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‘Inflação’ do bitcoin é menor do que a do ouro | InvestNews

Fonte: Mayara Souza

O quarto halving do bitcoin aconteceu em 19 de abril de 2024, e analistas estão fazendo suas ponderações sobre seus efeitos no modelo econômico da criptomoeda.

O halving é o evento que corta pela metade a recompensa paga para os mineradores de bitcoin. Ele é programado para acontecer a cada 210 mil blocos minerados – cerca de 4 anos –, e reduz a taxa de emissão de novos BTCs na rede. 

Cada bloco de bitcoin, minerado aproximadamente a cada dez minutos, agora produz apenas 3,125 novos BTCs, 50% do que era antes (6.25 BTCs).

Isso significa que, antes, eram gerados 900 BTC diariamente. Em um ano quantia era equivalente a uma “inflação” de 1,7% – no caso, a taxa com que o suprimento de unidades novas da moeda cresce. Assim, os atuais novos 450 BTC, essa taxa caiu para 0,85%.

O ponto é: quando criou o bitcoin, em 2009, Satoshi Nakamoto (ou quem quer que seja), estipulou que a oferta máxima de BTCs seria de somente 21 milhões de unidades. 

Não há como encontrar ‘outras jazidas por acaso’ e aumentar essa quantidade. Serão 21 milhões de unidades e acabou. Ou seja, o bitcoin é imutavelmente deflacionário por natureza.

Até o momento, 93,77% de toda a oferta possível do bitcoin já foi minerada. Está no mercado. 

Ok, mas e o ouro com isso? É simples: ao contrário do bitcoin, o ouro não possui um mecanismo semelhante de controle de oferta. Enquanto a mineração de BTC tem diminuído ao longo do tempo, a do ouro continua a um ritmo constante, como mostra o gráfico abaixo.

De acordo com um recente relatório da Glassnode, renomada empresa de análise de blockchain e criptomoedas, essas métricas colocam a taxa de emissão de novos bitcoins abaixo da taxa de mineração de novas toneladas do ouro – 2,5%.

Ainda que seja raro, o ouro é amplamente utilizado em diversas aplicações, tanto em forma de joias e adornos como em aplicações industriais e tecnológicas. Como reflexo, a corrida pelo metal precioso nunca para, e novas reservas são descobertas periodicamente, desconfigurando-o como um ativo intrinsecamente deflacionário, como muitos mencionam. 

Descrição: Ouro é raro, mas sua produção tem sido constante por décadas. 

Fonte: BartChart

Sai o físico, entra o digital

Em um mundo no qual bancos centrais imprimem dinheiro sem parar, o bitcoin oferece uma alternativa. Embora seja marcado por alta volatilidade, sua oferta limitada e sua taxa de inflação decrescente são características que se alinham perfeitamente com os critérios para um ativo de refúgio seguro durante períodos de incerteza econômica.

Do ponto de vista técnico, o bitcoin possui características que o tornam um ativo relativamente seguro: sua descentralização, a transparência de sua blockchain e o fato de ser um ativo finito.

Ao longo dos anos, o coeficiente de correlação entre o bitcoin e o ouro flutua. Coeficiente de correlação é o seguinte: se ele for de 100%, significa que o ouro e o bitcoin sobem ou descem de valor em uníssono. Se ele for de 0%, temos que não há relação alguma – cada um sobe ou desce de forma independente.

Desde a turbulência nos mercados em 2020, no início da pandemia, houve uma aproximação. E ao final de 2023 ela estava em cerca de 75%, de acordo com a Long Term Trends.

Apesar de certa desconfiança, a substituição do ouro pelo bitcoin é uma tese há muito esperada por entusiastas da criptomoeda. Tanto que o bitcoin, por vezes, é chamado de ouro digital.  

Ainda que seja prematuro prever se o bitcoin irá alguma vez igualar o ouro em termos de estabilidade, o ecossistema do bitcoin está evoluindo, e seu papel também pode mudar com o tempo. 

Novos halving virão. Não é ilusório achar que uma substituição do ouro pelo bitcoin pode sair do mundo das ideias.

*As opiniões dos colunistas não representam necessariamente a posição do InvestNews

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