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É possível comprar ações da Petrobras, e blindar o investimento de questões políticas?

Fonte: Isabella Carvalho

Você provavelmente já ouviu no noticiário os desdobramentos de uma notícia que mexeria com o preço das ações da Petrobras (PETR3, PETR4). Neste momento, rumores relacionados à troca na gestão e o pagamento de dividendos são os fatores que mais pesam na avaliação do mercado sobre a empresa. Muitas das vezes, as notícias que mexem com ações da estatal envolvem membros da política brasileira.  

Gustavo Spinola, estrategista da RB Investimentos, explica a relação entre a companhia e o governo federal. “A Petrobras tem seu presidente indicado pelo presidente do Brasil, além de outros membros do conselho de administração. Isso porque o governo detém a maior quantidade de ações da empresa”. 

De acordo com o estrategista, nos últimos anos a relação se desgastou pelas investigações de corrupção da Lava Jato. “Diversos investimentos foram realizados por interesse político, mesmo que prejudicassem a companhia. Isso levou a Petrobras a se tornar a empresa mais endividada do mundo”, ressalta.  

Atualmente, o governo tem mais de 50% das ações da Petrobras. “A cada mudança de governo, a orientação das decisões tomadas pela diretoria da Petrobras também muda e depende de quem está em exercício. Hoje há diferentes interesses em relação ao governo passado, prezando menos pelos acionistas. A ideia do governo atual é que a empresa pague menos dividendos, com parte do lucro direcionado para investimentos da companhia”, explica Rafael Schmidt, sócio da One Investimentos.  

Já Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, cita a Lei das Estatais como um apoio neste caso. “Porém, ainda que ela tenha estabelecido uma série de diretrizes para inibir a influência política e coibir práticas nocivas aos resultados da companhia, ainda assim o governo tem alguma participação nas decisões estratégicas, comerciais e de investimentos também, o que às vezes acaba influenciando os resultados”.  

É possível comprar ações da Petrobras e se proteger dos efeitos políticos?

Quem planeja comprar ações da Petrobras precisa estar preparado para as oscilações do papel e o peso da movimentação política nisso.

“Atualmente, recomendamos uma exposição nas empresas do mesmo setor. Como a PetroRio (PRIO3), que aproveita o momento bom do petróleo, mas não pega o risco de interferência. A política de dividendos e preços de combustíveis estão em bastante evidência diante de disputa política sobre como conduzir”, ressalta Gustavo. 

Na visão de Ruy, enquanto o governo for o controlador, não há como dissociar o investimento na Petrobras dos riscos políticos.

Segundo o especialista, o que existem são maneiras de reduzir um pouco esses riscos. “Evitar comprar as ações quando elas estiverem com múltiplos elevados e com baixo dividend yield. Isso indica um mercado muito confiante e pouco espaço para decepção com eventuais notícias negativas.”

Outra forma, segundo Gustavo, é comprar puts (opção de venda). “Eles funcionam como um seguro para quedas fortes, mas essa estratégia tem um custo, assim como qualquer seguro.” 

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