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Rede de empreendedores se une em cozinha comunitária para doar refeições a abrigos no RS

Fonte: Redação

Cerca de 77 mil pessoas estão em abrigos por conta das enchentes que afetam o Rio Grande do Sul desde o começo de maio, segundo dados divulgados pela Defesa Civil nesta quinta-feira (16). Para ajudar as cozinhas comunitárias a servir boas refeições, nove empreendedores uniram esforços. A ação se divide em duas frentes: os alimentos são preparados durante a manhã, e na parte da tarde são feitas compras e entregas de donativos necessários.

A atitude partiu do chef Tiago Both. No começo do mês de maio, ele se dispôs a colaborar com a cozinha do abrigo na Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (Sogipa). Além de centenas de pessoas em busca de acolhimento, Both encontrou voluntários dispostos a ajudar e com a necessidade de qualificação para cozinhar em grande quantidade.

“Me deram toda a confiança para eu poder tocar essa operação junto com eles [coordenadores da Sogipa]. Aí eu comecei a chamar cozinheiros conhecidos, porque a gente não ia dar conta em todos os turnos somente com voluntários que não eram experientes na cozinhas. Começou a nascer um pouco dessa união de cozinheiros aqui na Sogipa para podermos alimentar essa galera”, relembra Both.

Hoje, nove negócios que apoiam a ação. Há profissionais atuando na cozinha dos abrigos, incentivando doações, comprando itens necessários e entregando mantimentos em cozinhas comunitárias. Na cozinha da Sogipa há seis cozinheiros profissionais, três nutricionistas e cerca de 40 voluntários que preparam e servem pratos para cerca de 200 abrigados.

Tiago Both afirma que outras cozinhas comunitárias montadas para apoiar voluntários que atuam na busca por pessoas e animais desaparecidos precisam de doação neste momento. Para ajudar, Both criou uma campanha de doação. Ele estima que R$ 7 mil foram arrecadados para a compra de verduras, legumes, grãos, frutas e proteínas.

O chef destaca que, em relação a mantimentos, a maior dificuldade tem sido a compra e estocagem de carnes, pois a maior parte das cozinhas comunitárias não tem geladeira ou refrigerador para guardar grandes quantidades de proteína animal.

Both conta que a ação tem como objetivo ajudar as pessoas, mas também ajuda a ocupar a própria cabeça. O chefe teve a hamburgueria Real Fucking Burger, localizada no bairro 4º Distrito em Porto Alegre, alagada pelas enchentes. As águas chegaram a 1,6 metro de altura no estabelecimento.

“A primeira coisa que eu pensei foi: ‘eu preciso me ocupar para realmente não pensar nisso’, porque não tenho o que fazer nesse momento, então preciso fazer um voluntariado, porque as pessoas precisam ser alimentadas. Se eu ficar em casa, eu vou sofrer pela hamburgueria e vou sofrer porque eu não estou cuidando das outras pessoas. Então vou fazer o que eu sei fazer de melhor que é cozinhar. Aí botei minha cabeça 100% focada nisso”, explica.

Além de ajudar a passar pela situação, Tiago complementa que a ação entre os empreendedores une o grupo, cria uma cadeia de relacionamento, capacita os voluntários e apoia as pessoas por meio da alimentação.

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