A startup Zinit, especializada em e-sourcing com uso de recursos de hiper-automação como Inteligência Artificial e Machine Learning para identificar, avaliar, negociar e contratar fornecedores, captou US$ 8 milhões em uma rodada seed liderada pela AltaIR Capital. A rodada também contou com participação da DVC, que atuará como consultora em temas ligados à IA. Com sede em Dubai e operação global, a empresa é apontada como um dos futuros unicórnios do Oriente Médio e aposta no Brasil como mercado-chave para escalar sua plataforma baseada em IA, já em uso por grandes empresas do setor de varejo, saúde, manufatura e tecnologia. Avaliada em US$ 48 milhões, a Zinit opera no país desde maio de 2025 com equipe dedicada e mais de 500 empresas no funil de vendas.
Voltada ao mercado B2B, a Zinit é um módulo de e-sourcing com inteligência artificial, que automatiza as compras de materiais e serviços indiretos (como manutenção, equipamentos, insumos, software, hardware, logística, utilidades e compras corporativas) e conecta as empresas a um ecossistema aberto com mais de 25 milhões de fornecedores. A tecnologia permite que empresas encontrem fornecedores de forma inteligente através de IA, publiquem solicitações de propostas (RFPs) em tempo real e conduzam rodadas de negociação com eficiência, tudo dentro de um sistema SaaS (software as a service) que dispensa implementações e integrações complexas.
A plataforma promete uma redução de até 40% no tempo do ciclo de compras e uma economia de até 30%, tornando-se uma solução atraente em um setor que enfrenta crescente pressão por transparência e custo. “Nos gastos essenciais, a Zinit acelera o fornecimento com o apoio da inteligência artificial, aliando transparência total, integração ágil e análises avançadas que permitem decisões mais competitivas e orientadas por dados. Já nos gastos indiretos e não essenciais, se diferencia ao oferecer um processo de compra totalmente autônomo”, explica Anton Buzdalin, cofundador da startup.
Fundada em 2023 por Anton Buzdalin e Andrey Chernogorov, a Zinit nasceu da experiência anterior acumulada pelos empreendedores à frente da Bidzaar, plataforma que gerenciou com sucesso US$ 15 bilhões em GMV e estruturou uma ampla rede de fornecedores. Ao aplicar esses aprendizados aos mercados emergentes, onde os desafios com gastos indiretos são ainda mais complexos, eles criaram uma solução voltada à eficiência e escalabilidade. Desde então, a Zinit já viabilizou mais de 350 processos de solicitações de propostas, com crescimento médio de 50% ao mês. Além de já atuar em países como a Índia, Indonésia e Malásia, a Zinit inicia uma nova fase de expansão global para o Brasil e Estados Unidos, considerados mercados maduros e de alto potencial para adoção de tecnologias para automação de processos de compras.
Expansão acelerada no Brasil
No Brasil, a startup chegou com a proposta de digitalizar o tail spend – parcela das compras corporativas composta por itens de menor valor unitário e alta recorrência, que pode representar até 80% do volume de transações, mas que geralmente recebe pouca atenção estratégica. A meta da Zinit é liderar a transformação do setor por meio do procurement digital, conceito que engloba a digitalização completa da área de compras, com processos automatizados, dados integrados e decisões orientadas por IA. A ambição é consolidar a marca como o principal player da categoria nos próximos anos.
“O Brasil é um mercado estratégico em um momento decisivo. As empresas estão em busca de eficiência, velocidade e governança, e nossa IA entrega exatamente isso. Estamos priorizando provas de conceito com clientes estratégicos e temos certeza de que os primeiros cases locais vão comprovar o potencial transformador da nossa tecnologia”, afirma Sergey Bekker, CEO da Zinit Brasil.
Além de Sergey, a operação nacional é liderada também por Michel Boczko, Chief Revenue Officer (CRO), com passagens por empresas como Ivalua, GEP e Accenture. “A Zinit é a primeira plataforma de compras B2B desenhada para ambientes emergentes como o Brasil. É um modelo auto-financiado de transformação digital, estamos mudando a lógica do sourcing. Criamos um ecossistema aberto, competitivo e auditável. A disrupção não está só na tecnologia, mas também no modelo de negócios”, reforça.
A Zinit foi finalista do AIM Congress 2025, escolhida entre 3.200 startups, e é reconhecida como futuro unicórnio pelo programa We the UAE 2031. No Brasil, está em fase de consolidação dos primeiros contratos, mas aposta em um crescimento exponencial nos próximos trimestres. O novo aporte será direcionado ao avanço de tecnologias proprietárias, como motores de negociação por IA, fluxos autônomos de compras, algoritmos de precificação e geração inteligente de convites e propostas.
“Em uma área onde o hype da IA muitas vezes não se traduz em impacto real, a Zinit se destaca pelo potencial de transformar promessas em resultado. Procurement continua sendo uma das áreas mais transacionais das operações corporativas, e a plataforma vai ajudar a mudar esse cenário, em que o impacto no bottom line e o ROI importam muito mais do que adotar tecnologia apenas por ser tendência”, afirma Alexandre Ferraz de Moura, Executivo de Procurement e Supply Chain, Membro do Conselho do Inbrasc.
Segundo Cilene Bim, CEO da Nova Solução Consultoria, especialista em projetos de melhoria de processos de compras, transformação digital em compras, ESG e capacitação, o Brasil está pronto para esse tipo de solução. “A Zinit está entrando no Brasil com foco em automação e eficiência nos processos de compras. Isso não é mais tendência – é necessidade urgente. Os líderes de procurement precisam de velocidade, dados confiáveis e decisões menos dependentes de planilhas e e-mails. Soluções como a da Zinit têm potencial para mudar a cultura da área, integrando inteligência, compliance e performance em um único fluxo”, afirma. Ela aponta ainda os principais gargalos enfrentados pelas empresas brasileiras, como a lentidão dos processos, a baixa visibilidade sobre fornecedores e a ausência de indicadores claros. “O que a Zinit entrega é exatamente o que faltava. Uma IA conectada à realidade da operação, com impacto direto no dia a dia de quem compra”, complementa.







