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Afivelem os cintos: Turbulências derrubam ações da Azul (AZUL4) em mais de 30% no ano; entenda – Money Times

Fonte: Giovana Leal
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Dólar e o petróleo são “desafios tradicionais característicos do setor”, diz CFO da Azul (Imagem: Facebook/Azul Linhas Aéreas Brasileiras)

As ações da Azul (AZUL4) fecharam o último pregão (12) em queda de 10,07%, acumulando baixa de 13,89% na semana e de 30,29% no ano. Segundo analistas do mercado, os papéis da companhia aérea são pressionados pelas altas do dólar e do petróleo brent.

A moeda norte-americana fechou em alta frente ao real na sexta-feira, no maior patamar em cerca de seis meses depois que dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos minaram apostas de que o afrouxamento monetário poderia começar neste semestre. O câmbio à vista avançou 0,60%, a R$ 5,1213 na venda.

Já o petróleo subiu cerca de 1%, devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio, mas registrou uma perda semanal devido a uma previsão “baixista” no crescimento da demanda mundial da commodity da Agência Internacional de Energia (AIE). Os futuros do Brent subiram US$ 0,71, a US$ 90,45 por barril.

O analista Júlio Borba, da Benndorf, explica que os movimentos de alta do câmbio e da commodity elevam o custo do combustível e das viagens internacionais. Isso reduz a demanda e comprime a margem das companhias aéreas.

Para Borba, a volatilidade do Brent “anda bem alta” e deve continuar afetando as empresas do setor.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, diz que a alta recente do querosene de aviação (QAV) deve impactar os resultados da Azul no primeiro trimestre deste ano (1T24). Também, alerta que o mercado pode observar novos reajustes em maio e junho, pressionando mais o segundo semestre.

Arbetman ainda afirma que, ao passo que a Gol (GOLL4) vai avançando na recuperação judicial, o espaço para que a Azul capitalize uma maior fraqueza da concorrente vai se tornando cada vez menor. Na semana, a companhia disse que deve chegar a acordo com arrendadores logo.

Dólar e petróleo vão pressionar? Veja o que diz o CFO da Azul

Em entrevista ao Money Times, após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2023 (4T23), o diretor financeiro da Azul, Alex Malfitani, afirmou que o dólar e o petróleo são “desafios tradicionais característicos do setor”.

“Eu tenho muita confiança no que está dentro do nosso controle, mas, como companhia aérea no Brasil, estamos sempre expostos ao dólar, ao petróleo e à demanda — que precisamos monitorar”, disse.

Segundo Malfitani, desses três, o que realmente importa é a demanda. “Com uma demanda forte, conseguimos lidar com um dólar forte e com o petróleo alto — como está acontecendo agora. Mesmo assim, continuamos aumentando nossa rentabilidade e geração de caixa”, afirmou.

Em relação aos reajustes do querosene de aviação, ele disse que se trata de algo que eles mesmos estão questionando. “O jeito que o querosene de aviação é precificado no Brasil é ruim”.

“Se colocamos o preço do petróleo e do querosene lá em cima, limitamos o acesso ao transporte aéreo só aos que têm poder de compra alto. Esse é um dos motivos por que só 15 milhões de CPFs viajam no Brasil, mas esperamos que saia algo positivo das conversas com o governo”, completou.

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