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As “minifábricas” da dona da Penalty garantem o controle do estoque – NeoFeed

Fonte: Marcio Kroehn

No primeiro trimestre de 2024, a Cambuci, dona das marcas Penalty e Stadium, conseguiu reduzir 9,2% seus produtos em estoque, para R$ 26,6 milhões. Esse é um processo que a empresa tem trabalhado nos últimos tempos e colhido os resultados.

Para se ter uma ideia, no fim de 2022, esse indicador estava em R$ 53,3 milhões e ao longo do ano passado a companhia se concentrou na política de manutenção de baixos níveis de estoque, tanto para reduzir a necessidade de capital de giro como evitar a obsolescência dos produtos.

“Quando você tem um produto que não é desejado, você tem de dar prazo e desconto para colocá-lo no mercado. Isso diminui a sua margem. Já tivemos uma redução significativa no balanço de 2023 e reduzimos ainda mais agora, com crescimento de 3% nas vendas”, diz Roberto Estefano, chairman e diretor de relações com investidores da Cambuci.

Em contrapartida a essa redução dos estoques, a margem bruta consolidada da companhia foi de 51,7% no primeiro trimestre do ano, um avanço de 3,6 pontos percentuais em 12 meses.

Em entrevista ao programa Números Falam, do NeoFeed, Estefano contou que a gestão do CEO Alexandre Schuler implementou uma estratégia na linha de produção que tem garantido velocidade de eficiência no atendimento ao cliente.

Schuler, que era o responsável pelos processos industriais da Cambuci, assumiu a liderança executiva em 2017 e desde então vem trabalhando na criação de “minifábricas” dentro da fábrica para gerar eficiência. “Conseguimos ser muito eficientes mesmo com 10 linhas de produtos ao mesmo tempo”, diz Estefano.

No mix de produtos da Cambuci, bolas e calçados representam 80% das receitas. Os 20% restantes vêm da parte têxtil. E, de tudo o que Penalty e Stadium vendem, apenas 5% é importado.

Não chore por mim, Argentina

Pouco antes das eleições presidenciais na Argentina, em outubro do ano passado, a gestão da Cambuci decidiu encerrar a relação comercial com o país vizinho.

“O mercado da Argentina é enorme e tinha uma deficiência na linha de produtos que atendemos. Daria para faturar R$ 250 milhões, R$ 300 milhões tranquilamente”, diz o chairman.

O montante que a dona da marca esportiva Penalty abriu mão não é pequeno. Para se ter uma ideia, a receita líquida consolidada da Cambuci no ano passado foi de R$ 459,2 milhões.

Mas a rápida decisão do management (entre 60 dias e 90 dias a companhia liquidou tudo e assumiu um prejuízo de R$ 18 milhões) tinha um argumento gerencial.

O governo argentino passou a exigir licenças de produtos importados, algo que demorava a sair e complicava a programação. A Cambuci tinha conseguido um equilíbrio entre logística e produção interessantes. Os pedidos chegavam ao Brasil, eram confeccionados e chegavam à Argentina em cerca de 12 dias.

Para vencer essa barreira, a Penalty tentou implementar a produção local, com fornecedores argentinos. Mas o problema continuou porque as matérias-primas vinham do exterior. Se essa dificuldade já não bastasse, o governo passou a fechar o câmbio com prazo de seis meses.

“Como fornecer todo mês para receber em 180 dias? Teria de aportar um capital de giro monstruoso. E sem saber quando nós conseguiríamos tirar o dinheiro de lá”, afirma Estefano.

A operação argentina foi encerrada, mas a empresa continua aberta em um escritório de contabilidade. Assim que a estabilidade política e econômica permitirem investimentos estrangeiros, a dona da Penalty consegue reabrir a operação em 30 dias.

Listada na B3 com o ticker CAMB3, a ação da Cambuci está em alta de 3,4% no ano. Em 12 meses, a alta é de 69,7%. O valor de mercado é de R$ 423 milhões.

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