Portal BEI

Supermercados BH faz alerta sobre golpe. Entenda o que aconteceu e saiba como proteger sua empresa

Fonte: Redação

Uma rede de supermercados nascida em Minas Gerais movimentou a internet nesta semana após ter seu nome utilizado em uma campanha falsa de descontos, atrelada ao Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta sexta-feira, 8 de março. O Supermercados BH fez um post em suas redes sociais, avisando sobre o golpe. Nos comentários, porém, muitos clientes disseram que já tinham sido lesados.

No texto da postagem, a empresa diz que nunca solicita dados pessoais de clientes por telefone ou mensagem, e orienta que os consumidores se baseiem apenas nas campanhas emitidas pelos canais oficiais da marca. “Todas as nossas promoções são sempre certificadas, seguindo a legislação”, diz o comunicado.

Essa não é a primeira vez que a rede tem sua marca atrelada a golpes que prometem descontos em troca de dados de clientes. Em dezembro do ano passado, o Supermercados BH divulgou um comunicado sobre o assunto em seu site oficial. “Estamos cientes do aumento no número de contatos relacionados a uma suposta promoção dos Supermercados BH, oferecendo prêmios como celulares, vouchers e até mesmo carros.”

A marca seguia dizendo que não tinha nenhuma promoção vigente no período e pedia que os clientes não compartilhassem os links. PEGN tentou contato com a empresa para entender se tomou alguma medida em relação ao uso de sua marca ou se chegou a ser acionada pelos clientes, mas não teve retorno até o fechamento deste texto.

O Supermercados BH foi fundado em 1996 pelo empreendedor Pedro Lourenço de Oliveira. Hoje, a rede é a quinta maior supermercadista do país, segundo o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), com mais de 300 unidades. O faturamento em 2022 foi de R$ 14 bilhões, e a empresa está presente em 85 municípios de Minas Gerais e outros dez cidades do Espírito Santo.

Golpes com marcas de varejo têm crescido

Golpes que utilizam marcas de varejo para angariar dados de clientes ou até clonar meios de pagamento têm se tornado recorrentes. Marcas como Magazine Luiza, Casas Bahia, O Boticário, Mercado Livre e Americanas, por exemplo, já emitiram comunicados, em diversas oportunidades, alertando consumidores sobre falsos cupons e similares. “A utilização indevida da marca para aplicação de golpes, como cupons falsos, promoções, é uma ameaça crescente que exige uma abordagem proativa das empresas”, afirma a advogada e fundadora da FSV Advogados, Fernanda Scolari Vieira.

De acordo com a especialista, as marcas devem se proteger por meio de práticas robustas de segurança cibernética, uma vez que o maior canal para proliferação de campanhas enganosas é a internet. Isso inclui a encriptação de dados e o monitoramento constante para identificar atividades suspeitas.

“As empresas devem adotar uma postura transparente e educativa em relação aos consumidores. Disponibilizar informações claras sobre as promoções legítimas, orientar os clientes sobre como verificar a autenticidade de cupons e alertar sobre possíveis tentativas de fraude são medidas que contribuem para a construção de um ambiente mais seguro”, orienta Vieira.

Caso o cliente seja lesado por promoções que usem o nome da empresa, a marca pode ser responsabilizada, de acordo com Gustavo Kloh, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. “Existe o risco de responsabilização em razão da ‘teoria da aparência’ [que pode aplicar efeitos jurídicos em uma situação que apenas parece real]. A empresa precisa mostrar, com clareza, que não existe nenhum envolvimento dela e que [as práticas] são distantes de sua atividade. Mas a chance de se responsabilizada é relevante”, diz.

Os especialistas mencionam algumas medidas que podem ser adotadas por empresas para se prevenir de golpes que possam lesar seus consumidores e evitar responsabilizações por eventuais prejuízos sofridos por consumidores:

  • Identifique perfis falsos nas redes sociais e notifique as plataformas. Se for viável, avise os consumidores;
  • Divulgue informações que ajudem seus clientes a identificarem fraudes;
  • Mantenha canais de comunicação para que clientes possam fazer denúncias;
  • Requisite a verificação das suas contas nas redes sociais;
  • Evite tratar de dados delicados de clientes por meio de plataformas como WhatsApp e Telegram, que são territórios utilizados com mais frequência por criminosos. Ambientes controlados, como e-mails oficiais, ajudam a passar mais segurança;
  • Em caso de suspeita de ser vítima, registre um boletim de ocorrência.

Kloh orienta que, uma vez identificada a fraude, as empresas podem buscar proteções cíveis e criminais contra os infratores. “Isso constitui crimes de estelionato, falsidade ideológica, entre outros. A empresa pode prestar queixa-crime contra quem está usando os dados indevidamente.”

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Telegram
+ Relacionadas
Últimas

Newsletter

Fique por dentro das últimas notícias do mundo dos negócios!