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Dona das redes KFC, Pizza Hut e Frango Assado vê balanço “aquém”, mas não muda apetite para 2024 – NeoFeed

Fonte: Moacir Drska

Quando a IMC publicou seu resultado do quarto trimestre e do ano consolidado de 2023, no fim de março, o mercado não digeriu bem os indicadores. No pregão seguinte ao anúncio, as ações do grupo de food service dono de marcas como KFC, Pizza Hut e Frango assado recuaram 18,9%.

Dois meses depois, a empresa volta a testar o apetite dos investidores. Dessa vez, com o seu balanço do primeiro trimestre, divulgado na noite desta quarta-feira, 15 de maio. E que, entre outros números, traz um prejuízo de R$ 27,9 milhões, 51,3% menor do que a perda registrada no mesmo período de 2023.

“Eu gosto sempre de falar do filme completo e não apenas da fotografia”, diz Alexandre Santoro, CEO da IMC, ao NeoFeed. “Nós entramos em 2024 com uma posição financeira sólida, fruto de uma série de medidas que implementamos, mas o primeiro trimestre veio aquém do que havíamos planejado.”

Ao ressaltar que o primeiro trimestre, tradicionalmente, é o que menos pesa no desempenho anual consolidado da companhia – cerca de 10% do resultado, o executivo apontou três fatores, em particular, que “mancharam” esse retrato da operação entre janeiro e março de 2024.

O primeiro componente foram as condições climáticas nos Estados Unidos, especialmente em janeiro, que levaram o grupo a fechar temporariamente parte de suas lojas naquele mercado, onde a IMC atua com a bandeira Margaritaville.

Já no mercado brasileiro, Santoro citou, em primeiro lugar, a queda na receita de postos de combustíveis, em virtude dos preços praticados no mercado. E destacou ainda o peso gerado pela concentração, em dezembro, da abertura de um número considerável de lojas.

“Algumas obras acabaram sendo postergadas e o ramp-up acaba demorando mais”, observa o executivo. “Esse foi um ponto que afetou a entrega de resultados que tínhamos planejado na última linha do balanço.”

Ele ressalta que, isolados esses efeitos, a receita da operação brasileira teve um crescimento de 12%. Já a receita líquida total no período avançou 2,5%, para R$ 506,7 milhões, enquanto a receita do sistema – que inclui as vendas das franquias – tiveram alta de 4%, para R$ 732,9 milhões.

Em outros números do período, as vendas mesmas lojas cresceram 2,1%, contra o patamar de 14,3% divulgado um ano antes. O Ebitda ajustado ficou em R$ 37,9 milhões, queda de 7,1% em base anual, e a margem Ebitda caiu de 8,2% para 7,5%.

A empresa fechou o trimestre com um consumo de caixa de R$ 42 milhões, ante uma geração de caixa de R$ 19,1 milhões no mesmo intervalo de 2023. A dívida líquida foi de R$ 326,3 milhões, ante R$ 300,1 milhões na mesma base de comparação. Já alavancagem foi de 2,1 vezes, contra 1,8 vez em 2023.

“Nós já vemos uma melhora e esse desempenho no trimestre não muda em nada nossa fotografia para 2024”, afirma o CEO. “Nos Estados Unidos, o foco é o ramp-up das aberturas que fizemos e, no Brasil, a prioridade é aumentar as vendas mesmas lojas.”

No Brasil, essa estratégia passa, por exemplo, pela ampliação dos menus. Na Pizza Hut, a IMC já vinha investindo para marcar presença em outros horários e ocasiões de consumo e lançou, no trimestre, a opção de sanduíches Melts. No KFC, a novidade foram os “Cubinhos de Frango”.

Já no Frango Assado, o lançamento envolveu um pão de semolina – carro-chefe da rede – com calabresa. Nessa operação, porém, o cardápio inclui ainda ingredientes como o investimento na melhora da infraestrutura das lojas.

No que diz respeito à expansão, o grupo registrou um cardápio ainda modesto no período, com a abertura de duas lojas – uma da Pizza Hut e outra da Margaritaville, nos Estados Unidos. Santoro prevê um ritmo ainda mais cauteloso nesse trimestre e uma retomada a partir do segundo semestre.

“O que vamos fazer de diferente em relação a 2023 é diluir as inaugurações ao longo do semestre”, diz. “Já temos muitas negociações em andamento e devemos ter uma curva de aberturas maior no período.”

Enquanto o mercado aguarda esses próximos passos, as ações da IMC fecharam a quarta-feira com alta de 2,01%, cotadas a R$ 1,52. No ano, porém, os papéis têm uma desvalorização de 23,2%. O grupo está avaliado em R$ 433,8 milhões.

Fique Por Dentro

A IMC reportou um prejuízo de R$ 27,9 milhões no trimestre

A cifra foi 51,3% menor comparada à perda do primeiro trimestre de 2023

No período, a receita líquida do grupo cresceu 2,5%, para R$ 506,7 milhões

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