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Fonte: Redação

A tragédia provocada pelas enchentes castiga o Rio Grande do Sul, com centenas de mortos e cerca de 2,1 milhões de afetados. Com todos os esforços ainda voltados a salvar vidas e restabelecer serviços básicos, é difícil traçar um diagnóstico preciso da extensão dessa calamidade. Está claro, no entanto, que não haverá perspectiva de recuperação sem mobilização do poder público, do setor privado e de toda a sociedade. A Editora Globo — que publica os jornais Valor, “O Globo” e Extra e marcas segmentadas —, a rádio CBN e a Edições Globo Condé Nast (EGCN) uniram-se para colocar seu serviço mais valioso, o jornalismo de qualidade, em prol da reconstrução do Estado e da organização do debate sobre ações preventivas para evitar que episódios como esse se repitam.

A ação conjunta começou no dia 8, quando todas as notícias relacionadas às enchentes no Rio Grande do Sul publicadas nos sites do Valor e de “O Globo” passaram a estar abertas também para não-assinantes. Os dois jornais, o Extra e a CBN também criaram ambientes especiais, chamados de SOS Rio Grande do Sul, para concentrar o noticiário sobre a tragédia e mostrar as formas de a sociedade doar. Na CBN, a extensa rede de afiliadas ajuda a divulgar ações nacionais e regionais para arrecadação de mantimentos e outros itens de primeira necessidade para as vítimas.

A partir das próximas semanas, os veículos estarão engajados na mobilização pela reconstrução e, posteriormente, pela prevenção.

Em junho, o Valor e “O Globo” publicarão um caderno especial, nas edições impressas e nos sites, voltado à discussão sobre o vasto trabalho de reconstrução do que foi destruído. O caderno é uma forma de a Editora Globo doar às vítimas da calamidade, além do serviço jornalístico prestado. Os ganhos com a publicidade nesse caderno serão destinados pela Editora Globo a organizações envolvidas no socorro às vítimas.

Uma parte do conteúdo estará também na CBN e no Extra. Entre os temas abordados no caderno, estão a reconstrução da infraestrutura, incluindo estradas, escolas e hospitais; a normalização dos serviços básicos; a concessão de crédito; a retomada do turismo, da cultura e da moda; o apoio ao agronegócio e às micro, pequenas e médias empresas; e o reerguimento de moradias e das condições de vida da população.

Os veículos da editora Globo também vão trabalhar na construção de uma plataforma para o mapeamento das áreas de risco no país e acompanhamento dos gastos em iniciativas para prevenir desastres. O objetivo é dar aos leitores uma ferramenta de consulta simples das ações que, de fato, podem fazer diferença no futuro, um serviço à sociedade.

Custos

Na quinta-feira (9/5), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou uma série de medidas voltadas aos municípios do Rio Grande do Sul, bem como aos trabalhadores, empresários e produtores rurais afetados pelas chuvas e enchentes. Ao todo, o governo vai adiantar ou disponibilizar cerca de R$ 50 bilhões em recursos que vão beneficiar 3,5 milhões de pessoas na região. Especialistas calculam que a reconstrução total do Estado vai demandar ao menos R$ 90 bilhões, e pode passar de R$ 100 bilhões.

O agronegócio, uma das forças da atividade econômica gaúcha, é motivo de preocupação. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), as perdas do setor já passam de R$ 740 milhões. Na agricultura, os prejuízos somam R$ 594,6 milhões e na pecuária, R$ 147,7 milhões. Ao todo, os municípios gaúchos tiveram, até agora, prejuízos de R$ 6,3 bilhões com as enchentes.

Segundo dados compilados pela Globo Rural, que acompanhará, inclusive com reportagem local, a reconstrução do agronegócio no Estado, o Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do país, respondendo por 70% da produção nacional, e é líder também na produção de trigo, com volume próximo de 5 milhões de toneladas por ano. É, ainda, um dos Estados mais importantes no cultivo de soja, principal item de exportação do agronegócio brasileiro. A oleaginosa representa quase 30% do valor bruto da produção agropecuária do Estado.

No segmento de proteínas animais, o Estado exporta carne bovina para quase 100 países e também se destaca na criação e exportação de frango, com fatia de quase 15% da produção nacional. No caso dos suínos, o Estado responde por mais de 20% dos abates e por 24% das exportações de carne.

O setor industrial também é forte. O Estado é responsável por 68,5% da produção brasileira de tabaco, 30,5% de couro e calçados, 21,5% de móveis e 20,2% de máquinas e equipamentos. China, Estados Unidos e Argentina são os três principais destinos das exportações da indústria gaúcha. O Rio Grande do Sul responde por 6,1% do PIB industrial do país, 7,7% dos empregos formais e 10,2% da arrecadação do Imposto sobre Produto Industrial (IPI). Grandes empresas com operações no Rio Grande do Sul tiveram de paralisar operações, e muitas já anunciaram apoio à reconstrução.

Um dos focos de preocupação na mobilização para reconstruir a atividade econômica no Estado são as pequenas e médias empresas. Uma das novidades anunciadas por Haddad é um aporte de R$ 4,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) para a concessão de crédito para micro e pequenas empresas. Nas contas do governo, isso vai propiciar uma alavancagem de cerca de R$ 30 bilhões em recursos no âmbito do Programa Nacional de Apoio às Microempresa.

Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN) e as marcas da EGCN (Vogue, Casa Vogue, Glamour e GQ) farão parte de um movimento, a ser anunciado nas próximas semanas, para ajudar a recolocar no mapa as pequenas e médias empresas que perderam instalações, estoques e máquinas. Incluindo também Valor, “O Globo”, Extra, CBN e Época Negócios, esse movimento incentivará o apoio ao reerguimento do segmento e a compra da produção desses pequenos estabelecimentos. Entre essas empresas, estão segmentos como moda, calçados, móveis, materiais de construção e serviços.

Segundo o Data MPE Brasil, o Rio Grande do Sul tem 1,45 milhão de empresas ativas, sendo 34,3% microempresas e 52,3% microempresas individuais. O Estado tem em torno de 1,4 mil empresas de base tecnológica, sendo que 65% são de Porto Alegre e região metropolitana, segundo a Associação Gaúcha de Startups (AGS). Segundo o Sebrae-RS, cerca de 600 mil micro e pequenas empresas foram afetadas diretamente pelas inundações.

Segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), 66% dos estabelecimentos do setor no Estado passaram os últimos dias sem acesso a água potável, e 35% ainda estavam sem energia elétrica na quinta-feira (9/5). Pesquisa da associação apontou que 34% não conseguiriam abrir no Dia das Mães.

Na mesma pesquisa, 82% dos estabelecimentos afirmam precisar de ajuda financeira nesse momento, 17% citam a necessidade de reparação de danos estruturais, 15%, apoio psicológico à equipe e 13%, suporte jurídico ou consultivo.

Nos próximos dias, bancos brasileiros planejam levar ao governo e ao Banco Central (BC) novas propostas de medidas para baratear o crédito às vítimas de enchentes.

Uma das ideias é suspender a cobrança de IOF incidente sobre operações de empréstimos e financiamentos para clientes gaúchos. As maiores instituições financeiras do país já anunciaram medidas que incluem postergação de parcelas e reduções de taxas.

Outra proposta é que o BC reedite uma resolução adotada na pandemia de covid-19 que permitiu que os clientes afetados naquela ocasião não tivessem suas notas de crédito — ou rating — agravadas com os atrasos nos pagamentos. Na pandemia, os bancos prorrogaram centenas de bilhões de reais em contratos de crédito de empresas e pessoas físicas.

Um dos maiores desafios na reconstrução da área, no entanto, é a necessidade de reforçar os cofres das prefeituras. “A velocidade da recomposição logística do Rio Grande do Sul dependerá da velocidade com que os recursos liberados pelo governo, por meio de emendas parlamentares, chegarem ao orçamento das prefeituras” , destacou Carla Beni, economista e professora de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Não podemos esquecer que estamos em ano de eleição municipal. [É preciso entender] como a verba será alocada. Essa tragédia é sem proporções, nunca tivemos nada nessa magnitude no país. Você pode até ter o dinheiro disponível na conta da prefeitura, mas pode não conseguir os materiais necessários ou a mão de obra para fazer a reconstrução da ponte ou da rodovia, por exemplo”, disse.

Os próximos meses também verão um intenso debate sobre prevenção de riscos climáticos. As equipes de jornalismo de todas as marcas vão promover uma série de debates em reportagens e entrevistas que irão ao ar em textos, vídeos, infográficos, podcasts e programas da rádio.

Em junho, por exemplo, a plataforma Um só Planeta fará uma temporada temática sobre a adaptação climática nas cidades no podcast “Entre no Clima”. As conversas vão tratar dos desafios das cidades brasileiras, prevenção de enchentes e deslizamentos, aumento das temperaturas, riscos de escassez de água, poluição e aumento do nível do mar, entre outros, além de apontar exemplos bem-sucedidos.

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