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É possível abrir uma conta internacional para menores de 18 anos?

Fonte: Daniel Navas

Depois de uma certa idade, é normal que os filhos queiram explorar o mundo sem a presença dos pais. E isso inclui uma viagem com os amigos e até mesmo um intercâmbio. A preocupação, claro, vai sempre existir. Inclusive com relação ao bolso. Por isso, muitos pais buscam saber se é possível abrir uma conta internacional para menor de 18 anos.

A dúvida é bastante plausível. Afinal, o processo facilita a transferência de dinheiro, além de uma melhor organização financeira.

Então, para facilitar a sua vida – e a dos seus filhos também –, a Inteligência Financeira conversou com alguns especialistas que trouxeram a resposta, que, veja só, pode não ser bem o que você espera.

“Não é possível abrir uma conta internacional para menor de 18 anos”, afirma Wanessa Guimarães, sócia da HCI Invest e planejadora CFP pela Planejar.

De acordo com a especialista, a principal razão está em normas regulatórias e de proteção ao consumidor. “A abertura de conta internacional para menor de idade é restrita por um conjunto de normas e regulamentações que visam proteger os menores, o sistema financeiro e prevenir atividades ilícitas”, acrescenta.

Cartão para menor de 18 anos é opção

Desse modo, já que não tem como abrir uma conta internacional em nome de jovens com menos de 18 anos, qual seria a solução? O famoso cartão de débito internacional, que aliás, fizemos uma matéria sobre o produto aqui.

Vale saber, então, que esse cartão vai funcionar como um cartão de débito direto do saldo da conta internacional em moeda estrangeira. “Os pais farão o envio do crédito para os filhos sempre que necessário. O processo é bem parecido com a recarga de valores no celular”, explica Marlon Glaciano, planejador financeiro e especialista em finanças.

Já para Felipe Penna, diretor de serviços financeiros bancários da Avenue, a funcionalidade visa facilitar a gestão financeira e proporcionar maior controle aos titulares. “O que garante que os menores de 18 anos estejam sempre amparados durante suas ausências ou estadas no exterior”, diz.

No caso da Avenue, por exemplo, a emissão do cartão internacional para menores de idade é permitida a partir dos 12 anos.

“A vantagem da conta internacional é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) menor de 1,1% e as principais plataformas realizam o câmbio comercial. A transferência do recurso em real pode ser feita via pix ou TED para conta internacional. Em seguida, deve ser realizado o câmbio para conversão do saldo para moeda estrangeira”, ensina Wanessa.

Como pedir cartão para menor de 18 anos

Então, a solicitação desse “dinheiro de plástico” é feita na própria plataforma da conta internacional. E aí, os dependentes recebem um cartão físico ou virtual sem acesso a conta.

“O cartão, tanto físico quanto digital, permite pagamentos online, em lojas físicas e no exterior usando moeda estrangeira com a taxa de câmbio já convertida diretamente na conta internacional. Facilitando assim, a gestão para compra da moeda em dias de melhores cotações”, conta Wanessa.

Cartão de crédito é uma boa alternativa?

Além disso, a maioria das pessoas logo pensa no cartão de crédito para as viagens internacionais. O porém está no valor cobrado de IOF, que gira em torno de 4,38%. Por isso, se a escolha for o cartão de crédito mesmo, é importante ficar de olho em alguns benefícios do produto.

“Nesse caso, então, será importante utilizar um cartão de crédito que devolva como cashback o IOF adicional cobrado em relação ao valor de 1,10% da taxa de câmbio”, pontua Glaciano.

Planejamento é bom mesmo sem conta internacional para menor de idade

Então, ainda que a opção seja o cartão para menor de 18 anos, é muito importante falar sobre as finanças com os filhos. Por isso, pedimos para que os especialistas entrevistados dessem dicas de como os pais devem abordar o assunto planejamento financeiro com sua prole. Veja só!

Estabeleça um orçamento claro

E comece explicando exatamente da importância desse cálculo. “Discuta quanto dinheiro estará disponível e como ele deve ser dividido para cobrir diferentes tipos de despesas. Seja alimentação, alojamento, transporte, lazer e emergências”, comenta Wanessa Guimarães.

E claro que isso tudo deve ser feito com antecedência. “O que ajudará a ter uma ideia mais precisa de quanto dinheiro será necessário”, argumenta Felipe Penna.

Além disso, Penna comenta sobre a importância de registrar os gastos. “Isso é fundamental para acompanhar o orçamento, manter o controle financeiro e evitar gastos excessivos”, diz.

Ensine sobre moedas e câmbio

Explique como funciona a moeda local e oriente sobre as taxas de câmbio. Portanto, mostre como e onde trocar dinheiro de forma segura e como verificar se está recebendo uma taxa de câmbio justa. É também uma boa ideia discutir o uso de cartões internacionais e taxas de transação que podem ser aplicadas.

Uso de cartões e dinheiro

Oriente seu filho sobre o equilíbrio entre carregar dinheiro e usar cartões de crédito ou débito. “Discuta os prós e contras de cada um e alerte sobre os riscos de roubo ou perda. Ensine como bloquear cartões rapidamente em caso de perda ou roubo”, pontua Wanessa.

A especialista ainda reforça a importância de manter informações financeiras seguras. “Isso inclui não compartilhar PINs ou senhas e sempre verificar a segurança das máquinas de ATM e dos pontos de venda”, afirma.

Também é importante falar sobre gastos impulsivos. “Além da importância de ponderar antes de fazer uma compra. Ensine os seus filhos a considerar se determinado gasto é realmente necessário”, comenta Marlon Glaciano.

Preparação para emergências

Converse sobre como agir em caso de emergências financeiras. Isso pode incluir ter um fundo de emergência acessível, saber como entrar em contato com os pais rapidamente e conhecer os procedimentos para obter assistência financeira adicional se necessário.

Cultura de gastos local

Discuta com seus filhos como a cultura local pode influenciar os gastos. Como, por exemplo, em países onde a negociação de preços é comum, ou em lugares onde gorjetas são esperadas ou não são costumeiras.

“Ao final da conversa, certifique-se de que seu filho se sinta confortável para fazer perguntas e discutir quaisquer preocupações. A preparação adequada pode não apenas evitar problemas financeiros, mas também contribuir para a educação financeira e uma experiência de viagem mais rica”, acredita Wanessa.

O fato é que mesmo sem conta internacional para menor de 18 anos, a comunicação entre pais e filhos deve ser bastante clara.

Uma dica final, então, é estabelecer check-ins regulares onde os jovens possam discutir seu status financeiro, compartilhar experiências e buscar conselhos. “Isso não apenas mantém os pais informados, mas também proporciona aos jovens um fórum para refletir sobre suas práticas de gastos e ajustar o orçamento conforme necessário”, finaliza a planejadora financeira.

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