payroll possível (nessa leitura market friendly): criação de 175 mil vagas, contra 243 mil do consenso elaborado pela Lseg. 

Detalhe da fachada da Bolsa de Valores de Nova York em Wall Street, em Nova York
Foto: Adobe Stock Photo

Aqui, vale mais um recap. Depois daquele payroll de outubro, foi só pancada. Todos vieram acima das previsões.

Pior: em janeiro e no de março a criação de novas vagas ficou além da linha vermelha de 300 mil – número diante do qual as previsões sobre o futuro das taxas dos Fed tendem a ficar assombrosas, como ficaram (o que jogou o dólar lá para cima e as ações lá para baixo nos últimos meses). 

Essas 175 mil vagas de agora são o melhor resultado desde outubro. E nesse mundo invertido de “quanto pior para a economia real, melhor para a virtual (a do mercado financeiro)” veio outro dado ruim que é bom: aumento no desemprego, de 3,8% para 3,9%.  

E a reação do mercado foi imediata. S&P 500 e seu às vezes fiel cão, o Ibovespa, abriram em altas ao norte do 1%. Os treasuries de 10 anos, que refletem as expectativas quanto ao amanhã dos juros, tombaram de 4,54% logo antes do anúncio do payroll para 4,46% imediatamente depois – queda de relevantes 9 pontos base.

Caem os títulos públicos americanos, cai o dólar: -0,87% ante o real na manhã de sexta, a R$ 5,07. 

E com o clima mais amigável para os juros, os títulos IPCA+ deram uma folguinha. O 2035 caiu dos monstruosos 6,20% aa de ontem para 6,16%.

E como será o amanhã? Para dizer isso, a Grécia antiga tinha o Oráculo de Delfos, nas encostas do monte Parnaso. Já o mercado financeiro tem o Fed Watch, ferramenta situada nas encostas da Bolsa Mercantil de Chicago (a CME).

A pesquisa diária da CME com investidores passou a apontar o seguinte: até ontem, 38,4% acreditavam que o Fed chegaria à reunião de novembro sem ter cortado um fio de cabelo dos juros. Essa proporção caiu para 28%.

O próximo dado fundamental para traçar o futuro chega só no dia 15 de maio, o CPI (IPCA dos EUA). E ele vem acelerando: 

Janeiro: 3,1%

Fevereiro: 3,2%

Março: 3,5%

Ou seja, até este momento, o CPI só tem dado combustível ao Fed para manter os juros na ionosfera. Agora é ver se, a exemplo do Payroll, o índice vai mostrar alguma desaceleração. 

Para o JP Morgan, um CPI dócil o bastante pode ressuscitar a expectativa de um primeiro corte em julho – porque com essa nem o Payroll deu jeito: a maioria (perto de 60%) segue não acreditando nessa possibilidade.

Mercado escaldado, afinal, tem medo de água fria. Mesmo depois do banho quentinho desta manhã.

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