Respeita Meu Nome: plataforma fortalece o uso do nome social de pessoas trans em empresas

Fonte: Redação

Com o objetivo de conectar pessoas trans ao setor privado para garantir o uso do nome social com segurança, respeito e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a plataforma Respeita Meu Nome foi criada dentro da Universidade de São Paulo (USP), em 2023. Em celebração ao Dia da Visibilidade Trans, a plataforma foi relançada nesta quinta-feira (29/1) com novas funcionalidades e a meta de se tornar um hub estruturado de cidadania – e impactar 1 milhão de pessoas.

A ideia surgiu da experiência de sua fundadora, Maria Claudia Miranda, mulher trans, que transformou violências sofridas em um negócio de impacto social. Em 2025, a plataforma realizou mais de 1 mil atendimentos por meio dos processos de acolhimento, mediação e organização de solicitações de retificação de dados.

Miranda explica que a plataforma foi lançada em janeiro de 2023 como resposta ao desrespeito ao nome social de pessoas trans em cadastros, atendimentos e relações de consumo. Contudo, ela conta que o processo começou um ano antes em meio a criação da Mais Labs, startup fundada na USP. Nesse período, a fundadora cursava Marketing na instituição e se aprofundava nas pesquisas sobre diversidade e tecnologia.

“É bem evidente a violência cotidiana e a falta de infraestrutura das empresas para lidar com as pessoas trans. Eu sou uma mulher trans e, desde que eu transicionei, comecei a lidar com esses problemas, porque existem duas possibilidades em relação ao nome para as pessoas trans: o nome que a sociedade reconhece (nome morto) e o nome com o qual eu quero ser chamada (que é o social) e pode não estar no registro civil. Há a possibilidade para retificação, mas ainda não tinha feito esse processo”, conta.

Além das próprias vivências, a fundadora buscou na pesquisa acadêmica o amparo para constatar a dimensão do problema. Para o desenvolvimento da plataforma, o investimento veio de uma bolsa de estudo voltada para a startup. O projeto começou com apenas quatro integrantes e, agora, conta com mais de 15 pessoas envolvidas direta ou indiretamente.

“Fizemos uma pesquisa e identificamos que se tratava de uma dor para as pessoas trans, mas não tinha esse canal que fazia essas análises, buscava esses dados para entender e também sugerir, propor ideias e mudanças para esses gargalos”, diz.

Atualmente, a iniciativa é viabilizada por incentivos financeiros de instituições como o fundo social Elas+, que promove a cidadania digital de pessoas trans; a Todxs, associação sem fins lucrativos que atua na promoção de inclusão de pessoas LGBTIQAPN+, e doações anônimas de apoiadores.

Atuação e funcionamento

A Respeita Meu Nome opera como um canal especializado para solicitações de atualização cadastral e inclusão do nome social. Miranda diz que a proposta é estruturar um fluxo para garantir que as demandas sejam organizadas e evitar que fiquem dispersas em canais genéricos de atendimento. De acordo com a fundadora, o modelo contribui para processos mais eficientes, seguros e rastreáveis, beneficiando tanto quem solicita quanto as empresas responsáveis pelo atendimento.

“O usuário registra o caso com contexto, setor, canal, data, hora e as evidências. Ninguém vai ter acesso a esses dados, é totalmente seguro e confiável. Não expomos os nomes das pessoas”, frisa.

A fundadora ainda destaca que a plataforma previne falhas de atendimento, fortalece compromissos com a agenda ESG e contribui para a mitigação de litígios e passivos jurídicos, além de proteger a reputação institucional das empresas. “Estamos aqui para facilitar esse processo e evitar danos tanto para as pessoas trans quanto para as marcas”, reitera.

Maria Claudia Miranda é fundadora da Respeita Meu Nome — Foto: Divulgação
Maria Claudia Miranda é fundadora da Respeita Meu Nome — Foto: Divulgação

A empreendedora conta que, recentemente, implementou a tecnologia para ativar um canal de reclamações de microagressões em tempo real no Boogie Week, ou Semana da Cultura Preta. Trata-se de um festival criado pela produtora Boogie Naipe, da empresária Eliane Dias, em São Paulo.

“Formamos uma comissão de diversidade, pessoas no evento com crachá para acolher e tínhamos um botão de alerta em que o público podia acessar para reportar alguma situação de transfobia, racismo, homofobia. Também fizemos uma ação de liberar uma porcentagem dos ingressos de forma gratuita para pessoas trans e pessoas africanas vivendo no Brasil”, afirma.

Além de fortalecer o direito ao nome social, a Respeita Meu Nome desenvolve trabalhos voltados à empregabilidade trans, educação e formação profissional. Em janeiro de 2026, a iniciativa também lançou o Pod Respeitah!, podcast voltado ao debate sobre cidadania, trabalho, tecnologia e direitos humanos. Os conteúdos contam com a participação de personalidades e abordam narrativas que atravessam diversos temas, entre eles cultura, arte, tecnologia, saúde, trabalho e direitos humanos.

Com foco em expansão, a Respeita Meu Nome busca ampliar o número de empresas parceiras e promover a primeira rodada de investimentos no curto prazo. Até 2030, a plataforma deseja formar 4 milhões de pessoas, atender juridicamente mais de 1 milhão e facilitar processos de retificação de gênero em escala nacional.

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